12/02/2012 atualizado às 18:06
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Violência escolar tem provocado "alarmismo desnecessário"

O presidente do Conselho Nacional das Escolas (CNE) diz que "é preciso acabar com este quase histerismo coletivo, para que as escolas possam ter meios para dar resposta".

21:26 Segunda feira, 15 de março de 2010

O presidente do Conselho Nacional das Escolas (CNE) disse hoje à Lusa que há um "alarmismo desnecessário" em torno do tema da violência nas escolas, que, sublinha Álvaro Almeida dos Santos, "traz mais desvantagens do que vantagens".

Referindo-se aos últimos casos - o rapaz desaparecido no rio Tua , em Mirandela, e do professor que se suicidou em Fitares (Rio de Mouro, Sintra) -, Álvaro Almeida dos Santos considerou que se gerou um "alarmismo desnecessário, incapacitante do pensamento e prejudicial a todos".

Aproveitamento "chocante"


"Não desvalorizando estes casos, que, obviamente, são dramáticos e preocupantes, o aproveitamento que se tem feito disso para o desmerecimento do trabalho das escolas é chocante", sustentou o responsável.

"É evidente que o Conselho das Escolas está preocupado com estas notícias, mas temos que perceber que o bullying não nasceu agora nem terminará agora", acrescentou o presidente daquele órgão consultivo do Ministério da Educação.

Álvaro Almeida dos Santos admitiu que as escolas são "responsáveis pelos casos de violência que se têm assistido, mas não são as únicas".

Apelos à pacificação e serenidade


"É necessário uma pacificação da sociedade portuguesa, gerar um clima de serenidade e acabar com este quase histerismo coletivo, para que as escolas possam ter meios para dar resposta a estes problemas", concluiu.

O rapaz de Mirandela desapareceu a 02 de março no rio Tua, depois de ter abandonado a escola a meio do dia, na companhia de amigos e, segundo alguns relatos, ter-se-á suicidado depois de alegadamente ter sido agredido várias vezes por outros estudantes dentro do estabelecimento de ensino. Já as autoridades policiais acreditam na possibilidade de uma brincadeira que acabou de forma trágica, segundo fontes ligadas ao processo.

O professor de Música da Escola Básica 2.3 de Fitares, de 51 anos, suicidou-se a 9 de fevereiro, deixando uma mensagem em que se queixava da indisciplina dos seus alunos.

Reservas na transferência de competências para autarquias


A ligação entre escolas e municípios, a responsabilidade financeira na contratação de funcionários e a questão do pessoal não docente estão a gerar algumas reservas nas autarquias em relação à transferência de competências na área da educação.

"Há municípios que têm uma preocupação de melhoria na qualidade do serviço educativo para desenvolver o capital social e humano das populações", disse à Lusa o presidente do Conselho Nacional das Escolas, Álvaro Almeida dos Santos, à margem do Encontro do Conselho das Escolas que decorreu hoje em Cascais.

Num dia que o responsável considerou "extremamente positivo", o debate gerou-se em torno dos municípios e das competências que têm na área da educação.

Descentralização obrigatória


Um dos conferencistas do evento foi David Justino, ex-ministro da Educação e atual assessor do Presidente da República, Cavaco Silva, para esta área, que sublinhou a importância da descentralização de competências para os municípios, um fator que considera ser "obrigatório".

"A descentralização do sistema educativo é obrigatória, porque é um reconhecimento de que o Estado não tem a capacidade de dar resposta a todas as questões educativas do mesmo modo que tinha há 30 anos", afirmou.

David Justino considerou ainda que a articulação entre Ministério da Educação, autarquias, escolas e comunidade determinará o futuro do sistema educativo do país.

"A educação é excessivamente importante para ser deixada só aos burocratas do Ministério da Educação e compete às autarquias assumir o compromisso de gestão, planeamento e mobilização para a concretização dos objetivos", concluiu.

