13/02/2012 atualizado às 17:40

Um terço das escolas tem média negativa nos exames nacionais

Escolas públicas no topo da lista são as que têm menos alunos carenciados. Clique para visitar o dossiê Ranking SIC/Expresso do Ensino Secundário e Básico 2009.

Isabel Leiria (www.expresso.pt)
14:07 Sábado, 17 de outubro de 2009
Um terço das escolas tem média negativa nos exames nacionais

Em outros dados de análise que não o número de alunos e as notas que obtiveram nos exames nacionais, o ranking das escolas secundárias deste ano volta a comprovar o domínio dos estabelecimentos privados e a exclusão dos concelhos do interior do topo da lista.

Clique para aceder ao índice do DOSSIÊ RANKING SIC/EXPRESSO DO ENSINO SECUNDÁRIO E BÁSICO 2009

Significa isto que as escolas particulares e do litoral, que têm os alunos com notas mais altas, são melhores do que as outras? Não necessariamente. Ao fim de oito anos de publicação destas listas pelos órgãos de comunicação social, as classificações nos exames por estabelecimento de ensino continuam a ser o único dado disponibilizado pelas várias equipas ministeriais. Isto apesar de a tutela ter em sua posse informações que permitiriam conhecer melhor a realidade de cada instituição.

É o caso da percentagem de alunos beneficiários da acção social escolar, ou seja mais carenciados, que ajudaria a perceber como a população da Secundária do Restelo, em Lisboa, ou da Infanta D. Maria, em Coimbra, é radicalmente diferente da dos estabelecimentos que ocupam o extremo oposto da tabela. Só este ano o Ministério da Educação (ME) divulgou dados sobre este indicador, mas fê-lo apenas em relação a uma dúzia de estabelecimentos, num universo superior a mil escolas.

Ainda assim, os números permitem constatar uma relação quase perfeita entre os estabelecimentos públicos que figuram nos lugares cimeiros do ranking do secundário e os que apresentam menor percentagem de estudantes carenciados. O que dificilmente será apenas uma coincidência. A nível nacional, a média de beneficiários da acção social ronda os 26%. Já em nove das dez primeiras escolas públicas do ranking não vai além de 10%.

Isto não significa que haja uma selecção social por parte destes estabelecimentos de ensino - algo que a lei proíbe - mas não deixa dúvidas quanto ao meio económico e social privilegiado em que estão inseridas. Tal como a grande maioria da população dos colégios privados.

Feitas as ressalvas, diga-se que o domínio das escolas privadas no topo da lista de classificações é uma realidade inevitável. Os números falam por si. Apesar de, no conjunto do sistema de ensino, representarem uma pequeníssima parcela - aí realizaram-se apenas 11,5% do total dos exames nacionais -, os estabelecimentos particulares conquistam por completo os lugares cimeiros.

Tal como aconteceu em 2008, nenhuma pública consegue figurar no top 10 e apenas três conseguem um lugar no top 20. E a proporção tem vindo a piorar nos últimos anos. Curiosamente, é no Porto que se encontram tanto a escola privada como a estatal com melhores resultados: o Colégio Luso-Francês (372 provas realizadas com uma média de 14,5 valores) e a Secundária Aurélia de Sousa (613 exames e 13,2 de média).

Nesta análise, e como não é indiferente o número de provas realizadas em cada escola, merece igualmente destaque a prestação da Secundária Garcia de Orta, também no Porto. Foi uma das que levaram mais alunos a exame em todo o país (mais de 1000 testes), conseguindo situar-se no 18º lugar.

Outra das conclusões que os rankings permitem retirar ano após ano são as dificuldades sentidas em muitos estabelecimentos de ensino do interior do país. Este ano, é preciso percorrer a lista até ao 60º lugar para encontrar uma escola localizada numa cidade fora do litoral: a Secundária Fernão de Magalhães, em Chaves.

Se se começar a ler a tabela a partir do fim, então a situação é precisamente a inversa, com o concelho de Bragança ou as regiões autónomas da Madeira e dos Açores a aparecer vezes de mais.

Com as médias nos exames com mais alunos inscritos a caírem face ao ano anterior, também não é de estranhar que tenha havido mais escolas com uma prestação negativa: uma em cada três não conseguiu chegar aos 10 valores. Em 2008, o mesmo tinha acontecido com apenas 23%.



