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Alexandre Coutinho
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8:04 Domingo, 15 de maio de 2011
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A desertificação do Alentejo está a ser combatida com projectos alternativos.Este ano, a Conferência GEN 2011 - Ecovillages and Sustainable Living - ponto de encontro dos membros da organização Global Ecovillage Network (GEN) - realiza-se no Tamera (Odemira), de 7 a 11 de Julho. Além de um foco especial na vertente da educação, pondo em prática métodos de facilitação e pedagogia, será feito um balanço dos desenvolvimentos do GEN na Europa, África e Médio-Oriente. Os Ecovillages funcionam como centros de treino e pesquisa para o desenvolvimento sustentável numa sociedade mais vasta e o Ecovillage Tamera representa um exemplo vivo e um campo de trabalho prático para os temas desta conferência.
Tamera é um Centro Internacional de Pesquisa para a Paz, uma escola do futuro e um ponto de encontro internacional de trabalhadores, oriundos de muitas partes do mundo, para a paz. Foi fundado em 1995 num terreno com cerca de 134 hectares situado no Baixo Alentejo, na freguesia de Relíquias e concelho de Odemira. A sua fundadora, Sabine Lichtenfels, deu o nome "Tamera" a este projecto que numa língua antiga significa "junto à fonte primordial". O nome é um apelo para a ligação primordial às nossas origens, à natureza, à vida comunitária e ao empenho pela paz mundial.
Actualmente, encontram-se em Tamera cerca de 160 colaboradores e estudantes de diferentes faixas etárias e nacionalidades. O objectivo é investigar o conhecimento necessário para o estabelecimento de aldeias para a paz que devem e podem surgir em muitos países. Estes modelos assentam num modo devida sustentável, tanto do ponto de vista ecológico como social, incluindo a cooperação com a natureza e com os animais.
Tamera é uma comunidade de investigação dedicada à formação humana e tecnológica, levando a cabo experiências quer sociais, quer tecnológicas através da convivência autêntica entre as pessoas baseada em novos valores éticos e do aproveitamento descentralizado da energia solar, reflorestação e recuperação da natureza pela permacultura e paisagem aquática, arquitectura com materiais naturais e da auto-suficiência regional, criando-se células germinativas de uma nova cultura pela paz, independentes dos grandes sistemas ideológicos e das grandes indústrias e sistemas centrais de fornecimento.
Tamera associa o seu trabalho de investigação ao trabalho político em rede, a peregrinações e acções de apoio e de paz em regiões de crise. Trata-se de acções exemplares cuja finalidade é contribuir tanto para a criação de um campo morfogenético pela paz como para a efectiva criação de comunidades de paz e para a paz.
Solidariedade entre todos os seres vivos, apoio mútuo, processo de cura individual e global ou formação para a paz, ecologia profunda, abordagem holográfica, consciência e devir histórico são conceitos essenciais do ensino/aprendizagem da "Educação para a Paz Monte Cerro" e do "Campus Global", entidades responsáveis pela criação de uma rede mundialmente interligada de iniciativas em prol da paz.
A vida na Terra e no Universo como um Todo interligado permite que uma alteração microscópica num determinado local do planeta possa provocar um efeito global. Tamera demonstra na prática que a paz é possível através da vida comunitária baseada na confiança e na solidariedade e se este princípio for aplicado a diferentes comunidades em diversas regiões do mundo, de tamanhos e complexidades diferentes, poderá surgir um efeito global de cura.
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Alexandre Coutinho
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22:59 Terça feira, 5 de abril de 2011
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Desde há algum tempo que se detecta uma crescente influência do mundo financeiro sobre as políticas económicas e produtivas mundiais - e as consequências da queda do subprime nos Estados Unidos, em 2008, continuam a gerar repercussões na Europa, nomeadamente, em Portugal -, sobre as estratégias dos mercados a todos os níveis, sobre o desenvolvimento e sobre as relações entre os povos e as nações. Ou seja, as finanças condicionam cada vez mais e, a longo prazo, o próprio destino da humanidade: a paz ou a guerra, o progresso comum ou o delírio competitivo do mundo globalizado que, entre um Iraque em chamas e uma manifestação pela paz, procura com dificuldade percorrer um caminho que seja razoavelmente equilibrado.
Felizmente, nem todo o mundo financeiro é constituído por especuladores sem escrúpulos ou capitais que transitam sem parar de uma bolsa para outra, para acabar nos bolsos de investidores desonestos ou no mundo do crime organizado. Existe uma vertente do mercado, que acreditamos ser sólida e vigorosa, formada por operadores, homens e mulheres que dão ouvidos à sua consciência e que compreenderam que têm essa responsabilidade.