No Encontro do Conselho das Escolas, realizado hoje na Casa das Histórias Paula Rego, em Cascais, vários professores, diretores escolares, autarcas e diversos especialistas na matérias debateram a questão da "Territorialização da Educação", um tema que serviu para avaliar modelos e perspetivas de intervenção local e aprofundar as competências atribuídas aos municípios.


Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico


Nota da Direcção do Expresso


O Expresso apoia e vai adoptar o novo Acordo Ortográfico. Do nosso ponto de vista, as novas normas não afectam - antes contribuem - para a clarificação da língua portuguesa.

Por outro lado, não consideramos a ideia de que a ortografia afecta a fonética, mas sim o contrário. O facto de a partir de 1911 a palavra phleugma se passar a escrever fleugma e, já depois, fleuma não trouxe alterações ao modo como é pronunciada. Assim como pharmacia ou philosophia.

O facto de a agência Lusa adoptar o Acordo, enquanto o Expresso, por razões técnicas (correctores e programas informáticos de edição) ainda não o fez, leva a que neste sítio na Internet coexistam as ortografias pré-acordo e pós-acordo.

Pedimos, pois, a compreensão dos nossos leitores.

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Alarmismos
Miranda07 (seguir utilizador), 3 pontos (Bem Escrito), 22:06 | Segunda feira, 15 de março de 2010
Uma análise cuidada dos mass media, de quase todos, se não mesmo todos, mostraria claramente que na nossa sociedade, e por toda a Europa, está agora a chegar aquele espírito de histeria colectiva que, ao longo dos últimos decénios tanto mal fez, por exemplo, nos Estados Unidos da América. Os problemas existem: violência nas Escolas; casos de Pedofilia, na Igreja e fora dela; tantos e tantos problemas, uns mais graves do que outros, a afectarem a convivência social das pessoas. Repito: há problemas! Mas nenhum dos problemas sociais que existem, e são tantos, justificam que as pessoas percam o sentido da realidade, que as pessoas entrem em transe ou em delírio colectivo. Obviamente, tão pouco nada há que deva fazer com que as pessoas sejam menos atentas ao que se passa à sua volta. Mas esta histeria, bem visível, por exemplo nas gravíssimas acusações de que a Igreja tem sido alvo em alguns países da Europa, para além de ser perigosamente avizinhada à barbárie pura e simples, pode ter, e certamente terá, graves consequências para a sociedade no seu todo: é que uma sociedade onde mais ninguém confia em ninguém; onde todos se acusam a todos; onde a justiça se faz por julgamentos sumários diante das câmaras da TV ou nos forums dos Jornais; uma sociedade, portanto, que perde a capacidade de reflectir, de discernir o que esteja realmente acontecendo no seu seio, é uma sociedade com sintomas de um profundo mal-estar, de uma patologia que, se não for remediada, pode mesmo matar!
 
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KINIK0S (seguir utilizador), 1 ponto , 22:16 | Segunda feira, 15 de março de 2010
    Re: Alarmismos    Ver comentário
Miranda07 (seguir utilizador), 2 pontos , 22:34 | Segunda feira, 15 de março de 2010
    Re: Alarmismos    Ver comentário
Miranda07 (seguir utilizador), 2 pontos , 22:36 | Segunda feira, 15 de março de 2010
    Re: Alarmismos    Ver comentário
KINIK0S (seguir utilizador), 1 ponto , 22:52 | Segunda feira, 15 de março de 2010
    Re: Alarmismos    Ver comentário
Miranda07 (seguir utilizador), 2 pontos , 10:14 | Terça feira, 16 de março de 2010
A lata,é preciso ter lata
águiadois (seguir utilizador), 3 pontos (Interessante), 10:17 | Terça feira, 16 de março de 2010
O Sr,Presidente da CNE devia falar era do que pensa para resolver o estado a que isto chegou
Se não sabe o melhor é sair porque com sermões destes não vai loinge.
As Escolas estão degradadas de Nrte a Sul.Todos os dias há casos novos.
Os Sindicatos e o Governo preocuparam-se apenas com os vencimentos de quem lá trabalha e a EScola ficou para trás.
Não há um debate sério e público sobre a Escola,o que se passa e porque se passa.
Os alunos estão abandonadois á sua sorte.
E estes dirigentes tem o estatuto no cartão de visita e ainda tem a lata de vir puxar as orelhas.
 