Constatámos

+


Esforço das escolas Vários estabelecimentos repetentes nos últimos lugares não desistem e investem em planos de melhoria para contrariar as dificuldades do meio

-


Resultados pioraram A percentagem de escolas com média inferior a 10 valores passou de 23% para 35% em relação a 2008

85


Resultados por cento das 595 secundárias onde se realizaram exames tiveram menos de 10 valores de média na prova de Física e Química, que registou a nota mais baixa entre as principais disciplinas

Raparigas são melhores
Como habitualmente, as raparigas saíram-se melhor nos exames, alcançando uma média de 10,78 valores, contra 10,42 dos rapazes

Público vs privado
A média das escolas particulares ficou 1 valor acima da registada nos estabelecimentos do Estado: 11,6 para 10,5

Sobe e desce
A secundária Fernão Mendes Pinto (Almada) foi a que mais progrediu (296 lugares). Já a de Sobral de Monte Agraço caiu 321 posições. Em ambas a média oscilou 2 valores

"O Ministério não teve a iniciativa de nos ajudar a melhorar. E nós precisamos de ajuda"

José Bruno, Director da Escola Prof. Mendes Remédios (Nisa), a última do ranking

"Muitas vezes, as notas são o menos importante. A escola é essencial para eles terem ao menos uma boa refeição por dia"

Cristina Perpétuo, Vice-directora da Esc. de Figueira Castelo Rodrigo

"O Ministério não teve a iniciativa de nos ajudar a melhorar. E nós precisamos de ajuda"

José Bruno, Director da Escola Prof. Mendes Remédios (Nisa), a última do ranking

"Muitas vezes, as notas são o menos importante. A escola é essencial para eles terem ao menos uma boa refeição por dia"

Cristina Perpétuo, Vice-directora da Esc. de Figueira Castelo Rodrigo

540


foi o número total de classificações máximas (20 valores em pauta) obtidas pelos alunos no total das 229 mil provas realizadas

5


valores foi a diferença máxima registada entre a média de exame e de escola. Aconteceu na Secundária Paredes de Coura, onde os professores atribuíram aos alunos 14 valores no final do ano. Mas estes não foram além do 9 nos exames nacionais


Texto publicado na edição do Expresso de 17 de Outubro de 2009

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Um terço das escolas tem média negativa nos exames
Toni 2 (seguir utilizador), 3 pontos (Interessante), 16:09 | Sábado, 17 de outubro de 2009
Eu fico sempre furioso quando me aparecem professores de colégios particulares, ou de Escolas Públicas de Zonas previligiadas a armarem-se em bons e a quererem passar a mensagens que eles é que são os maiores. Proponho de imediato a troca para essas Escolas com piores resultados, a fim de lá operarem esse milagre. É costume dizer que filho de peixe sabe nadar. O problema começa aí mesmo. Muitos pais analfabetos ainda não compreenderam que a única maneira de saír da pobreza é mesmo a cultura. É este o grande problema com que nos defrontamos, ou seja enraízar nos pais este conceito para o transmitirem aos filhos. É verdade que muitos deles andam por aí a fazer pela vida e a tentar levar um pouco de pão para a família e não podemos dizer que não querem trabalhar. Trata-se de um problema estrutural que não se resolve de um dia para o outro e é tarefa para mais que uma Legislatura e mais que um partido. Este assunto não devia ser alvo de lutas partidarias, pois interessa a todos, independente das ideologias de cada um.
 
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A realidade infelizmente é a de que as escolas
dedalo11 (seguir utilizador), 3 pontos (Bem Escrito), 16:35 | Sábado, 17 de outubro de 2009
privadas obtêm sempre melhores resultados. sendo verdade que os pais pagam esse serviço de ensino a preços quase absurdo, os resultados mais uma vez demonstram que para quem pode, vale a pena. Isto acaba por doer sabendo-se que os meios são praticamente os mesmos. Então onde estão os males? Mais disciplina? Maior rigor? Sinceramente não percebo que professores que vêm todos das mesmas universidades e utilizem os mesmos métodos, quando trabalham para a privada rendem mais...
Será por serem mais bem pagos? Será por alguma razão que desconhecemos? Claro que não. Trabalhar para ap rivada sempre há-de ser diferente porque os professores quando não tiverem bons resultados vão temer sempre pelo possível despedimento enquanto que na função pública é o que sabemos. Custa a dizer, porquer também dou aulas, mas talvez por isso mesmo compreendo as dificuldades das escolas públicas onde, por vezes, faltra quase tudo... É muito diferente!!!
É muito diferente, desde a falta de papel higiénico até à impressora que não funciona ou ao cintínuo que vai tomar café em frene à escola e deixa o portão abandonado de vez em quando... Há indisciplina e preguiça a mais... Não se pode generalziar mas existem alguns cancros que têm que ser cortados pela raíz.
 
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    Re: A realidade infelizmente é a de que as escolas    Ver comentário
MUNDO CLEPTOMANÍACO (seguir utilizador), 1 ponto , 12:36 | Domingo, 18 de outubro de 2009
    Re: A realidade infelizmente é a de que as escolas    Ver comentário
dedalo11 (seguir utilizador), 2 pontos , 16:38 | Domingo, 18 de outubro de 2009
    Re: A realidade infelizmente é a de que as escolas    Ver comentário
MUNDO CLEPTOMANÍACO (seguir utilizador), 1 ponto , 11:08 | Segunda feira, 19 de outubro de 2009
Ranking
azrim (seguir utilizador), 3 pontos (Interessante), 16:47 | Sábado, 17 de outubro de 2009

Este tipo de rankings é falacioso e injusto.

