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Uma campanha a sério?

8:00 Domingo, 26 de abril de 2009

Num debate a cinco na RTP, no início da semana, o que se discutiu sobre a Europa foi... praticamente nada. Espera-se que ontem, num frente-a-frente entre os principais candidatos (realizado na SIC depois do fecho desta edição), Vital Moreira e Paulo Rangel tenham deixado mais elucidados quem os seguiu. Infelizmente, porém, o grau de ruído próprio das campanhas parece impedir uma discussão séria e ponderada sobre o que está em causa nas eleições europeias de 7 de Junho.

E o que está em causa é muito. Com o avolumar da actual crise, a Europa ou se afirma como um bloco coeso, do ponto de vista político, social, económico e até militar, ou corre o risco de se afundar na sua própria ineficácia.

Se quisermos reduzir a duas palavras o que vamos votar, diremos que a alternativa é: mais ou menos Europa.

Será, pois, de toda a utilidade que os candidatos discutam algumas questões centrais, tais como as que se seguem:

- O Tratado de Lisboa. Qual a posição de cada um? Até onde devem ir os esforços para a sua aprovação?

- O papel da UE e dos Estados nacionais na crise. A Europa deve reforçar ainda mais os investimentos públicos, ou refreá-los?

- O desemprego. De que modo se cria emprego? Através de que mecanismos ou iniciativas? Haverá vantagem nas grandes obras ou isso é uma receita passada?

- Imigração. Abrimos ou fechamos portas? E na imigração interna da UE, é aceitável fechar fábricas em países parceiros ou privilegiar os trabalhadores nacionais?

- Sistema financeiro. Como vai ser regulado? Deverá haver um regulador único? Os bancos europeus não deveriam seguir as mesmas regras em todos os Estados-membros, tanto mais que alguns (Santander, por exemplo) já não podem ser considerados apenas de uma nação específica?

- Política externa. A UE deve ter uma única voz na política externa, ou cada nação deve manter a sua idiossincrasia nas relações externas?

- Defesa. Deve a União depender essencialmente dos exércitos americano, inglês ou francês ou ter uma força europeia digna desse nome?

- Democracia. A Europa deve continuar a ser liderada pelos Governos eleitos de cada Estado, ou deve passar a ser governada através do Parlamento Europeu, único órgão eleito directamente pelos cidadãos? Dito de outro modo, a Comissão deve depender única e exclusivamente do Parlamento ou, como até agora, ser um conjunto de comissários nomeados pelos Governos?

- Presidência. Dependendo da questão anterior, quem é a favor da continuação de Durão Barroso e quem não é, baseado não só na nacionalidade, mas na avaliação do seu trabalho dos últimos cinco anos.

Haverá, seguramente, outros pontos. Mas a resposta clara e sem evasivas a estes por parte dos candidatos já contribuiria grandemente para o debate europeu que tarda sempre em ser feito.

Palavras-chave  opinião
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As Europeias
Toni 2 (seguir utilizador), 2 pontos , 12:50 | Domingo, 26 de abril de 2009
Estes eram sem duvida nenhuma os principais assuntos que deviam ser tratados e discutidos. O problema é que a maior parte dos candidatos, não sabe muito bem qual o papel que está a desempemhar. Já não sabe se é candidato à Camara, a Deputado à Assembleia da Républica, ou a Deputado Europeu, ou mesmo se está a falar para uma qualquer televisão para saír no jornal das oito. Isto já me faz lembrar a Olivia Costureira patroa, mas que também é a Olivia Costureira empregada. Esclarecer não é com eles e o objectivo parece ser o de confundir. Negam Cristo não três vezes antes do Sol nascer, mas quantas vezes abrirem a boca e quantas vezes for necessário. Depois culpam os eleitores que não se interessam. Mas no estado actual em que as coisas estão que interese é que tem? Mudam de opinião como quem muda de camisa. Fazem do cidadão ignorante e estupido. Aos jovens vedam o acesso à politica e depois criticam-nos que os mesmos não se interessam por ela. Antigamente havia os Reis e os Nobres, que foram substituidos pela classe politica, cujos herdeiros já têm direito à herança nos tronos, mas só depois dos seus progenitores morrerem o que será muito tarde. Assim vai este País depois de 35 anos de Abril. Parece mentira, mas é verdade. Não dá para acreditar.
 
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Vital Moreira
ANO1933 (seguir utilizador), 1 ponto , 17:17 | Domingo, 26 de abril de 2009
Para complementar as sua desastradas intervenções públicas, deu-lhe para afirmar: "Se o PS não tiver a maioria absoluta, deve pedir a demissão!
QUE GRANDE DEMOCRATA !
Isso é um tik que lhe vem do seu antigo Partido , Sr. Dr. Vital Moreira ?
 
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Não foi um debate sério
zepereira (seguir utilizador), 1 ponto , 19:01 | Domingo, 26 de abril de 2009
As estratégias dos partidos da oposição, torpedearam de propósito um debate sério, sobre que Europa, o que pretendemos, e as diversas propostas.
Ao misturar a eleição para o Parlamento Europeu, como primeira volta das legislativas, sinto-me pessoalmente prejudicado, pois sou daqueles que pretendo votar com consciência e para fim que é, ou seja, eu quero votar efectivamente para o Parlamento Europeu!
Se pudesse, dava um cartão vermelho, aos partidos que estão a tentar confundir os portugueses.
 
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Uma espécie de cegueira
AntiFar (seguir utilizador), 1 ponto , 19:44 | Domingo, 26 de abril de 2009
«Eu não acredito nem um instante nessa ideia de Europa como um modelo de civilização alternativa, do universal contra o mundial, mas é o discurso que se mantém. Acho que em termos de inteligência política, o nosso novo papa, Ratzinger, foi bem mais longe quando dizia que quanto mais a Igreja se confunde com o mundo, mais ela se torna supérflua. É um pouco a mesma coisa. Há um modelo, e quanto mais o modelo se quer confundir com a realidade que já não existe, mais ele se torna supérfluo. O papa diz: “Eu quero salvar a Igreja, não quero tentar seguir o curso dos costumes; se a Igreja quiser existir, deve manter a sua distância e tornar-se modelo”. Isso é perfeito, acho que ele é de uma grande inteligência política. Eu pouco me importo em salvar a Igreja, mas do seu ponto de vista está correcto. E os europeus de Bruxelas não foram inteligentes o bastante para ver isso. E isso vale também para a arte. O que podemos criticar é ela ter desejado confundir-se com a realidade, assumir a realidade e reproduzi-la na sua banalidade, e quanto mais isso ocorre, mais se torna supérflua. É a mesma coisa para a mulher. Quanto mais ela busca confundir-se com o homem, o feminino com o masculino, assumir o mesmo poder, mais se torna supérflua. Ao dizer isso, claro que não fiz muitas amizades. Em relação à Europa, no começo eles tinham a arrogância feliz do “sim” triunfante, e agora têm uma arrogância infeliz. Mas nada mudou, eles ainda se pensam como a consciência moral e como os detentores dos valores universais. Há uma espécie de cegueira nessa boa consciência triunfalista e imperialista.»

Jean Baudrillard (1929-2007)
(tradução livre do português-Brasil)
 
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