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A Tempo e a Desmodo

Mãe, quero ser revisor da CP!

Henrique Raposo (www.expresso.pt)

Perante o efeito alemão (o imposto extraordinário de Passos & Gaspar), convém olhar para as causas gregas. Sim, nós não somos a Grécia, pois claro, mas temos dentro de portas situações de abuso bem gregas, situações que revelam como o Tesouro público é um alvo fácil para lóbis e sindicatos com a lengalenga dos "direitos adquiridos" na ponta da língua. Repare-se, por exemplo, na CP. Os trabalhadores da CP, aqueles senhores que estão sempre em greve, são muito bem pagos. Muito - mas mesmo muito - acima da média nacional. O meu exemplo favorito é o dos revisores, aqueles senhores que têm a magna e difícil tarefa de picar os bilhetes. Bom, como é preciso tirar um phd para picar bilhetes, estes senhores têm um vencimento anual acima dos 30 mil euros. Mais do que um jovem médico, por exemplo. Medicina? , isso está sobrevalorizado. Ser um pica com salário de Einstein é que é. E também é muito divertido saber que, no total, os trabalhadores da CP têm cerca de 200 itens que permitem a engorda do seu salário. Por exemplo, "só por se apresentar ao trabalho, cada maquinista recebe mais de seis euros por dia, devido ao subsídio de assiduidade".

A minha mãe queria que eu fosse médico. Como é óbvio, a minha madrecita estava completamente enganada. O que está a dar é ser revisor ou maquinista da CP. E, já agora, também não é mau ser secretária do Metro. Nesta excelsa organização subterrânea, uma senhora secretária recebeu 65 mil euros em 2009. Para quê estudar a sério, meus amigos? Para quê estudar quando se pode entrar num bom sindicato, um daqueles que está sempre a fazer chantagem sobre os governos, um daqueles que capturou por completo o Tesouro?

 

PS: teremos muitos impostos especiais pela frente enquanto estes e outros abusos não forem atacados. Está aqui outro bom exemplo. 

PS 2: ao invés do governo Sócrates, o governo Passos Coelho tem de mexer a sério no Estado (administração central e, sobretudo, administração local e empresas públicas como a CP) e no Estado paralelo (as fundações, os institutos, etc.). Se isso não for feito, este imposto extraordinário será o primeiro de muitos. Já chega.