Entretanto, muitos investidores interrogavam-se sob forma como poderiam aplicar as suas poupanças, salvaguardando o seu valor - e, se possível, incrementando-o -, sem prejudicar o bem-estar colectivo e o progresso social. Estes cidadãos vêem os instrumentos de poupança e investimento tradicionais como o limite intrínseco de uma especulação bolsista que, não somente, como num jogo de soma zero, por cada ganhador gera um perdedor, mas também que alimentam uma concepção das finanças cada vez mais distante de utilizar o dinheiro em actividades produtivas, em prol de uma óptica de mero benefício económico.
Uma utilização conscientemente orientada para a ética e para os valores da poupança, dirigida a produções e atitudes socialmente responsáveis, é uma opção que une a consciência aos recursos das famílias.
As finanças éticas nasceram do desejo de satisfazer os investidores mais difíceis e para conquistar um nicho de mercado emergente? Nasceram da convicção de que criar valor económico e social não são objectivos divergentes? Se calhar não é possível dizê-lo e nunca saberemos o que sentia a primeira pessoa que pensou em razões de ética e de sustentabilidade das finanças, mas isso acaba por não ser muito importante. Em contrapartida, é fundamental pensar nas aplicações concretas de um princípio válido e da possibilidade de governar, inspirados nos princípios de um bem-estar colectivo para o motor central do desenvolvimento, o mercado financeiro.
Embora as finanças éticas já tenham uma longa história, só mais recentemente, se começou a avaliar a sua potencialidade como motor de mudança e transformação dos objectivos de gestão das empresas. Estas começaram a ganhar consciência de que a sua responsabilidade não é somente económica, mas também social e ambiental. E de que devem ter em conta, além dos interesses dos accionistas, também os dos grupos de interesse (stakeholders) que se relacionam directa ou indirectamente com elas.
São cada vez mais, os investidores que reclamam informação não financeira das empresas em que investem e assumem o seu papel de accionistas responsáveis, dialogando com elas e, inclusive, intervindo através do voto em decisões que podem comprometer o futuro da empresa se estas assumem riscos excessivos. As empresas que estão submetidas ao escrutínio dos investidores são, geralmente, grandes empresas cotadas nos mercados financeiros internacionais e em cujo capital participam investidores institucionais (fundos e sociedades de investimento) preocupados com a responsabilidade social das mesmas.
Na sua origem, as finanças éticas eram motivadas por questões de ordem moral, que obrigavam os investidores éticos (grupos religiosos, organizações ambientais ou sociais) a estabelecer filtros na hora de aplicar as suas poupanças. Actualmente, nos mercados financeiros, os grandes investidores vêem no comportamento socialmente responsável da empresa, um valor acrescido que se traduz por benefícios a longo prazo e numa maior capitalização bolsista.
Além do capital financeiro e dos activos tangíveis, as empresas contam com um capital social, humano e intelectual, ao qual se deve dar atenção para obter o retorno máximo dos recursos utilizados numa visão de longo prazo. Cada vez mais, os empregados, os accionistas e os clientes valorizam estes activos intangíveis, que constituem a reputação externa e a cultura interna da empresa.
Uma progressiva consciencialização da responsabilidade ética e social por parte do sector financeiro (instituições bancárias e fundos de investimento) acabará por empurrar a economia no seu conjunto para uma mesma e desejável direcção.
*Inspirado em "Ética y Mercado: Cómo Invertir", C.E.C.U., 2004
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Alexandre Coutinho
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8:50 Sábado, 12 de março de 2011
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Muhammad Yunus numa entrevista ao Expresso, em 2002
Alexandre Coutinho
No passado dia 2 de Março o Banco Central do Bangladesh demitiu Muhammad Yunus do seu lugar de director-geral do Grameen Bank, o banco de microcrédito que fundou há 18 anos, alegando o facto de ele ter ultrapassado o limite de idade da reforma em vigor, que é de 60 anos. A notícia levantou uma onda de protesto, sobretudo no estrangeiro, onde Muhammad Yunus, Prémio Nobel da Paz 2006, e a sua obra são por todos sobejamente conhecidos e reconhecidos.
No seu próprio país, Muhammad Yunus passou a ser visto como inimigo por grande parte da classe política (em particular os dois maiores partidos que se têm sucedido no poder) depois de denunciar publicamente a ganância desta pelo poder do dinheiro e a corrupção generalizada.
