Zeinal Bava não tem dúvidas: a compra de uma participação minoritária da Media Capital pela Portugal Telecom "era uma boa transação" para ambas as partes. Falhou porque "a mediatização chegou a um limite tal" que retirou "condições" para que o negócio se concretizasse. "Não tenho dúvidas que estavamos no sentido certo" e mesmo que "se pudesse voltar atrás, faria exactamente o mesmo", diz o gestor que responde com números, dados e saldos para justificar o carácter puramente económico da compra da TVI.
Mas, no entanto, entrou a política, a fuga de informação, as declarações da líder do PSD e do Presidente da República que levantavam dúvidas sobre a actuação da PT e "decidimos que não era oportuno agendar a transacção", explicou Bava.
Quem decidiu esta retirada foi, em conjunto, Zeinal Bava e Henrique Granadeiro. O presidente do conselho de administração foi motivo de rasgados elogios da parte do seu colega executivo da PT: "amigo", "sénior", com "grande conhecimento", foram alguns dos elogios deixados aos deputados. Aliás, quando foi informado a possibilidade de avançar para a TVI terá sido o próprio Henrique Granadeiro a levantar algumas dúvidas. "Henrique Granadeiro, que tem uma larga experiência política, chamou-me a atenção que o enquadramento político podia ser um bocado complicado", disse Bava que garantiu não se ter preocupado "demais" com este assunto.
A ausência de ligações políticas foi uma espécie de declaração de interesse que o gestor fez questão de sublinhar. "Não existe filiação política na comissão executiva da PT", disse para, mais tarde assumir que "nunca falei com o Governo sobre este negócio". Até porque, explicou, "as relações com o Executivo não passam por mim".
De referir ainda que Zeinal Bava datou a 19 de junho de 2009 a data de início das negociações formais com a TVI para compra de uma participação de 35% da Media Capital. No encontro, esteve presente Rui Pedro Soares - administrador demissionário na sequência das revelações das escutas do Face Oculta. Porquê? "Pela sua sensibilidade" em matérias de publicidade mas também porque "estava mais à mão" e Zeinal não gosta de fazer reuniões sozinho. Entre 19 e 23 de Junho o negócio estava praticamente fechado. No dia 25, pelas ondas de choque público, caiu por terra. Zeinal Bava ficou com pena.