13/02/2012 atualizado às 1:11
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Tanques patrulham ruas da capital

Violência no Tibete

Dez pessoas morreram em confrontos na capital Lhassa durante os protestos dos monges budistas, anunciou a agência oficial Nova China, mas o governo tibetano no exílio afirma que foram uma centena de manifestantes.

11:31 Sábado, 15 de março de 2008

Dez pessoas morreram sexta-feira em confrontos em Lhassa, a capital do Tibete, anunciou hoje a agência oficial Nova China. 

"As vítimas são todas civis inocentes e morreram carbonizadas", indicou um responsável do governo regional do Tibete, citado pela agência. Entre os mortos figuram dois funcionários de hotel e dois comerciantes, indicou o mesmo responsável.  
  
Segundo um comerciante chinês de Lhassa, contactado por telefone, "as pessoas viram monges a atacar os han (etnia maioritária chinesa) com facas". "Polícias ficaram feridos, mas os monges também atacaram pessoas na rua", afirmou.  "Temos medo, encerramos as nossas lojas e estamos fechados no interior", disse.  

O governo tibetano no exílio possui "informações não confirmadas" indicando que cerca de uma centena de pessoas morreram nos incidentes registados sexta-feira no Tibete, informou hoje um porta-voz da Administração Central Tibetana, Thupten Samphel.   
 
O Executivo tibetano no exílio, estabelecido na cidade de Dharamshala, no norte da Índia, recebeu "relatórios com informações não confirmadas provenientes do Tibete" que contradizem a versão oficial das autoridades chinesas, que cifram o número de vítimas mortais em dez.   
 
Segundo Sampel, um desses relatórios acrescenta que o Exército chinês enviou tanques de guerra para as ruas da capital para reprimir as manifestações dos monges tibetanos e população civil que protestava contra a ocupação chinesa do território.   

O presidente da região autónoma do Tibete, administrada pela China, Qiang Ba, afirmou hoje que as forças da ordem não dispararam contra os manifestantes. Durante a noite, a Nova China indicou que as forças da ordem procederam a tiros de aviso.  

Os confrontos abalaram sexta-feira a cidade velha de Lhassa, em particular junto ao célebre mosteiro de Jokhang, uma das referências no turismo da região, após vários dias de manifestações dos monges budistas.  
 
Segundo o governo regional do Tibete, citado pela Nova China, nenhum estrangeiro ficou ferido durante as manifestações, as mais sangrentas em Lhassa desde a rebelião de Março de 1989.  
 
A capital do Tibete está actualmente calma e controlada pelas forças de segurança. Tanques e veículos armadilhados patrulham as ruas, segundo testemunhas. 

Protestos chegam a Nova Iorque

Várias centenas de tibetanos protestaram hoje ruidosamente perante a sede das Nações Unidas em Nova Iorque contra a violência de que são alvo os manifestantes tibetanos, dois dos quais morreram, segundo testemunhas e fontes hospitalares.  
  
Transportando bandeiras tibetanas ou velas, os tibetanos no exílio gritaram palavras como "genocídio", "direitos do Homem no Tibete", "A China é culpada" e "Vergonha para a ONU", com a polícia nova-iorquina a seguir de perto a manifestação.  
 
Alguns militantes agitaram cartazes e faixas nos quais escreveram frases como "a China fora do Tibete, "a China matou mais de 100 tibetanos esta
tarde" ou ainda "Parem de matar os tibetanos". 

Dalai Lama comenta situação no domingo
 
Segundo Sampel, o chefe espiritual do Tibete, o Dalai Lama, comentará domingo, em conferência de imprensa, os incidentes em lhasa, considerados como os mais violentos registados na região nas duas últimas décadas numa conferência de imprensa.   
 
Também a vice-presidente da Associação de Mulheres Tibetanas, Tsering Yeshi, condenou duramente os incidentes de sábado, qualificando a situação de "muito grave" e garantindo que o número de vítimas fornecido pelas autoridades chinesas peca por "falta de credibilidade".   
 
A activista, citando testemunhas, assegurou que as autoridades chinesas infiltraram membros das Forças Armadas disfarçados de monges budistas entre os manifestantes e que a polícia reprimiu os protestos a tiro.   

Os incidentes na capital tibetana ocorreram no âmbito de uma campanha de protestos empreendida desde o passado dia 10 pelos monges budistas para recordar o aniversário da fracassada rebelião tibetana contra o poder chinês em 1959, que motivou a fuga para o exílio do Dalai Lama.   
 