Alguns factos permitem enquadrar a escalada da primeira-ministra do Bangladesh, Sheikh Hasina, e do seu Governo contra o fundador do microcrédito, sobretudo, depois de ele ter anunciado a intenção de criar um partido político (ideia a que viria a desistir).
Primeiro, o Governo do Bangladesh veio acusar o Prof. Yunus de fraude fiscal e nomeou uma comissão para investigar "práticas menos legais" do Grameen Bank. Não houve provas destas práticas nem condenações até à data. A actual primeira-ministra chegou a catalogá-lo de "sanguessuga dos pobres" e a sua ministra dos Negócios Estrangeiros de "corrupto".
Em Dezembro último, uma reportagem de um canal de televisão norueguês acusou Yunus de ter "desviado" dinheiro da cooperação norueguesa (Norad) para fins que não o microcrédito, nomeadamente, uma joint-venture com a multinacional Danone, para a produção de produtos lácteos para os pobres. Os equívocos foram então esclarecidos e o governo da Noruega veio desmentir ter havido desvios desta natureza.
Finalmente e para além das razões (ou falta delas) burocráticas, o Banco Central do Bangladesh "despediu", com efeitos imediatos, Muhammad Yunus do seu cargo de director-geral do Banco que fundou em 1983. Curiosamente, o Prof. Yunus já completou 70 anos, mas só agora, o Banco Central do Bangladesh se apercebeu que ele tinha ultrapassado o limite de idade da reforma de 60 anos.
Tornou-se claro que se trata de uma campanha contra o bom nome do Prof. Muhammad Yunus e a instituição que criou em benefício dos mais pobres do seu país e cujo modelo foi replicado em todos os continentes com resultados nunca vistos na luta contra a pobreza e a marginalização económica dos mais frágeis da sociedade. O Grameen Bank (banco da aldeia, em língua bangla) não é um banco comercial típico, já que é propriedade dos seus mais de 8 milhões de clientes pobres.
A situação criada pode ter consequências graves directas (e ainda imprevisíveis) sobre a vida e o futuro de 8.5 milhões de famílias pobres no Bangladesh e, indirectamente, sobre este largo movimento da sociedade civil mundial do microcrédito que Yunus inspirou e no qual se revê como símbolo da coragem, de lucidez, de determinação e carisma.
A notícia da exoneração de Muhammad Yunus correu mundo e depressa originou um amplo movimento de indignação contra o Governo do Bangladesh e de apoio ao Prof. Yunus, por parte de governos, personalidades de todos os quadrantes e latitudes, ONG e demais organizações da sociedade civil, entre as quais, a Associação Nacional de Direito ao Crédito (ANDC) que, na sua génese, se inspirou no trabalho e na personalidade do Prof. Muhammad Yunus, e que com ele "privou" antes e depois da sua constituição.
"A ANDC não pode deixar de manifestar a sua indignação pela forma como o Governo da Senhora Sheikh Hasina está a tratar uma das pessoas mais inventivas na luta contra a pobreza e pela dignificação dos mais fracos, não apenas no seu país mas no mundo inteiro. Convenhamos que há formas menos deselegantes e menos expeditas para tratar um Prémio Nobel da Paz e conhecido "Banqueiro dos Pobres", escreveu Mohamed Lemine Ould Ahmed, presidente da direcção da ANDC.
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Alexandre Coutinho
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11:29 Sábado, 5 de março de 2011
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Os alimentos estão cada vez menos acessíveis aos consumidores. De acordo com dados revelados, esta semana, pela FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação), o índice mensal de preços dos alimentos subiu 2,2% em Fevereiro, face ao mês anterior. É o oitavo mês consecutivo de aumento e o maior, em termos nominais, de toda a série histórica registada por aquela organização, nos últimos 21 anos.
O índice de preços dos cereais - incluindo trigo, arroz e milho - disparou em 3,7% no mês passado, o maior nível desde Julho de 2008; o índice de preços dos lacticínios aumentou 4%, mas situa-se ainda abaixo do 'pico' registado em Novembro de 2007; o índice de preços da carne também subiu 2%; e, apenas, o índice de preços do açúcar desceu ligeiramente, embora esteja 16% acima do valor registado em Fevereiro de 2010.