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Responsabilidade de todos
antonius09 (seguir utilizador), 2 pontos (Bem Escrito), 22:11 | Quinta feira, 25 de março de 2010
A situação nas escolas é da responsabilidade de todos. Fui professor em várias alturas da minha vida e a ultima foi hà poucos anos. O que verifiquei foi que a vontade de aprender de uma boa parte dos alunos é praticamente nula. Os seus modelos de vida são frequentemente figuras de habilitações reduzidas e que frequentemente se expressam mal por isso o seu objectivo é baixo. Note-se que digo uma boa parte e não todos! Muitos dos professores brincam com a verdade dizendo que os alunos com eles são bem comportados e têm bom aproveitamento o que obviamente não é verdade. Os conselhos directivos querem é apresentar bons resultados não importando o que os alunos efectivamente sabem. Os pais esquecem-se em casa de educar os filhos e não os responsabilizam por nada, cedem em toda a linha, e quando chamados à escola raramente vão, embora seja verdade que a maior parte das reuniões é feita a horas em que é difícil irem. Por outro lado esquecem-se que os filhos em grupo não são bem os mesmos anjinhos que às vezes são em casa. Frequentemente há uma face oculta. E a sociedade aponta frequentemente como heróis os chico-espertos, os que ganham dinheiro fazendo pouco, os que têm jeito para vencer com truques, com pequenas vigarices, etc, etc, por isso a responsabilidade é de todos mas sem dúvida em casos de indisciplina os pais devem ser responsabilizados e mesmo punidos com coimas pois são os primeiros responsáveis pelos rebentos.
 
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Histerismo colectivo
nao tento (seguir utilizador), 1 ponto , 22:17 | Segunda feira, 15 de março de 2010
Então acabando com o histerismo colectivo é que as escolas ganham meios para dar resposta? Este presidente da CNE não deve estar lucido, ou então é mais um a gozar com muitos portugueses. Todos os dias temos noticias a dar conta de faltas de disciplina e de violência nas escolas, e acha que é histérismo? Eu pela minha parte penso que é mais uma vez uma grande falta de responsabilidadedos da parte do responsaveis deste sector.
 
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Alarmismo vs histeria colectiva
Diaconodoonline (seguir utilizador), 1 ponto , 22:25 | Segunda feira, 15 de março de 2010
..... há cada vez mais coisas que cada vez menos intelectuais são capazes de entender! (miranda 07 sic)

Lendo o post acima, e face à frase retirada de uma resposta do meu "irmão" de fé 007, é fácil a dedução lógica, de quem é o intelectual que está na berra.
Mas na berra, não do êxito mas sim de berrar aos céus, na tentativa vã de minorar a decadência da Igreja.

Alarmistas somos, porque uma criança abdicou de viver aos 12 anos.
Histéricos somos, porque afinal, só se sabe de cerca de 30 a 40 mil casos de crianças sodomizadas por padres.

Porquê tanta histeria ?!?!?
 
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    PESSOAL!!!ESTE GAJO É O BRINCANAREIA!!E FOI BANIDO    Ver comentário
KINIK0S (seguir utilizador), 1 ponto , 23:16 | Segunda feira, 15 de março de 2010
Onde pára a autoridade dos professores?
C$ (seguir utilizador), 1 ponto , 22:34 | Segunda feira, 15 de março de 2010
Não são os histerismos exteriores às escolas que as impedem de terem os meios para dar resposta! O que as impede é a falta de dinheiro e particularmente a incompetência dos dirigentes a todos os níveis.
As escolas deveriam estar apetrechadas de psicólogos, pessoal auxiliar capaz e em número suficiente e particularmente ser-lhes devolvida a autoridade que lhes falta.
E as famílias deverão ser responsabilizadas pelo que de mal fizerem os menores que estiverem sob a sua tutela tal como eu sou responsável pelos meus cães!
Curiosamente se um cão der uma dentada é punido com a pena de morte mas se um menor bater num colega e o perseguir psicologicamente a ponto de o levar a suicidar-se é tratado com o todo o carinho.
 