Em 1950, o Tibete foi ocupado militarmente pela China e o governo de Pequim argumenta que este território faz parte do seu país.  

Hu Jintao releito presidente da China

A cinco meses dos Jogos Olímpicos de Pequim, uma vitrina do poderio renovado do gigante asiático, a reeleição do presidente Hu Jintao ficou manchada pela crise no Tibete. 

O número um do Partido Comunista Chinês, com 65 anos, foi hoje reconduzido por cinco anos na chefia de Estado como presidente do Parlamento, reunindo 99,7 por cento dos votos. 

Depois de ter sido confirmado em Outubro na liderança do Partido Comunista, Hu recebeu, sem surpresa, o apoio de 2956 delegados num total de 2965 na Assembleia Nacional Popular (ANP, Parlamento), reunidos desde 05 de Março em Pequim para a sessão anual.  
  
Hu Jintao foi aplaudido prolongadamente pelos delegados antes de apertar a mão do primeiro-ministro Wen Jiabao, que deve ser reconduzido domingo para um novo mandato de cinco anos pela ANP.  
 
Os parlamentares designaram igualmente como vice-presidente Xi Jinping, de 54 anos, o provável sucessor de Hu Jintao como líder do partido em 2012.
   
 

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Tibete
etudooventolevou (seguir utilizador), 1 ponto , 13:15 | Sábado, 15 de março de 2008

  Pronto,....tinha que ser.....Caros xuxialistas ! aqui está uma coisa em que eu concordo com o Sócas: não recebeu o Dalai....o Tibete não tem condições para ser independente,...aliás quem financia o Dalai ???/ uma autonomia administrativa é muito bom....só isso....naquela região a China não pode permitir que o Tibete avance em aventuras...e nunca avançará....!!! já basta Taiwan....ponta de lança dos américas na região !!!!
 
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Nihon (seguir utilizador), 1 ponto , 16:05 | Sábado, 15 de março de 2008
Dar maior visibilidade ao Tibete
Frank N. Stein (seguir utilizador), 1 ponto , 16:12 | Sábado, 15 de março de 2008
De todos os problemas graves a que este planeta assiste diariamente de braços cruzados, um dos que mais marca diz respeito ao Tibete. Ainda que custe a acreditar, a invasão teve como pretensa justificação o facto de o Tibete ter sido parte do mesmo território que a China há séculos atrás. O mais absurdo neste argumento consiste no facto de esse território ser o Império Mongol, isto é, tanto um país como outro estavam ocupados pelo mesmo invasor.
Quem quer que tenha viajado pelo Tibete e passado pelo par de quarteirões que restam de arquitectura essencialmente tibetana de Lhasa consegue visualizar a dimensão da barbárie que se instalou durante estes dias.
Atendendo à forma como o Dalai Lama foi recebido há uns meses nos USA e na Alemanha, resta-nos ter alguma esperança de que haja uma tomada de posição de alguma monta por parte destas e de outras nações. Em termos ideais, poderia haver um boicote maciço aos jogos olímpicos por parte de atletas de topo ou de delegações inteiras no sentido de pressionar as autoridades de Pequim. Aguardemos.
Tenho o maior respeito pelos Chineses, é um prazer viajar por lá (apesar da inacreditável poluição atmosférica), em média as pessoas são extremamente educadas, prestáveis e afáveis. Posso também dizer que tenho bons amigos chineses. A prazo, pela imagem daquela enorme Nação e por consequência, por todos os seus cidadãos, seria bom começar um protesto a nível global.
Por exemplo, uma coisa simples, difundida rapidamente que apelasse a um boicote de todos nós à compra de produtos feitos na China. Não me importava de andar diariamente com um crachá alusivo à causa. Ao fim de meses, eventualmente anos, o impacto na economia chinesa (e não só) seria terrível pelo que algo iria certamente acontecer.
A mobilização neste ou noutro sentido terá que partir de cada um de nós. É uma questão de consciência. A solução para o problema neste momento poderia passar não por uma independência total mas sim uma autonomia na linha do que propõe o Dalai Lama.
Muito obrigado ao Expresso pelo destaque dado aos acontecimentos dos últimos dias. Talvez justificasse a criação de um Dossier e de um fórum de debate de ideias.
 
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