Dublin surpreendeu quarta-feira os mercados com o anúncio de uma oferta de troca de títulos soberanos a 2 anos no âmbito de uma dívida de €11,8 mil milhões que vence em janeiro de 2014. Os novos títulos têm a maturidade alargada para fevereiro de 2015. O Tesouro irlandês folgaria as costas um ano e um mês.
A National Treasury Management Agency (NTMA), que gere a dívida soberana, conseguiu convencer os detentores destes títulos num montante de €3,5 mil milhões. Dublin já não ia ao mercado da dívida desde setembro de 2010. A NTMA considerou positivo o facto de que 1/3 dos detentores dos títulos, em termos de valor, tenha aceitado a troca.
Os mercados da dívida encararam este resultado positivamente, diz a agência de informação financeira Markit. A probabilidade de default do ex-tigre celta baixou para 41,5% hoie de manhã (no início da semana estava em 43%) e o custo de segurar contra o risco de incumprimento baixou para 620 pontos base, o nível mais baixo desde maio do ano passado.
O que o Tesouro irlandês propôs aos credores foi trocar títulos com prazo a 2 anos, que terminavam no começo de 2014, com um cupão de 4%, por novos títulos com prazo um ano depois com um cupão mais elevado, de 4,5%.
Um modo pouco ortodoxo
"Não se trata de uma reestruturação de dívida. É um modo pouco ortodoxo de estender uma maturidade para evitar algo fundamental em 2014: um pico de títulos a vencer. Com a troca, empurram uma parte da maturidade para 2015", diz-nos Constantin Gurdgiev, professor no Trinity College, em Dublin.
O contexto da manobra é simples, explica Gurdgiev: "A Irlanda verá o pacote de resgate da troika terminar no final de 2013 e enfrenta logo no ano seguinte e em 2016 vencimentos de dívida em montantes elevados. Como nada garante que a Irlanda consiga ir ao mercado nessa altura, realizou esta operação". E conclui: "A meu ver é um sinal de que o governo irlandês está cada vez mais ciente de que em 2014 não terá a vida fácil em obter financiamentos no mercado".
Os economistas irlandeses esperam pelos resultados da análise de sustentabilidade da dívida soberana do país realizada regularmente pelo Fundo Monetário Internacional, que deverá ser divulgada dentro de algumas semanas.