12/02/2012 atualizado às 17:34

Violência: Bullying "arruina a vida" de cerca de 40 mil crianças portuguesas - Especialista holandês

Lisboa, 23 Jun (Lusa) - O "bullying" é uma guerra silenciosa que atinge muitos lares portugueses e "arruína a vida" de cerca de 40 mil crianças, com elevados custos para o Estado, segundo o director de uma associação de pais cristãos holandesa.

15:58 Terça feira, 23 de junho de 2009

Lisboa, 23 Jun (Lusa) - O "bullying" é uma guerra silenciosa que atinge muitos lares portugueses e "arruína a vida" de cerca de 40 mil crianças, com elevados custos para o Estado, segundo o director de uma associação de pais cristãos holandesa.

A estudar este tipo de violência física ou psicológica desde 1994, Werner Katwijk, director da Ouders & Coo, afirmou hoje no seminário " Bullying - Prevenção da violência na escola, no trabalho e na sociedade", promovido pela Fundação Pró Dignitate, que dois milhões de crianças são severamente vítimas deste fenómeno na Europa.

Katwijk citou um estudo realizado em 2000 na Holanda com crianças que frequentavam a escola, segundo o qual, dos 2,4 milhões de crianças holandesas, 385 000 eram vítimas de bullying por outras crianças e entre elas 75 000 foram de tal forma vítimas de violência física e psicológica que a vida escolar se tornou um inferno.

Segundo o responsável, estas crianças que foram vítimas graves deste tipo de violência e que tiveram de repetir um ano na escola representaram um custo médio para o Estado de nove mil euros.

Por outro lado, acrescentou, uma criança vítima de bullying irá enfrentar muitos problemas durante a vida: desde distúrbios na alimentação, desemprego, problemas de relações humanas, o medo de terem os seus próprios filhos e um elevado risco de suicídio como resultados destes traumas.

"Os efeitos de bullying são graves e causam falta de auto estima. As pessoas sentem-se insignificantes e sem valor", comentou.

Mas este fenómeno não atinge só crianças, há também muitas vítimas no local de trabalho.

Um estudo holandês revelou que cerca de 300 mil trabalhadores eram vítimas deste fenómeno no local de trabalho, o que representa um custo anual de cerca de 12 milhões de euros naquele país.

Segundo Katwijk, o custo médio de um trabalhador vítima de bullying é de 50 mil euros

"Se compararmos a Holanda com Portugal e se partirmos do princípio de que a média do trabalhador português é semelhante ao holandês os resultados serão parecidos", sustentou.

Presente no seminário, o psicólogo criminal Carlos Poiares afirmou que há uma "ligação muito grande entre a violência em casa e a violência na escola".

"Quando o marido bate na mulher está, pelo menos, a agredir psicologicamente os filhos", sublinhou o psicólogo, acrescentando que muitas vezes a criança reproduz a violência a que assiste, porque percebe que "quem é violento é quem manda em casa".

Para Carlos Poiares, o combate à violência passa pela família, rua, médico e escola e pela prevenção, que é fundamental.

"Nós não temos maus pais, maus professores e maus alunos. O que temos são maus cidadãos", afirmou, considerando que há um défice em Portugal na "formação para a cidadania".

O psicólogo criticou ainda a violência mediatizada nas televisões, nomeadamente nos desenhos animados.

"A violência é a segunda fonte de rendimento, a seguir ao futebol, para quem a mediatiza", frisou.

Esta opinião foi partilhada pela presidente da Fundação Pro Dignitate, Maria de Jesus Barroso, afirmando que a comunicação social tem uma grande responsabilidade social e pode inverter esta situação.

"A sociedade está muito embebida de violência e temos de obrigação de fazer um esforço no sentido de a diminuir ou eliminá-la", afirmou Maria Barroso à agência Lusa, à margem do encontro.

A secretária de Estado Adjunta e da Reabilitação, Idália Moniz, salientou, por seu turno, o papel das escolas, que devem de "um modo formal e informal combater a segregação e exclusão social" e aprofundar as ligações com a comunidade.

Para Idália Moniz, a forma de combater este fenómeno passa também por um trabalho de capacitação não só dos técnicos, como dos interventores a nível educativo e pedagógico.

HN.

Lusa/fim

Lusa
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As origens sociais do Bullying
Paulo Pedroso (seguir utilizador), 2 pontos , 17:42 | Terça feira, 23 de junho de 2009

Pensar uma sociedade sem a existência de fenómenos como o Bullying é impossível. Trata-se de um fenómeno que está inscrito nos nossos genes. A agressividade faz parte da nossa herança natural.

O ser humano é o único animal que, para além da sua condição natural, possui a vertente cultural. É a cultura que nos molda e faz de nós aquilo que somos. Tudo aquilo que nós prezamos na Humanidade é essencialmente proveniente da vertente cultural.

Mas a Cultura não é uma essência. É o resultado de uma herança, que se recebe e se transmite, mas é também o resultado de uma construção contínua. Significa isto que, cada geração, recebe uma herança, herança essa que irá transmitir, mais ou menos nos mesmos moldes, às gerações seguintes.

Cada geração tem, no entanto, a possibilidade de alterar o rumo de algumas partes dessa herança. É através do processo de SOCIALIZAÇÃO que cada novo membro da sociedade incorpora as regras, as normas, as formas de pensar, de agir e de sentir da sua sociedade e da sua cultura. As fases da infância e da juventude são essenciais para a aprendizagem do relacionamento e da aceitação do outro.

Uma geração ensinada pelos pais a diminuir aqueles que são diferentes (na etnia, na religião, na nacionalidade, na raça, na orientação sexual, na ideologia, etc.), é uma geração perdida no combate à agressividade inscrita nos nossos genes.

Ensinamos os nossos filhos a odiar a diferença mas depois achamos que não temos nada a ver com estes fenómenos!
 
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Bullying, escola, sociedade e governo
impertinente (seguir utilizador), 1 ponto , 17:08 | Terça feira, 23 de junho de 2009
Usa-se a palavra inglesa suponho que para abranger uma grande variedade de comportamentos, maus tratos, ofensas físicas, injúrias, ameaças, coacção, extorsão, furto, roubo, condutas sexuais despropositadas e agressivas. Isto é das questões mais graves ( entre muitas outras) e constantemente presentes em muitas escolas públicas. Algumas crianças nessas escolas não têm aproveitamento escolar e vivem aterrorizadas com o ambiente na escola, em especial nos recreios em que estão expostas aos seus agressores. Algumas, sem que os pais tenham sequer conhecimento, entregam pontualmente os poucos cêntimos ou o lanche que os pais lhes dão diariamente, sob ameaça( que já deixou até de ser explícita) de agressão...Não se queixam porque poderia ser pior. Procuram não ir à escola ou mudar de estabelecimento.
As causas deste fenómeno são várias, desde a abertura das escolas a muitas minorias étnicas não socialmente integradas ou a camadas de população económicamente muito carenciadas (muitos alunos vão à escola apenas para almoçar e furtar algo aos outros...), até à desautorização completa dos professores é à falta de vigilância eficaz dos recreios e zonas adjacentes às escolas.
Algumas destas manifestamente só podem ser atenuadas ou combatidas por medidas sócio-económicas alheias à escola e não se poderão nunca de todo extirpar. Mas outras há que UM QUALQUER governo acordado para a realidade, poderia tomar. Entre essas não está, com certeza, a avaliação dos infelizes professores.
 
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