Sinalização insuficiente ou inexistente, barras de protecção tombadas, bermas entupidas de lixo e buracos. Muitos buracos. Este é o panorama da estrada nacional 233 entre Escalos de Cima e Castelo Branco, que está a indignar um grupo de utentes daquela via, que é uma das mais movimentadas da região.
A internet tem sido um dos meios para passar a mensagem, que chegou ao Reconquista no último dia do ano.
Desde então têm sido vários os utentes da estrada que utilizam o mesmo meio para fazer chegar a sua indignação.
Na origem desta bola de neve está José Carlos Esteves, da freguesia albicastrense de Escalos de Cima.
O utilizador da estrada 233 diz que esta "tem sido palco de vários acidentes rodoviários graves", enumerando alguns dos problemas já referidos.
José Carlos Esteves lembra ainda que é frequente a ocorrência de nevoeiro o que complica ainda mais a vida aos automobilistas, já que o piso se encontra não só em mau estado como mal sinalizado.
O exemplo surge logo à saída de Castelo Branco, na descida para a Feiteira.
O asfalto não tem linhas delimitadoras da via nem marcação que indique a separação da faixa de rodagem.
Resta aos automobilistas que circulam de noite a utilização dos máximos ou dos faróis de nevoeiro, o que nem sempre é possível ou legal.
Mais à frente, na recta do Lanço Grande, há uma faixa de buracos e novamente falta de sinalização que indique o limite da via.
Mas o mau estado do piso é sentido sobretudo a partir do cruzamento para Escalos de Baixo e em especial nas imediações do estaleiro da Construtora do Lena.
Na última curva antes da recta para Escalos de Cima o problema está no piso irregular e nas barras de protecção - os chamados rails - que se encontram fora dos apoios e por isso tombados.
Os despojos de partes de viaturas no local deixam a dúvida se a situação é causa ou consequência dos acidentes.
O problema do troço na estrada 233 entre Castelo Branco e Escalos de Cima não está apenas no piso e na sinalização.
Sílvio Baptista, outro dos utentes, aponta como factor de insegurança a existência de árvores junto aos acessos das propriedades, o que dificulta a visibilidade de quem circula na estrada mas também de quem sai dos caminhos.
"Qualquer saída de estrada facilmente encontra um árvore. Foi o que aconteceu neste último acidente e também devido a esta situação já morreram muitas pessoas nesta estrada", diz o utente.
Embora seja ainda conhecida como estrada nacional, a 233 deixou de ser uma responsabilidade da Estradas de Portugal - a antiga Junta Autónoma de Estradas - no dia 25 de Outubro de 1995, passando para a alçada da Câmara Municipal de Castelo Branco.
Para Vítor Sequeira, o director da delegação de Castelo Branco da Estradas de Portugal, "teoricamente ela devia passar a EM (estrada municipal) e não nacional".
As queixas sobre o mau estado da estrada 233 não são novas.
Em Abril de 2008 o Reconquista dava conta do projecto "Vamos acabar com os pontos negros nas estradas", promovido pela associação de defesa do consumidor Deco, em que o mau estado da estrada 233 era um dos casos alvo de queixa por parte dos utentes.
As queixas continuam, embora tenha havido uma melhoria substancial desde então, com a reparação por parte da Câmara Municipal de Castelo Branco do troço entre a ponte de S. Gens e Escalos de Cima.
A estrada 233 é utilizada diariamente por milhares de pessoas, sendo um acesso essencial a freguesias do concelho de Castelo Branco como Escalos de Baixo, Escalos de Cima ou Lousa.
É ainda muito utilizada na ligação entre Castelo Branco e os concelhos de Idanha-a-Nova e Penamacor.
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