Bárbara Agostinho, de 10 anos, aproveitou esta oportunidade para moldar, pela primeira vez o barro, e achou fácil. Gostou particularmente de fazer uma rosa e de misturar as cores para criar um azulejo. Também o criativo João Salvador, de oito anos, não deixou de participar e estava a criar uma "gaivota abstracta". Antes, já tinha feito um mamute e um azulejo que pretende oferecer à sua mãe.
"É divertido mexer no barro", disse o participante da Areirinha (A-dos-Negros), que já tinha experimentado uma vez a modelagem.
A dinamizadora do workshop, Raquel Antunes, explica que o objectivo passa por explicar aos mais novos a origem e aplicação do barro, até para que percebam que os "pratos e canecas que temos em casa são feitos com barro como este", exemplificou.
Os participantes, com idades compreendidas entre os seis e os 13 anos, foram convidados a fazer azulejos de forma artesanal, ou seja, estenderam o barro com o rolo da massa e depois, com a ajuda de uma tábua, cortaram-no dando a forma quadrada. O passo seguinte foi a decoração, em que utilizaram diversas técnicas como os carimbos, desenho através de teques e pinturas feitas com engobes.
"Depois de cozidas as peças ficarão para eles", anunciou a designer de cerâmica, destacando a criatividade e rapidez dos seus pequenos aprendizes.
Esta iniciativa inseriu-se na exposição didáctica para crianças que a artista ali teve patente, denominada "Design, Processo e Produção" e onde reuniu alguns dos projectos mais simbólicos do meu percurso académico.
Entre eles, o mais falado é o direccionador de chaves, um objecto em metal que facilita a colocação das chaves na fechadura e que foi premiado pelo ICEP no concurso Jovem designer.
Também em exposição está o copo dinâmico, que é um copo "sempre em pé" em que não é necessário mexer com colher, mas apenas oscilando o objecto. "Foram feitos os protótipos em barro e vidro", explicou a autora.
Já o jogo Caça aos Medos resulta de um projecto com psicólogos e tem por objectivo ajudar as crianças a vencer os medos. Como recompensa, estas tinham também à sua disposição uma série de canecas, com suportes diferentes.
A autora juntou também no CDI vários objectos da fábrica Molde para ilustrar o processo de produção em fábrica. Raquel Antunes, que está a fazer um doutoramento em Design de Cerâmica, trabalhou nesta fábrica caldense durante dois anos como designer, bem como na fábrica Vale de Sol (Porto de Mós).