Lisboa, 06 Ago (Lusa) - O advogado António Pragal Colaço lança hoje o livro "A Vida de Vale e Azevedo", com revelações pormenorizadas de "golpes" do antigo presidente do Benfica, para se apropriar indevidamente de verbas, entre as quais a transferência do futebolista Poborsky.
No livro, à venda juntamente com a edição de hoje do Correio da Manhã, Pragal Colaço recorda que, em 1997, Karel Poborsky transferiu-se do Manchester United a custo zero e que o então presidente do Benfica "lançou a ideia" de a contratação tinha custado um milhão de contos "porque planeava guardar 400 mil".
Recorda o autor na obra de 15 capítulos que, na apresentação do jogador, Vale e Azevedo comunicou "com ar sério" ter avalizado pessoalmente a contratação através de um empréstimo bancário, mas que "na sua cabeça ainda não estava totalmente claro qual seria a melhor forma de ganhar 'algum' com esta operação".
Pragal Colaço, advogado de Dantas da Cunha no processo em que Vale e Azevedo foi condenado em 2006 a sete anos e meio de prisão, refere que este estava "indeciso entre duas hipóteses".
"Uma consistia em lançar um empréstimo através de uma das suas empresas off-shore, simulando que tinha pago um determinado valor pela aquisição do jogador [...] e, posteriormente, debitar esse valor ao Benfica. Era uma operação demasiado arriscada, pelo facto de dar muito nas vistas", conta.
A outra hipótese "era mais fácil, mas não tão rentável": facturava "comissões em nome de empresas off-shore, ou mesmo empresas com sede em países da União Europeia".
No entanto, "o mais difícil era arranjar contas seguras", além de que esta última opção impossibilitava "arrecadar dinheiro rapidamente". Assim, "com data de 27 de Fevereiro de 1998, mas feito muito mais tarde, Vale e Azevedo fabrica um documento para justificar o pagamento de uma verba, que apelidou de direitos de imagem sobre o jogador Karel Poborsky".
"Para isso, magicou um contrato escrito, em inglês. Colocou como representante a sociedade Dorset Fund Trident Corporate Services, com sede em Zurique, Suíça, e da outra parte o Benfica. O conteúdo do contrato respeitava ao pagamento da exploração dos direitos de imagem, devendo o Benfica pagar 1.950.000 dólares", lê-se.
Conclui Pragal Colaço que a falsificação do documento permitiu ao presidente do Benfica de 1997 a 2000 justificar "um milhão de contos de aquisição do jogador e ganhar 400 mil contos com a transferência".
No mesmo capítulo relata-se o episódio da notícia da TVI de emissão de um mandado de captura do então presidente do Benfica, que "era falsa pela simples razão de que foi posta a circular pelo próprio Vale e Azevedo", que, nota Pragal Colaço, "pretendeu colocar-se no papel de vítima para mostrar ao país e à nação benfiquista que era alvo de vis perseguições por parte de tenebrosas e obscuras forças que só lhe queriam mal".
O livro "A vida de Vale e Azevedo" alude também ao negócio de Ribafria, ao caso Olivedesportos, à transacção do futebolista ucraniano Kandaurov, à derrota nas eleições do Benfica em 2000, à prisão e à fuga para Londres, onde permanece.
Vale e Azevedo, condenado a prisão nos casos Ovchinnikov e Euroárea, continua sob termo de identidade e residência, com o passaporte retido e impedido de sair do Reino Unido, sendo alvo de um pedido de extradição emitido pelas autoridades portuguesas para cumprir sentença de sete anos e meio no "caso Dantas das Cunha".
A apreciação do recurso do Supremo Tribunal de Justiça britânico à extradição de Vale e Azevedo está agendada para 19 de Outubro.
JOP.
Lusa/Fim