As previsões da FAO apontam para uma escassez global de cereais, face à procura crescente e ao declínio da produção em 2010. A última estimativa para a produção mundial de cereais aponta para um aumento de oito milhões de toneladas, face aos números de Dezembro, mas ainda abaixo dos volumes de 2009. Em consequência, os preços terão tendência a aumentar, à medida que diminuem as reservas de farinha e cresce a exportação. A FAO recorda que os preços dos principais cereais subiram 70% desde Fevereiro de 2010.
A agravar este cenário, David Hallam, director da divisão de mercado e comércio da FAO, alerta para "a inesperada subida do preço do petróleo, que pode agravar a situação já por si precária dos mercados de alimentos".
Mas, nem todas são más notícias. A FAO espera que as colheitas de Inverno no Hemisfério Norte sejam globalmente favoráveis e antecipa um acréscimo na produção de cereais em cerca de 3% em 2011. A última revisão de produção para 2010, também reflecte maiores volumes na Argentina, China e Etiópia.
No Brasil, as projecções para o mercado de cereais da Bolsa de São Paulo são optimistas. O Governo brasileiro tem promovido leilões semanais de milho e os stocks deste grão já contribuem para fazer baixar os preços. O preço do feijão, responsável pela subida no sector registada em 2010, está em queda; e o mercado arroz está equilibrado, prevendo-se um superavit de dois milhões de toneladas na sua produção. No entanto, os preços não deverão descer para o consumidor e o Governo deverá fixar um valor mínimo, como forma de não prejudicar os produtores.
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Alexandre Coutinho
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0:08 Segunda feira, 28 de fevereiro de 2011
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O comércio justo é um movimento social, criado com o objectivo de transformar os actuais modelos de relações económicas, propondo circuitos alternativos de comercialização de bens e serviços. Existe na Europa, há mais de 30 anos, mas a expansão das redes de lojas tem sido lenta.
E, no entanto, o comércio justo é um modelo de desenvolvimento baseado na economia solidária, que valoriza as pessoas, o trabalho colectivo, a equidade e a cooperação, face à competição e à concentração de riqueza nas empresas transnacionais; defende a transformação dos produtos localmente, valorizando o papel dos produtores locais, que não são vistos como meros fornecedores de matérias-primas; e a soberania alimentar, no Sul e no Norte, que consiste no direito dos povos decidirem de que forma e que alimentos querem produzir.
O comércio justo favorece os mercados internos e locais, através do fortalecimento dos circuitos curtos, sem intermediários; uma relação directa e transparente entre quem produz e quem consome; os processos tradicionais; e a agricultura biológica. Por outro lado, procura trabalhar com produtores que funcionam de forma colectiva, comprometidos com a realidade social, política e ambiental do seu território, como a Via Campesina - um movimento internacional que integra experiências organizativas dos trabalhadores rurais.
Por outro lado, o movimento do comércio justo não deve apenas ser compreendido em estritos termos Norte-Sul, mas sim numa perspectiva global de mudança na produção, transformação, distribuição, comércio e consumo. O conceito passa por modificar as relações comerciais injustas, que têm por base a política das instituições financeiras internacionais de impor a abertura dos mercados do Sul aos produtos e práticas agrícolas, nomeadamente, o cultivo de transgénicos. Neste sentido, é importante apoiar as organizações de agricultores na defesa dos seus cultivos e formas tradicionais de produção.
O comércio internacional deve ser entendido como um complemento do comércio local e não como um motor de desenvolvimento, centrado na exportação. Procura-se, assim, diminuir a dependência dos produtores do Sul do mercado internacional. O objectivo é, pelo menos, duplo: por um lado, criar actores críticos em toda a cadeia económica e, por outro, desenvolver práticas alternativas que se articulem em redes locais e globais.
O CIDAC (Centro de Informação e Documentação Amílcar Cabral) deverá abrir, em breve, uma nova loja de comércio justo em Lisboa, iniciando uma nova fase neste percurso, agora também como actor comercial. O empenho desta organização não-governamental para o desenvolvimento na divulgação do comércio justo data de 1999, quando começaram a surgir as primeiras lojas de comércio justo em Portugal. O CIDAC empenhou-se activamente na criação da Coordenação Portuguesa do Comércio Justo e, em conjunto com a Associação Cores do Globo, organizou as Primeiras Jornadas do Comércio Justo, em 2001. Em 2008, o CIDAC aderiu à rede Espaço por um Comércio Justo (ECJ), que conta com dezenas de organizações em França, Itália, Espanha e Portugal (as lojas Ecos do Sul, na Damaia e Mó de Vida, no Pragal e o próprio CIDAC).
