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Canal Parlamento, a TV para onde se liga para falar com políticos (vídeo)

Nove pessoas tentam diariamente aproximar os cidadãos do Parlamento, num canal televisivo para onde os espectadores chegam a telefonar a queixar-se dos políticos.

Nove pessoas tentam diariamente aproximar os cidadãos do Parlamento, num canal televisivo para onde os espectadores chegam a telefonar a queixar-se dos políticos mas onde as pivôs têm redobradas preocupações de isenção para tratar os deputados de "maneira igual".

A primeira câmara de filmar foi instalada no plenário da Assembleia da República em 1993, num movimento tecnológico de colocação destes 'olhos' do público em parte substancial do Palácio de São Bento, que desde 2002 são o veículo privilegiado das emissões regulares do Canal Parlamento.

"Objetivo do Canal Parlamento foi aproximar o Parlamento dos cidadãos"

"O objetivo do Canal Parlamento foi aproximar o Parlamento dos cidadãos, poder transmitir a integralidade dos debates. Em geral, só apareciam pequenos fragmentos nos serviços noticiosos ou em programas mais específicos e no Canal Parlamento as pessoas têm acesso aos debates parlamentares todos, quer em plenário quer em comissão, colóquios e outros eventos organizados normalmente pelas comissões", explicou à Lusa Francisco Feio.

O coordenador do Canal Parlamento não tem dados rigorosos sobre audiências mas recebe "muitas comunicações de fora" que considera a perceção de "uma audiência e estável" de pessoas, que telefonam quando há algum problema técnico, mas também por motivos alheios à televisão da Assembleia da República.

"As pessoas vão telefonando às vezes com coisas que não são para nós... a queixar-se"

"As pessoas vão telefonando às vezes com coisas que não são para nós... a queixar-se", conta.

O número do Canal Parlamento funciona, afinal, como uma forma fácil de deixar uma queixa no livro de reclamações da classe política, mas para os pivôs da televisão da Assembleia as preocupações são em tratar "todos de maneira igual".

Mais isenção

"Continuo a elaborar notícias, como sempre fiz", diz à Lusa Rute Lacerda, pivô do Canal Parlamento desde que um concurso público a levou a trocar, em março deste ano, o trabalho que desenvolvia junto de um canal de notícias regular pela tarefa de dar a cara pela Assembleia.

"Claro que existem algumas diferenças, são informações muito mais institucionais, há que ter algum cuidado, sobretudo com a adjetivação, até porque aqui trabalhamos com todos os deputados, todos de maneira igual. Não se podem usar determinadas palavras como 'acusa' ou 'critica'. Mas o trabalho, como sempre, é com muito rigor, muita exatidão e sobretudo isenção", contou.

O trabalho, explica Rute Lacerda, passa pela elaboração de textos em que procura descodificar os diplomas que vão ser discutidos em plenário ou em comissão, num "trabalho pedagógico ao cidadão", para "tentar explicar" o que se faz no Parlamento e de que maneira pode "intervir mais ativamente nos assuntos que ali são discutidos".

Na organização da programação, nomeadamente daquilo que passa em direto, "o plenário tem prioridade sobre tudo, depois as comissões em

que há audiências com membros do Governo, depois altas individualidades", explica Francisco Feio.

Debates em direto

A emissão própria é apenas uma das missões do canal, que também fornece sinal aos operadores de televisão, o que faz com que a AR TV esteja em todos os canais em direto quando há debates importantes, como o programa do Governo, o Orçamento, ou moções de censura.

No futuro mais próximo, o canal vai prosseguir a "expansão tecnológica" do Canal Parlamento, com a digitalização do arquivo e um concurso para uma "plataforma de webtv", diz Francisco Feio.

Essa plataforma "vai permitir às pessoas seguir em qualquer momento, desde que haja uma gravação a ocorrer, o canal que querem ver, fazendo as pessoas a sua própria programação", que poderão "agendar gravações" e "fazer playlists para ver mais tarde".