Armando Vara foi ouvido no Juízo de Instrução Criminal de Aveiro
M. Factos
O ex-ministro socialista Armando Vara, arguido
no caso Face Oculta, foi ouvido ontem no Juízo de Instrução Criminal
de Aveiro, onde chegou às 14h52 e saiu às 23h58, mas continuará a ser inquirido a 27 de Novembro, apesar de negar
todas as acusações que lhe são feitas no processo.
"Estou tranquilo, porque não fiz nada do que me acusam. Nunca pedi dinheiro
a ninguém e nunca recebi dinheiro de ninguém. Isso é completamente falso",
disse Armando Vara aos jornalistas, à saída, acrescentando: "As acusações
que são feitas no processo nunca aconteceram e estou certo que o julgamento
provará o que acabo de dizer".
Fugas ao segredo de justiça
O arguido não quis responder a questões relacionadas com o processo,
por não querer contribuir para aquilo que chamou de "fugas selectivas" ao
segredo de Justiça.
"As fugas ao segredo de Justiça são sempre no mesmo sentido, têm sempre
o mesmo objectivo, são cirúrgicas e são preparadas e eu não quero entrar
nisso", justificou.
O vice-presidente do Millenium/BCP, que suspendeu as suas funções na
sequência deste caso, entrou ao início da tarde no Juízo de Instrução Criminal
de Aveiro acompanhado pelos seus advogados Tiago Rodrigues Bastos e Godinho
de Matos e, tal como o próprio afirmou, esteve a consultar uma "vastíssima
documentação" que foi coloens patrimoniais
e/ou não patrimoniais, favoreciam ou exerciam a sua influência junto de
titulares de cargos governativos e/ou políticos, titulares de cargos de
direcção ou de pessoas com capacidade de decidir ou com acesso a informação
privilegiada, no sentido de beneficiar as empresas do empresário de Ovar.
Segundo a mesma fonte judicial, os investigadores alegam que na manhã
de 25 de Maio de 2009 Manuel Godinho encontrou-se com Armando Vara no seu
gabinete no edifício do Millenium/BCP, na Avenida José Malhoa, Lisboa, onde
lhe entregou os 10 mil euros que Vara alegadamente havia solicitado para
interceder a favor do empresário de Ovar.
Escutas polémicas
Durante a investigação do processo Face Oculta, Armando Vara foi um dos arguidos alvo de escutas telefónicas, tendo as suas conversas com o primeiro-ministro, José Sócrates, suscitado acesa polémica judicial sobre a validade das mesmas, tendo as primeiras seis escutas de conversas entre ambos sido declaradas nulas pelo presidente do Supremo Tribunal de Justiça, Noronha do Nascimento.
No decurso da operação Face Oculta, 15 pessoas foram constituídas arguidas, incluindo Armando Vara, vice-presidente do BCP, que suspendeu funções, José Penedos, presidente da REN, e o seu filho Paulo Penedos, advogado da empresa SCI, de Manuel Godinho.
O processo Face Oculta investiga alegados casos de corrupção e outros crimes económicos relacionados com empresas do sector empresarial do Estado e empresas privadas.