A mais jovem candidata do país à liderança de uma câmara municipal tem 18 anos e concorre a Oliveira de Azeméis pelo BE, partido que se estreia na corrida autárquica neste concelho.
Cláudia Ribeiro nasceu nessa cidade a 03 de Dezembro de 1990, vive na freguesia de Cucujães, estudou nas escolas de S. João da Madeira e está
agora no segundo ano do curso de Línguas e Relações Internacionais, na Faculdade de Letras do Porto.
Durante a semana vive no Porto, numa residência universitária, "porque fica mais barato e é menos cansativo".
A jovem ainda pensou em seguir Medicina, após ter visto Jardel sair de uma cirurgia, mas no 8.º ano descobriu que não tinha queda para as ciências exactas e era "apaixonada por História, sobretudo a do século XX e a da II Guerra Mundial".
Simpatia por Manuel Alegre
"Foi ao aprender sobre esses temas que me interessei pelas ideologias políticas", recorda, confessando considera Manuel Alegre "o único verdadeiro socialista do PS".
Mentalidade de esquerda diz que sempre teve, mas a filiação no BE, através da distrital do Porto, só se deu no início de 2009. Antes disso, o tempo estava todo ocupado com as aulas e com os seus seis anos de treinos semanais na equipa de futebol feminino da Oliveirense, que teve de abandonar com pena por não poder dedicar-se a 100 por cento.
O processo até se tornar candidata às autárquicas foi "rápido e muito estranho".
Os dirigentes do Porto, que gostaram das perspectivas que ela apresentava nas discussões, falaram dela à distrital de Aveiro e passado pouco tempo ela integrava a lista do BE à Junta de freguesia de Cucujães.
Dificuldade em arranjar candidato
"Depois, como havia dificuldade em arranjar um candidato para Oliveira,
convidaram-me", revela Cláudia. "Foi um choque, mas pensei: prefiro avançar eu, com as minhas limitações e falta de experiência, do que saber que não avança ninguém e que o partido tem que esperar mais quatro anos até ter candidato".
A 11 de Outubro, Cláudia precisa de 15 por cento dos votos para ser vereadora, "o que nem seria difícil já que nas legislativas o BE conseguiu 8 por cento em Oliveira", mas "o objectivo realista é eleger um deputado para a assembleia municipal".
Campanha na Net
A campanha eleitoral tem-se limitado às redes sociais: Facebook, Hi5,
Twitter e o site do Bloco. "Com o pouco orçamento que temos, não há dinheiro para muito mais", explica a cabeça de lista. "Os outros partidos fazem apresentações de campanha, mas nós não temos meios para isso. Vamos a debates na rádio e damos entrevistas. De resto, é entregar alguma propaganda por correio, tentar realizar um concerto e é só".
"Sei muito bem que devia fazer campanha de rua", afirma, "mas vamos andar por aí só de bandeirinhas no ar, de mãos vazias, sem um panfleto sequer para entregar às pessoas?".
Cláudia aposta por isso na Internet para propor "mais qualidade de vida para Oliveira de Azeméis", que considera "em desvantagem" em relação ao "exemplo óbvio" que é o município vizinho: "S. João da Madeira [presidido pelo social-democrata Castro Almeida] é um espectáculo. Tem problemas ao nível do apoio social, mas a crítica fica-se por aí, enquanto Oliveira tem esse problema e os outros todos".
A candidato do BE especifica: "O saneamento básico nem aos 50 por cento chega; as estradas parecem as de uma aldeia do interior, todas esburacadas; e não há uma ligação directa ao Porto de autocarro".