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Alexandre Coutinho
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8:37 Sábado, 19 de fevereiro de 2011
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O Slow Food tem um novo projecto ambicioso: criar mil hortas em comunidades africanas do Terra Madre, escolas, aldeias e periferias das cidades. O desafio foi lançado em Outubro passado, por ocasião do Terra Madre, o encontro mundial das comunidades do alimento. As primeiras hortas serão organizadas nos países onde há uma presença sólida do Terra Madre (Quénia, Uganda, Costa do Marfim, Mali, Marrocos, Etiópia, Senegal e Tanzânia) e depois, pouco a pouco, nos restantes países.
A ideia das "Mil Hortas em África" não é nova, nasce a partir de inúmeras experiências (agrícolas e didácticas) que o Slow Food já realizou. As hortas serão cultivadas segundo técnicas de cultivo sustentáveis (compostagem, produtos naturais para o combate de infestantes e insectos, gestão racional da água), com variedades locais e segundo princípios de associação entre árvores frutíferas, verduras e plantas medicinais, sendo sempre privilegiadas as variedades locais. O projecto visa promover também a troca de sementes entre as comunidades, para preservar a biodiversidade e melhorar a autonomia dos agricultores.
O projecto "Mil Hortas em África" garante a formação a agricultores e jovens, favorece o conhecimento de produtos locais e da biodiversidade, o respeito pelo meio ambiente, o uso sustentável do solo e da água, transfere os saberes dos idosos às novas gerações e fortalece o espírito de colaboração. Fazer uma horta significa também garantir às comunidades locais a disponibilidade diária de alimentos saudáveis e frescos, melhorando a qualidade de vida e economizando.
"Mil Hortas em Africa" será um dos temas principais do Terra Madre Day, no dia 10 de Dezembro, quando a rede global do Slow Food celebrar o 'alimento local', com centenas de eventos no mundo todo. Para apoiar um projecto, durante cada evento será possível organizar colectas de fundos, ou criar irmandades com uma ou mais hortas africanas.
Adoptar uma horta significa cobrir custos de equipamento, formação, material didáctico e assistência técnica. Também permite contribuir para que jovens africanos possam estudar na Universidade de Ciências Gastronómicas e pagar uma parte das despesas de viagem de alguns delegados africanos no próximo encontro do Terra Madre.
As hortas do Terra Madre em África serão administradas pelas comunidades, mas também haverá a participação de estudantes que se formaram pela Universidade de Ciências Gastronómicas. Graças às bolsas de estudos oferecidas pelo Slow Food, diversos jovens africanos conseguirão estudar em Itália, na Universidade de Ciências Gastronómicas e, depois de formados, voltarão para os seus países de origem para ajudar as comunidades locais a fortalecer a própria economia, preservando sua identidade cultural.
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Alexandre Coutinho
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23:24 Domingo, 30 de janeiro de 2011
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As comunidades do movimento Slow Food estão a contribuir para regularizar a distribuição de alimentos na Austrália, devastada pelas cheias de Janeiro. Em Brisbane, uma cidade em que vários bairros ficaram alagados, os mercados dos agricultores continuaram abertos, registando a presença de um número surpreendente de vendedores, apesar das limitações: pequenas produções para consumo imediato, dados os problemas de armazenamento e conservação. "Os vendedores do mercado têm clientes regulares e leais que os identificam como amigos e são capazes de fazer mais uns quilómetros para apoiar os agricultores", sublinhou Alison Peake, líder e organizadora do mercado de produtores do Slow Food em Melbourne.
Uma das áreas mais afectadas foi o vale de Lockyer, a Oeste de Brisbane - conhecido no estado de Queensland como a "saladeira". Após semanas de chuvas inusuais, as cheias foram fatais para muitos agricultores. De acordo com Julie Shelton, coordenadora da comunidade de produtores do Mary Valley, alguns produtores de abacates estão a ver as árvores a morrer e preferem abandonar o cultivo a reiniciar os pomares. A Nordeste de Brisbane, anda é difícil avaliar os estragos. Para não falar nas tragédias pessoais dos que perderam familiares na catástrofe. A maioria dos residentes está ainda sem telefone ou ligação por Internet e os deslizamentos de terras destruíram muitas estradas. Em todo o estado de Queensland, os prejuízos com a perda de colheitas estão estimados em 3000 milhões de dólares.
