Armando Vara, arguido no processo Face Oculta, deslocou-se hoje ao Banco de Portugal, no mesmo dia que a imprensa dava como certa uma audição do vice-presidente do Millennium BCP pelo banco central.
Armando Vara deixou o banco central pelas 15h30, pela garagem nas traseiras do edifício do Banco de Portugal na Avenida Almirante Reis, em Lisboa.
Vara sentava-se no lugar da frente de um automóvel azul, conduzido por um motorista, não tendo parado para prestar declarações aos jornalistas.
O jornal "Público" dava como certo que Armando Vara seria hoje ouvido pelo Banco de Portugal, no âmbito de um inquérito que poderá levar ao eventual cancelamento do seu registo como vice-presidente do Millennium BCP.
Vara, segundo o jornal, vai prestar declarações como parte interessada no processo de verificação de idoneidade para exercer o cargo de administrador de uma instituição financeira. No seguimento do que disser ao supervisor, o banco central poderá cancelar o registo de Armando Vara como gestor no sector financeiro.
Supervisor quer esclarecimentos sobre processo
O Banco de Portugal deverá também pedir a Armando Vara explicações quanto ao facto de o seu nome surgir no âmbito da investigação relativa à operação "Face Oculta".
Na sequência de ter sido constituído arguido, Armando Vara pediu a suspensão do seu mandato de vice-presidente do BCP, como anunciou terça-feira a instituição.
Em comunicado enviado à Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), o presidente do Conselho Geral e de Supervisão do Millennium BCP referiu que recebeu terça-feira, "com efeitos imediatos, um pedido de suspensão do mandato como vice-presidente e membro do conselho de administração executivo que lhe foi apresentado" por Armando Vara.
Este pedido "será submetido à reunião do Conselho Geral de Supervisão do próximo dia 11 de Novembro", conclui Luís de Melo Champalimaud, no comunicado.
A Polícia Judiciária (PJ) desencadeou no dia 28 de Outubro a operação "Face Oculta" em vários pontos do país, no âmbito de uma investigação relacionada com alegados crimes económicos de um grupo empresarial de Ovar que integra a O2-Tratamento e Limpezas Ambientais, a que está ligado o empresário Manuel José Godinho, que está em prisão preventiva, no quadro deste processo.
No decurso da operação foram efectuadas cerca de 30 buscas, domiciliárias e a postos de trabalho, e 15 pessoas foram constituídas arguidas, incluindo Armando Vara, José Penedos, presidente da Rede Eléctrica Nacional (REN), e o seu filho Paulo Penedos, advogado da empresa SCI-Sociedade Comercial e Industrial de Metalomecânica SA, de Manuel José Godinho.
Um administrador da Indústria de Desmilitarização da Defesa (IDD) também foi constituído arguido no processo "Face Oculta", segundo o presidente da EMPORDEF, a holding das indústrias de defesa portuguesas.