A coreógrafa Madalena Victorino andou pelos campos, pelo rio, conheceu e falou com as gentes do Vale do Tejo. Preparou um espectáculo de dança contemporânea com sete bailarinos profissionais aos quais se juntam, dependendo do tamanho do palco, dezenas de pessoas das regiões onde "Vale" é apresentado. Alguns nunca pisaram um palco. "Ainda me dá mais gozo. É como um primeiro contacto com o teatro e com a arte", confessa a coreógrafa.
"Vale" é um jogo, por vezes mortal, entre o homem e o rio que transborda e se transforma em mar. Neste vale, há pés bailarinos delicados que se misturam com a força dos elementos, que se diluem na água, que se misturam na ar, que aparecem e desaparecem das fendas que se abrem na terra.
"Não sendo um espectáculo fechado sobre o Ribatejo, é sobre essa intriga que é tão antiga: o homem desde sempre usou, viveu e, de alguma forma, transformou a vida dos animais à sua imagem e os próprios animais invadem e, de algum modo, estão presentes no nosso sangue, nas nossas reacções, no nosso instinto", diz Madalena Victorino.
Vale sensual
Neste vale há festa em forma de baile, há arena e terra batida, há cavalos que correm em liberdade. Neste vale, há vento, há a água doce do Tejo com cheiro a mar salgado.
É um vale de sensualidade que chega do palco, uma demonstração de força que sobe pela plateia como quem escala uma montanha. É um vale de de risos e choros, de música e sentidos apurados.