As cheias que devastaram os estados de Queensland e Victoria, no Leste da Austrália, deixaram milhares de pessoas desalojadas, mas também destruíram ou danificaram as colheitas em duas das regiões mais férteis do país, desorganizando o sistema de distribuição de alimentos e levantando sérias dúvidas quanto à validade de um sistema centralizado de alimentação. Em muitas áreas isoladas pela água, as prateleiras dos supermercados esvaziaram-se rapidamente. Nos dias a seguir às cheias, os supermercados deixaram de ter produtos frescos, mesmo existindo produtores locais não afectados. "Isto demonstra que não devemos regressar ao status quo anterior às cheias. Precisamos de construir redes de alimentos locais", afirma Julie Shelton.
Robert Pekin, da Food Connect, um programa comunitário de distribuição de produtos frescos, directamente do produtor ao consumidor, na área de Brisbane, também salienta os benefícios de um sistema de alimentação local e a capacidade de resiliência alicerçada nas relações de proximidade e na flexibilidade. Na prática, a Food Connect foi capaz de continuar a distribuir alguns alimentos frescos em áreas onde os grandes distribuidores não chegaram. "Este foi o grande teste. A experiência demonstrou as vantagens de um sistema baseado no conhecimento local. As perdas dos nossos agricultores foram muito pequenas. Não aumentámos os preços e continuámos a pagar-lhes muito mais - 59% do preço de venda ao público, comparando com os 15 a 20% normalmente praticados pelas grandes superfícies", acrescenta Robert Pekin.
O Governo australiano procura incentivar os retalhistas e distribuidores a apoiar os agricultores locais, através do estabelecimento de contratos de longo prazo e aquisição de produtos locais, mesmo que a qualidade possa ter sido afectada pelas cheias. Duas das maiores cadeias australianas, a Coles e a Woolworths, estão actualmente a comercializar produções de colheitas danificadas, mas também ponderam o momento em que vão optar pelas importações como forma de manter os preços baixos. A quantidade de importações de alimentos baratos tem estado a aumentar rapidamente e os responsáveis do movimento Slow Food temem que as cheias sirvam de pretexto para transferir mais compras para os mercados internacionais.
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Alexandre Coutinho
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11:05 Domingo, 23 de janeiro de 2011
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Olav Kjorven, assistente do secretário-geral das Nações Unidas e director do PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) propõe um novo conjunto de oito metas a implementar após o prazo para o cumprimento dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM), que termina já em 2015.
O especialista norueguês aponta o desequilíbrio entre os desafios enfrentados por ricos e pobres para que cada uma das metas seja atingida, como o maior problema do compromisso actual, que, segundo ele, foca principalmente os chamados países em desenvolvimento, dando a impressão de que as nações mais industrializadas pouco ou nada teriam a melhorar. Kjorven argumenta ainda que, enquanto o mundo desenvolvido apresenta bom desempenho nos indicadores relacionados à pobreza, contribuindo para que outros países alcancem este status, tem um desempenho fraco em sustentabilidade.
O director do PNUD está preocupado com a taxa mundial de consumo de recursos minerais, peixes e água e com as alterações climáticas, pois "o nível actual de emissões de carbono representa uma ameaça à estabilidade global e à redução da miséria. O nosso consumo é insustentável e, cada vez mais, vai contribuir para tensões, conflitos e injustiças. Os países que estão empenhados no sétimo ODM (garantir a sustentabilidade ambiental) são os que causam o menor dano, enquanto os mais ricos, que consumem muito mais por pessoa, têm escapado às metas", afirma.
Embora seja possível identificar grandes progressos na redução da pobreza, estes são, muitas vezes, obtidos à custa do aumento da desigualdade social, argumenta Olav Kjorven. Isso porque, segundo o director do PNUD, é mais fácil colocar os "menos carentes" acima da linha da pobreza do que alcançar os mais necessitados. "Não há incentivos para reduzir a desigualdade, embora quase todos a reconheçam como um factor fundamental por detrás da pobreza e dos conflitos", diz.
As oito metas propostas por Olav Kjorven ainda estão em fase de elaboração e estão voltadas para as próximas duas décadas - até 2030 -, de modo a garantir condições habitáveis à crescente população mundial. A primeira delas seria o corte de emissões de gases com efeito estufa em 50%. Já a segunda inclui uma série de medidas para aumentar a produtividade e a resistência dos ecossistemas críticos: expandir as áreas protegidas em terra e no mar em, respectivamente, 17% e 10%, e aumentar em 20% as áreas agrícolas cultivadas de acordo com critérios de sustentabilidade.
