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Paulo Pedroso fez ou não tráfico de influências?

Henrique Raposo (www.expresso.pt)

Em "Lesboa", há uma espécie de código de silêncio que protege os socialistas. E há mesmo silêncios que não se percebem. Na segunda, o telejornal da SIC largou uma notícia que só pode ser considerada uma bomba, mas ninguém pegou na dita bomba política. Parece que anda tudo anestesiado pelo spin socrático. E que bomba é essa? É napalm puro: o Supremo Tribunal de Justiça considera que Paulo Pedroso e/ou pessoas ligadas a Paulo Pedroso tentaram pressionar o normal funcionamento de um processo judicial (Casa Pia, pois claro). Ou seja, o mais alto tribunal da República acaba de dizer que Paulo Pedroso e/ou pessoas ligadas ao dito tentaram corromper o processo judicial.

Graças a Deus, não sou jurista, mas parece-me que isto é grave. Graças a Deus, não sou jurista, mas isto parece-me tráfico de influências. Graças a Deus não segui o conselho da minha mãe e não segui Direito, mas isto parece-me corrupção. Eu não sei se o Ministério Público pode actuar a partir de uma sentença do STJ, mas era porreirinho que aparecesse uma resposta a esta pergunta: Paulo Pedroso é ou não corrupto e/ou corruptor? Paulo Pedroso fez ou não tráfico de influências? É que não estamos a falar de conversa de bairro. Estamos na presença de uma sentença do Supremo.

E, neste quadro, é irrelevante sabermos se Paulo Pedroso é ou não pedófilo. Não é esse o ponto. Essa questão é exclusiva dos tribunais (e, ao que parece, o Supremo dá razão ao juiz que prendeu Paulo Pedroso). O ponto aqui é exclusivamente institucional e de cultura política: há ou não corrupção? Há ou não tráfico de influências? Há "tráfico de influências" em Portugal, ou isso é uma figura jurídica lá dos povos do Norte? Será que em Portugal não existe "tráfico de influências", porque nós achamos que "tráfico de influências" é, na verdade, "uma conversa privada entre amigos e conhecidos"?

 

PS: convém lembrar que o Ministério Público deu como provado que Lopes da Mota pressionou os dois procuradores do caso Freeport. Portanto, há aqui uma certa tradição.