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Estudo: Fome já é um dos principais fatores do insucesso

"Achávamos que a fome estava erradicada e desabituámo-nos, enquanto sociedade, a seguir de perto esta questão", diz Diogo Simões Pereira, da Empresários pela Inclusão Social.

Joana Pereira Bastos (www.expresso.pt)

Num projeto-piloto que agora terminou, a rede EPIS - Empresários pela Inclusão Social acompanhou, ao longo de três anos, seis mil alunos do 3º ciclo de Norte a Sul do país, todos com chumbos no currículo.

Cerca de 500 foram sinalizados como casos particularmente graves de insucesso e risco de abandono, tendo ainda outros problemas - sociais ou de saúde, por exemplo - a precisar de intervenção. A carência alimentar revelou-se o primeiro da lista. E tem vindo a aumentar: passou de 8% em 2008/09 para 12% em 2009/10. "Achávamos que a fome estava erradicada e desabituámo-nos, enquanto sociedade, a seguir de perto esta questão.

Mas ela não só existe como está a aumentar. E voltou a ter uma presença que já não tinha há anos", assegura Diogo Simões Pereira, diretor-geral da EPIS. O empresário sublinha que os casos de alunos com carência alimentar são muito difíceis de despistar, já que a pobreza é escondida por vergonha.

Por isso, e tendo em conta que a amostra do estudo é relativamente pequena em comparação com os mais de 1,5 milhões de alunos em Portugal, a verdadeira dimensão da fome no país é seguramente muito maior, avisa o responsável.

E deixa um apelo: "Não se trata, obviamente, de um flagelo, mas a percentagem não deixa de ser muito preocupante, sobretudo se tivermos como referência os valores europeus. Tem de haver uma abordagem sistémica, nacional, para combater a pobreza e a carência alimentar, que são dos principais fatores de insucesso".

Texto publicado na edição do Expresso de 6 de novembro de 2010