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Sarkozy pede perdão aos franceses

Em queda nas sondagens, Nicolas Sarkozy jogou uma nova cartada: em direto na TV, pediu perdão aos franceses por ter festejado a sua vitória de há cinco anos à conta de amigos milionários.

Daniel Ribeiro, correspondente em Paris (www.expresso.pt)

Como um cordeirinho pálido e, como um católico arrependido, Nicolas Sarkozy apareceu ontem à noite na televisão francesa a pedir perdão aos franceses pelos erros do início do seu mandato, há cinco anos. 5,6 milhões de telespectadores assisitam à eemissão do canal público France2.

"Nessa altura a minha vida familiar explodia", explicou Nicolas Sarkozy para justificar ter ido festejar a vitória nas presidenciais com dezenas de amigos milionários no Fouquet's, um dos restaurantes mais caros de Paris.



"Desta vez, se ganhar, tenho uma família sólida, e sei onde irei festejar, será em privado, com quem amo, a minha mulher e os meus filhos e, talvez, alguns amigos", prometeu.

Férias num iate de luxo também foram um erro

Nicolas Sarkozy, que continua em queda acentuada nas sondagens, joga tudo para tentar recuperar votos. Pediu perdão, com ar pungente, por todos os erros. Confessou também estar arrependido de ter ido passar uns dias de férias, logo a seguir às eleições de 2007, com a sua mulher da época, Cecília, num iate de luxo, a convite um amigo milionário.



Na entrevista de duas horas e meia, parecia, de facto, um cordeiro. Disse também estar arrependido de excessos de linguagem chocantes na primeira fase do seu mandato - um dia respondeu com um famoso "Desaparece pobre imbecil" a um cidadão que lhe recusava apertar a mão numa feira de agricultores. E garantiu que mudou, que hoje é um homem mais ponderado e que aprendeu com os erros.

Discurso radical

As últimas sondagens dão o socialista François Hollande com 7/8 pontos de avanço sobre o Presidente francês na primeira volta e entre 14 e 18 pontos de vantagem na segunda volta.

A primeira ronda das presidenciais decorre dentro de mês e meio e Nicolas Sarkozy acelerou a pré-campanha: para amanhã, quinta-feira, tem agendados mais uma entrevista na televisão, um gigantesco comício no domingo, nos arredores de Paris, e mais uma longa entrevista na segunda-feira no TF1, o principal canal da TV francesa.



Observadores consideram que esta semana será decisiva para Sarkozy porque, mesmo na sua equipa eleitoral, há quem considere que se ele não conseguir inverter rapidamente a tendência das sondagens não conseguirá ser reeleito.



Para recuperar eleitores, Nicolas Sarkozy decidiu radicalizar o discurso, designadamente sobre a imigração, tentando desta forma caçar votos na extrema-direita de Marine Le Pen.