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Liberdade ou libertinagem
jamptrans (seguir utilizador), 1 ponto , 9:26 | Terça feira, 16 de março de 2010
Assisto com muita preocupação a este avolumar da forma como se processa a comunicação social. Já não interessa apenas dar a notícia, já não interessa informar. Interessa, sim, é chocar as pessoas. Interessa fazer despertar em cada um o que de pior tem o ser humano. É uma cultura de manipulação da morbidez que nos arrepia levando-nos a pensar que existem espíritos maléficos que se comprazem em explorar tais estados da mente a troco de audiências e de venda de espaço publicitário. Parece existir um afã de derrube e substituição de todas as instituições responsáveis pela preservação dos valores da nossa sociedade. Tenho medo disto... muito medo!
 
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SOMOS TODOS PARVOS E TANSOS
NoReply (seguir utilizador), 1 ponto , 9:28 | Terça feira, 16 de março de 2010
Somos todos parvos e tansos.
Bem, isto já era sobejamente conhecido pelos sucessivos atestados de estupidez colectiva que nos são passados pelos nossos bem amados governantes, não esquecendo os lideres supremos - os presidentes.
Mas, eis se não quando vem este senhor denominado Presidente do Conselho Nacional de Escolas, certamente pago pelo Estado e nomeado pelo Zézocas, afirmar que além de estúpidos, parvos e tansos, também somos histéricos !!!
Ahhh ganda CNE .... Ahhhh ganda David Justino !!!!
Mais um educador das massas amorfas e inertes.
Esqueceu-se de relembrar que toda a culpa é dos pais ... esses palhaços que depois de 12 h fora de casa se recusam a incutir educação e civilidade às crias, despejando-as nas escolas alijando para esta as suas responsabilidades.
Faltou esta pérola de sabedoria, para que o discurso do sr. presidente fosse além de lapidar, verdadeiramente educativo.
Esta Excelência não referiu no entanto que:
a. não há funcionários a guardar os recreios
b. o controlo de entradas e saídas é em muitos casos deficiente.
c. a violência entre alunos que agora se chama de bullying, é uma constante omnipresente
d. que o medo impera nos recintos escolares ...
e. que a segurança dos alunos é sacrificada no altar economicista dos "saem 3 entra 1" ...
 
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Acabar com o histerismo...
Icezero (seguir utilizador), 1 ponto , 9:32 | Terça feira, 16 de março de 2010
Meus amigos, se alguma coisa ainda funciona neste pais é que quando hesiste histeria relacionada com alguma coisa, subitamente aparecem sempre novos fundos para fazer face a essa adversidade...

Enfim, como o problema do bulying não é de hoje, então não é preciso fazer nada... então como o problema do crime não mé de hoje tb deveriamos deixar os criminosas om paz... como o problema dos drogados não é de hoje então também deviamos não fazer nada... e enfim... Esta logica é decadente e até insultuosa para todos aqueles que foram e são vitimas de bulying...

Estes directores e psicologos que tudo sabem, deviam (na brincadeira) ser encostados a uma parede e levar uma bela carga de porrada (pois possivelmente na sua altura eles eram os abusadores) e depois veriamos onde estavam as psicologias e a calma...

Se um professor bate num aluno é suspenso e gravemente penalizado, agors se é um aluno a bater noutro aluno então aí já é uma brincadeira... enfim esta na hora de punir estes jovens e as familias que não cumprem a sua responsabilidade de educar os filhos...