O terceiro ODM seria reduzir o consumo de proteína animal per capita em 20%, pois a substituição da carne por verduras, grãos e frutas diminuiria a pressão sobre os sistemas de criação de animais. O quarto compromisso diz respeito ao combate à pesca desenfreada, garantindo a capacidade de renovação dos ecossistemas marinhos. Implementar políticas para impulsionar a produção industrial, reduzindo os desperdícios e minimizando a libertação de produtos tóxicos nos solos, nas águas e para o ar consiste no quinto objectivo.
Por sua vez, o sexto ODM passaria pela alteração da carga fiscal para reduzir a geração de resíduos e impedir o esgotamento do capital natural. Já o sétimo compromisso pugna pelo fortalecimento das regras de transparência e das medidas anti-corrupção, além do controle da especulação financeira. Finalmente, a oitava das novas metas seria garantir o cumprimento total dos oito ODM actuais e fortalecer a luta global contra a pobreza.
Recorde-se que, em Setembro do ano 2000, os chefes de Estado e de Governo de 189 países, incluindo Portugal, reuniram-se nas Nações Unidas, onde assinaram a Declaração do Milénio, comprometendo-se a lutar contra a pobreza e a fome, a desigualdade de género, a degradação ambiental e o vírus do VIH/SIDA. Assumiram ainda o compromisso de melhorar o acesso à educação, aos cuidados de saúde básicos e à água potável. Para avaliar o cumprimento daquele compromisso, estabeleceram oito Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, a alcançar até 2015. Mas, desde então, a maioria dos países desenvolvidos (nomeadamente, Portugal), têm faltado aos compromissos assumidos em termos de ajuda aos países mais desfavorecidos, bem como no acesso dos seus produtos aos nossos mercados.
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Alexandre Coutinho
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10:24 Segunda feira, 17 de janeiro de 2011
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O preço dos alimentos básicos está novamente numa espiral ascendente. Se a tendência se mantiver, é provável que o planeta tenha de enfrentar uma crise alimentar e de mal nutrição idêntica à de 2008, alerta o Banco Mundial, nas suas previsões semestrais. Para a FAO, a chave para uma segurança alimentar a longo prazo reside no reforço do investimento na agricultura.
Em 2011, a economia mundial vai crescer a um ritmo mais lento. O PIB global não deverá ir além dos 3,3% (contra 3,9%, em 2010), embora os países em desenvolvimento continuem a crescer mais do que os países ricos (6%, em média). Apesar desta disparidade, os preços dos alimentos subiram muito nos países mais pobres, em alguns casos na ordem dos dois dígitos. A situação é particularmente preocupante nos países do Golfo pérsico, altamente dependentes de importações. No Médio Oriente e no Norte de África, estima-se que 37 milhões de pessoas (cerca de 10% da população destas regiões) sofram de fome e mal nutrição.
O rápido crescimento da fome e da mal nutrição ocorridos desde a crise alimentar de 2008, revelam que o actual sistema global de distribuição de alimentos é inadequado e requer mudanças estruturais urgentes, defende Jacques Diouf, director-geral da FAO, o organismo das Nações Unidas para a alimentação e agricultura. "O preço dos alimentos e a crise económica tiveram um impacto severo em milhões de pessoas em todo o Mundo. Nos últimos meses, o preço da maioria das commodities agrícolas disparou", acrescenta. De acordo com último relatório da FAO, o índice de preços médio alcançou os 205 pontos, em Novembro de 2010, apenas sete pontos abaixo do 'pico' atingido em Junho de 2008. Açúcar e óleo foram os preços que mais subiram.
Os preços internacionais da farinha subiram 12%, nas primeiras semanas de Dezembro, face a idêntico período de Novembro e os mercados estão agora preocupados com as inundações na Austrália, que vão reduzir drasticamente as colheitas. O preço do milho subiu 50% desde Julho, tendo permanecido estável em Novembro e nos primeiros dias de Dezembro, enquanto o preço do arroz, que se manteve estável até Outubro, voltou a subir em Novembro e Dezembro, face às previsões revistas em baixa das produções na Tailândia e no Vietname (dois dos principais países exportadores).
Globalmente, a produção de cereais em 2010 poderá ter ficado 1,4% abaixo da registada no ano anterior, apesar da pressão do aumento da procura, que excede a produção mundial. Em consequência, os stocks diminuíram em 2% e os preços aumentaram.
