Há certas histórias que, tendo em conta a agitação geral, passam relativamente despercebidas. É o caso de uma contada pela revista do "Correio da Manhã" (Família Milionária recebe agora rendimento mínimo): uma família que teve a sorte de acertar no totoloto, ganhando 600 mil euros, vive hoje de subsídios do Estado. Como aconteceu?
Aconteceu que a família em causa não soube gerir os negócios em que se meteu. Mas possui ainda hoje um património avaliado em 700 mil euros, que se materializa em duas moradias, além de três carros topo de gama.
A Segurança Social diz ao "Correio da Manhã" que tudo é legítimo, opinião que não é partilhada pelos vizinhos. O próprio presidente da Junta (de uma freguesia de Marco de Canaveses) acha que a família não devia ser ajudada. Mas os serviços competentes afirmam que, tendo bens mas não tendo liquidez (e sendo uma família com problemas, desestruturada), fazem sentido e são completamente legais os 365 euros que recebem do Estado.
A própria família, já se vê, concorda com o subsídio. E queixa-se que devia ser maior, porque com 300 e tal euros não vivem três pessoas.
Nesta história, não há conclusões a tirar.
Apenas que o dinheiro que pagamos poderá ser certamente muito mais bem aplicado em pessoas que necessitem mesmo. E não em famílias que têm um património muito superior à generalidade daqueles que estão a contribuir para o sistema. Para a família em causa.
Vergonha
Não se compreende como alguém que trabalhou no gabinete do primeiro-ministro é nomeado para o Conselho de Administração da Anacom, o regulador das comunicações. Os reguladores devem ser organismos independentes tutelados por técnicos de elevado mérito.
Não é o caso, como não tem sido nas últimas nomeações. E há, ainda, a velha questão da mulher de César. Esta nomeação, decidida pelo Conselho de Ministros, é uma vergonha para quem a faz e para quem a aceita.
O medidor de influência
A revista "Forbes" fez uma lista das personalidades mais influentes do mundo, na qual aparece António Guterres, ex-primeiro-ministro português e actual Alto Comissário da ONU para os Refugiados, em 64º lugar. A surpresa é a ausência de Durão Barroso, presidente da CE.
A "Forbes" terá as suas razões, e parecem critérios no mínimo discutíveis, para não dizer errados. Mas faz-nos pensar sobre o modo como a UE é vista nos EUA.
Texto publicado na edição do Expresso de 14 de Novembro de 2009