Os responsáveis da Global Notícias - grupo de Joaquim Oliveira, que detém o "Diário de Notícias", "JN" e "24 Horas" - negam ter beneficiado de qualquer "favorecimento ou algo ilícito" por parte de Armando Vara, ex-administrador do BCP com o pelouro dos negócios de empresas e, por isso, "dono da conta" do grupo.
Rolando Oliveira, administrador da Global Notícias e filho do proprietário, Joaquim Oliveira, garante: "Nunca negociámos com Armando Vara qualquer financiamento adicional dos nossos compromissos bancários".
Nem mesmo o acordo bancário original que, em 2005, permitiu a Oliveira a compra da participação da Lusomundo nos media e que ascendeu a 300 milhões de euros teve, segundo o gestor, qualquer renegociação. "Nem de prazos nem de datas, juros ou government", acrescenta Rolando. "Tudo o que fizemos" - nomeadamente a junção de empréstimos, num "acordo de umbrella" - "foi feito com a anterior administração do BCP", diz.
Quanto às relações entre o ex-administrador do BCP e Joaquim Oliveira, Rolando admite que "existiram, existem e existirão relações pessoais entre os dois", mas classifica de "mentira" a existência de qualquer ilicitude.
A necessidade de aliviar a pressão financeira do grupo motivada pelos encargos bancários crescentes teria sido um dos pontos abordados nas escutas feitas a Armando Vara. Notícias divulgadas esta semana admitem mesmo que esta 'ajuda' a Joaquim Oliveira teria sido combinada com José Sócrates. O certo é que o período em que decorrem as escutas entre o ex-administrador do BCP e o primeiro-ministro - entre Março e Outubro - coincidem com grandes mudanças na comunicação social. A primeira certidão enviada para a PGR, aliás, data do preciso dia em Sócrates anunciou o fim do negócio da compra de 30% da TVI pela PT.
Em nome da "transparência" e em resposta aos pedidos de explicações públicas feitos por Cavaco Silva, o primeiro-ministro deixava cair um negócio que estava montado e prestes a assinar. Meses antes, Sócrates tinha apontado o noticiário daquela estação televisiva como co-autor da "campanha negra" que contra ele existiria e processado o director-geral da TVI por difamação, por não fazer jornalismo, mas "uma caça ao homem".
Texto publicado na edição do Expresso de 14 de Novembro de 2009