Para o director-geral da FAO, o investimento na agricultura é a resposta mais adequada, a médio e a longo prazo. Os países deficitários em alimentos deveriam receber apoio técnico e financeiro para incrementar a produtividade dos seus sectores agrícolas tornando-os mais resilientes face às crises. Isto também significa um maior investimento em programas de protecção social e de segurança alimentar, a par de informações actualizadas sobre os mercados. Os pequenos produtores deveriam ter facilidades de acesso aos meios de produção e às tecnologias necessárias, tais como sementes de alta qualidade, fertilizantes e alfaias agrícolas.
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Alexandre Coutinho
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11:14 Domingo, 9 de janeiro de 2011
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Depois do Fim da História, de Francis Fukuyama e do Choque de Civilizações, de Samuel Huntington, Dominique Moïsi, reconhecido especialista em geopolítica e fundador do IFRI (Institut Français des Relations Internationales), prefere falar de um choque de emoções, identificadas como a esperança, a humilhação e o medo. O autor explica porquê logo no primeiro capítulo do seu livro La Géopolitique de l'émotion. "Escolhi, neste livro, de me concentrar sobre três emoções primárias: a esperança, a humilhação e o medo. Porquê estas três? E não a ira, o desespero, a inveja, o ressentimento, a raiva, o amor, a honra, o desejo de solidariedade, e que mais? Uma razão guiou a minha escolha: estão as três intimamente ligadas à noção de confiança".
"A esperança é a expressão própria da confiança; funda-se na convicção que hoje é melhor do que ontem e que amanhã será melhor do que hoje. A humilhação é a confiança traída dos que perderam a esperança no futuro; se perdeu a esperança, é por culpa dos outros, dos que o maltrataram pelo passado. Quando o contraste entre as frustrações do presente e um passado glorioso e idealizado se torna muito forte, a humilhação prevalece. Quanto ao medo, é a ausência de confiança; viver sob a acção do medo, é não somente preocupar-se com o presente, mas esperar um futuro ainda com maiores perigos", explica.
Moïsi associa cada uma destas emoções a um conjunto geopolítico e traça no actual cenário da globalização um mapa de emoções. A esperança é para os países da Ásia, em especial a China e a Índia; a humilhação caracteriza o mundo árabe e muçulmano; e o medo invade a Europa e os Estados Unidos. Mas deixa de fora outras zonas do Mundo, como a Rússia, a África sub-sahariana e a América Latina. Naturalmente, o livro não foi bem recebido nalguns círculos académicos, porque se posiciona directamente contras os métodos analíticos quantificáveis que predominam no âmbito das relações internacionais. Os que trabalham com dados concretos para fazer as suas prospectivas consideram que analisar a importância das emoções equivale a fazer uma espécie de ensaio literário baseado em apreciações subjectivas.
Pelo contrário, o autor está consciente de que os comportamentos humanos não podem ser reduzidos a esquemas racionais. Os comportamentos emotivos podem pesar mais na altura em que se actua, muito mais inclusivamente que as ideologias, as quais tiveram um papel de relevo no período da guerra fria. Hoje, tudo se concentra na busca da identidade, pelo que os nacionalismos de carácter étnico se multiplicam à escala universal. Estamos perante o "despertar global" a que se referia o politólogo e assessor de Obama, Zbigniew Brzezinski, e que o mesmo tanto pode ser encontrado em potências emergentes, como em movimentos secessionistas.
O medo pode ser um acicate para activar o instinto de sobrevivência, igualmente na política internacional. Um exemplo bem conhecido é que o receio de uma nova guerra serviu de trampolim para iniciar o processo de integração europeia, há seis décadas. O resultado foi que a Europa se converteu na região mais pacífica e próspera do planeta. Mas também não é menos verdade, tal como foi referido pelo desaparecido historiador e político polaco Bronislaw Geremek, que a Europa se veio a transformar num espaço económico, sem coração nem dimensão espiritual. Além disso, desde há algum tempo que tem vindo a questionar a sua própria identidade.
Apesar de tudo, Dominique Moïsi inclina mais a balança para os Estados Unidos, em contaste com uma Europa apertada pelo medo. Os norte-americanos irão superar os problemas devido ao seu próprio dinamismo, pois, ao fim e ao cabo, são um país de imigrantes, enquanto a Europa continua a agarrar-se ao seu estatuto de fortaleza. O autor não deixa de o sublinhar, embora seja bastante provável a existência de um vínculo entre a ascensão das emoções e o crescente reinado absoluto da opinião pública à escala global, muito relacionada com o poder dos meios de comunicação social.
Recensão adaptada de o Correio da AESE e do livro La Géopolitique de l'émotion (Flammarion, Paris, 2008)
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