O Procurador-Geral da República (PGR), Pinto Monteiro, diz hoje ao "Diário Económico" que a violência escolar pode ser o "embrião" de outros níveis de criminalidade. O PGR vai mais longe e sustenta que há escolas onde se formam pequenos gangs que, mais tarde, transitam para grupos de bairro armados e perigosos.
Órgãos directivos têm de denunciar
É preciso mais autoridade para os professores, sustenta o PGR, mostrando-se contra a violência e o sentimento de impunidade nas escolas. "Impõe-se que seja reforçada a autoridade dos professores e que os órgãos directivos das escolas sejam obrigados a participar os ilícitos ocorridos no interior das mesmas". O que, "até agora, raras vezes, tem acontecido", diz Pinto Monteiro.
Faxes e faxes com professores agredidos
O representante máximo do Ministério Público (MP) não desvaloriza o caso da Carolina Michaelis e já em Novembro, numa entrevista à revista "Visão", defendia que a violência escolar não pode ser ignorada. "Mesmo que seja um miúdo de 13 anos, há medidas de admoestação a tomar. Se soubessem a quantidade de faxes que eu recebo de professores a relatarem agressões..."
O MP está a apurar até onde pode intervir no caso de violência na escola Carolina Michaelis, depois de um aluna ter brutalizado a professora por esta lhe tentar retirar o telemóvel durante uma aula. A notícia é avançada pelo "Jornal de Notícias" que adianta também que o Procurador-Geral da República está a acompanhar o caso e já falou com o procurador-geral distrital do Porto, Pinto Nogueira, e com a directora do DIAP Hortênsia Calçada.
Inquérito à aluna não é certo
Como a aluna em causa é menor e tem menos de 16 anos, inimputável em termos penais, só poderá ser alvo de um inquérito tutelar educativo no Tribunal de Menores do Porto. Contudo, não é certo que haverá um inquérito. Para já a PSP está a apurar se houve de facto agressão por parte da aluna à professora.