Proposta: Os pais dos alunos pobres que são apanhados a praticar tais actos deixam de receber o abono de familia e todos os subsidios, no caso de receberem subsidio de desemprego este fica suspenso durante 1 mes... Os pais dos alunos com mais guito tèm que pagar uma idminização de 3 salarios minimos aos alunos abusados depositanto o dinheiro numa conta poupança e os seus filhos devem ser suspensos durante 1 mes.
...
 
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SOMOS TODOS PARVOS E TANSOS II
NoReply (seguir utilizador), 1 ponto , 9:40 | Terça feira, 16 de março de 2010
Por exemplo na escola onde o meu filho de 12 anos anda, escola pública, numa desavença sobre um jogo de futebol um dos interveniente rapou de uma navalha, e o outro levou 34 pontos na mão para se defender.
Isto não se sabe ... isto é cuidadosamente escamoteado e falado em off, pois nós parolos pais não queremos que haja represálias sobre os nossos rebentos. Que não rebentem com eles.
Por isso (e este episódio passou-se há escassas 3 semanas) mantenho o bico calado, até porque o esfaqueador é membro de uma comunidade muito unida que reaje violentamente a qualquer ameaça que paire sobre um dos seus ...
Já agora ... uma pequena pergunta ao Se Presidente da CNE ... Como entra um aluno com uma navalha no recinto escolar? Ahhhh entendo! Detectores de matais são uma medida alarmista !!! E já agora cara também.
Na mesma cidade onde isto se passou, há dois anos foi esfaqueado e creio que morreu outro aluno ...
Histéricos !!!
Histeria colectiva !!!
Alarmismo dos media !!!
Claro ... se os media ficassem quedos, quietos e calados, nada se saberia e assim o efeito de anestesia persistiria ... mas graças aos media, os horrorosos pais que passam 8 h a trabalhar pela alforria de um misero emprego, e depois são 4h nos IC19, nas VCI, graças aos media, as mães Portuguesas que são as que mais trabalham nesta Europa deliciosa, ficam a saber os RISCOS que os seus filhos têm de diáriamente ultrapassar para chegar vivos a casa.
Nem todos podemos ter os filhos no Valssassina ... ...
 
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A Escola antiga e a escola do "eduquês"
Zé Guita (seguir utilizador), 1 ponto , 14:38 | Domingo, 28 de março de 2010
Recordo bem quando, em 1945, a minha mãe me entregou ao Professor José Carvalho Duarte, a frase e a encomenda: "Quando ele precisar, só se perdem as que cairem no chão!"
E, durante quatro anos, várias vezes fiquei em pé "virado para a parede" para me incentivar ao trabalho; experimentei o "toque" da varinha da Índia para me corrigir; e tive as mão "aquecidas" pela régua que o Professor guardava numa gaveta, donde saía em geral para casos de indisciplina; e, durante os mesmos anos, o Professor me deu gomos de laranja como prémio, me envolveu na apanha e usufruto guloso dos damascos da grande árvore do páteo, como festa da turma; ocasionalmente preocupado com o bem estar e saúde dos seus alunos, também com ele aprendi jogos como diversão; e tantas outras coisas de que só me lembro com muita gratidão e que me influenciaram para toda a vida. E a ele fiquei a dever uma ortografia "zero erros", gramática e redacção escorreitas, tabuada e aritmética sem falhas, história e geografia essenciais.
A vigilância e a autoridade dele e da contínua, a senhora Maria, eram indiscutíveis e totalmente acatadas.
Hoje, os pais não encomendam disciplina e trabalho aos professores e, aqueles que não se mantêm ausentes, desautorizam e agridem professores; estes e auxiliares não têm autoridade sobre os alunos; não usam varinha nem régua para corrigir os alunos, mas os alunos batem nos professores; não se aprende a trabalhar mas sim a brincar...
Falta estrita disciplina e trabalho áduo!
 
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