À entrada do Juízo de Instrução Criminal de Aveiro, Armando Vara disse esperar sair "só com o Termo de Identidade e Residência", reiterando a inocência no âmbito do processo Face Oculta.
O auto-suspenso vice-presidente do Millennium/BCP e arguido no processo Face Oculta Armando Vara chegou hoje às 15:20 ao Juízo de Instrução Criminal de Aveiro, onde irá conhecer as eventuais medidas de coacção.
À entrada do tribunal, Armando Vara, que chegou acompanhado pelo seu advogado Tiago Rodrigues Bastos, disse esperar sair "só com o Termo de Identidade e Residência" (TIR) e reiterou estar inocente dos crimes que lhe são imputados.
O ex-ministro socialista, a quem o Ministério Público imputa dois crimes de tráfico de influência, tem manifestado o desejo de que o "pesadelo" termine rapidamente.
Armando Vara começou a ser interrogado em Aveiro no dia 18 de Novembro, numa diligência que prosseguiu na última sexta-feira.
A investigação do processo sustenta que Armando Vara terá intercedido, a troco de vantagens patrimoniais, junto de terceiros para que Manuel Godinho, principal arguido no processo, conseguisse novos negócios.
"Relação profissional com Manuel Godinho"
Vara contrapôs, em declarações aos jornalistas, que não pediu nem recebeu dinheiro para os alegados favores e garantiu que tudo o que está na acusação "é inventado".
"Nunca tive nenhum tipo de atitude que favorecesse as empresas do senhor Manuel Godinho. Ele era cliente dos bancos onde eu trabalhava. Tinha com ele uma relação profissional a esse nível e mais nada", adiantou.
Vara negou ainda ter recebido presentes do empresário das sucatas, com excepção de "uma caixa de robalos, quando ele se deslocou a Vinhais".
18 arguidos no processo
O processo Face Oculta investiga alegados casos de corrupção e outros crimes económicos relacionados com empresas do sector empresarial do Estado e empresas privadas.
São conhecidos 18 arguidos, acusados de mais de 60 crimes, como corrupção, tráfico de influências, associação criminosa, furto, burla e receptação.