Não se deveriam comparar escolas privadas com escolas públicas.
É muito bonito ver os bons colégios sempre no topo.
Pudera!
Esses colégios SELECCIONAM os alunos .
Eu tive 2 filhos nos dois sistemas de ensino.
Para entrarem no privado, em bom colégio, tiveram que fazer um exame . Informaram-me que se não obtivesses resultado bem positivo nessa prova nao entrariam.

E nas escolas públicas?
Também se faz selecção?
E mais ainda : quem tem possibilidades económicas para pagar boas privadas, geralmente tem também um bom nível cultural .
Logo, os filhos têm também uma qualidade socio--cultural acima da média.

E nas públicas?
Nestas têm que se aceitar todos.
Os professores da Escola Pública vêem-se a braços com alunos e situações que pedem deles quase autênticos milagres.
Estes professores estão sujeitos a situações e problemas inimagináveis por muita gente.
Ali entra tudo : filhos de marginais, drogados, analfabetos, tudo!!!
Comparar o trabalho de um professor de um sistema e de outro, é como comparar água e vinho

Resta-ma salientar o meu caso : os meus filhos tiveram melhores professores no público, e muito melhores resultados.
O mais novo saiu no 9º ano ( por vontade dele) de um afamado colégio do Estoril e fez o secundário no liceu de Oeiras, onde acabou por entrar na faculdade com média de 18,1.
Por isso...tirem-se as conclusões.

  Bem-hajam Professores do Ensino Público!
 
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    Re: Ranking    Ver comentário
orion_hum (seguir utilizador), 1 ponto , 13:39 | Domingo, 18 de outubro de 2009
    Re: Ranking    Ver comentário
banjix (seguir utilizador), 1 ponto , 15:24 | Domingo, 18 de outubro de 2009
um bom aluno
B l u e S k y (seguir utilizador), 3 pontos (Interessante), 13:08 | Domingo, 18 de outubro de 2009
É SEMPRE UM BOM ALUNO.
...independentemente do Professor.

os rankings são uma uma grande mentira.
Há colégios onde o exame nacional é resolvido no quadro e as vigilâncias são muito simpáticas...
além de, os colégios, seleccionarem os melhores alunos. Há até professores que acumulam em ambos e que "desviam" bons alunos para os colégios. Ignorar isto é desconhecer a realidade. Basta ter um familiar num colégio para saber estas histórias.
 
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O futuro adivinha-se negro para o Ensino Público
pedro sergio pereira (seguir utilizador), 2 pontos (Interessante), 13:39 | Domingo, 18 de outubro de 2009
A debandada dos professores mais experientes que não suportaram o consulado de Mª de Lurdes Rodrigues e o alargamento da escolaridade para os 18 anos (nada contra mas em que circunstâncias?) vão resultar numa perda de qualidade do serviço prestado em algumas escolas públicas de referência e em todas as outras que já se debatem com muitas dificuldades em manterem positivas. Toda a política educativa seguida até ao momento não tem nada de inocente e além de beneficiar o ensino privado reserva às elites um ensino de qualidade. Não há trabalho sério que se compadeça com o actual clima que se vive na escola pública. A sobrecarga de burocracia, a funcionalização e desvalorização do professor pela gente sem escrúpulos, servil perante os grandes interesses e incompetente em matéria científica ou pedagógica que domina a 5 de Outubro, só reforçam a caminhada para este abismo em que se encontra a Escola Publica. Porque há em Portugal tanto medo em responsábilizar também os alunos e suas famílias pelas aprendizagens dos jovens? Será porque isso poria em causa a função de acção social e depósito que a escola pública, à falta de políticas sérias de integração e valorização social, cumpre hoje em dia?
 
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Os "RANKING" das nossas Escolas...
Tony52 (seguir utilizador), 1 ponto , 18:45 | Sábado, 17 de outubro de 2009
Hoje, o jornal o Público faz manchete deste instrumento estatístico muito utilizado na estratificação das nossas escolas.
Informo que nada me move a favor ou contra, mas verifiquei, depois de uma leitura mais detalhada, que o nosso sucesso afinal, após tanto investimento na Educação tem gerado retrocesso ou seja cada vez mais andamos para trás. Será por falta de "estudos" encomendados pelo ME para avaliar o sistema de ensino? Concerteza que não. Será por incapacidade do ME em se organizar interna e externamente a fim de colocar as pessoas, equipas certas para proceder a reformas educativas visíveis e que contrarie esta tendência? Talvez. Mais uma vez, sem tentar "partidarizar" este problema que é transversal à nossa sociedade, penso que este governo agarrou mal toda esta problemática. "Atirou-se" aos professores como se fossem o cerne do problema, aos alunos como consequência directa e assim sucessivamente numa escalada ímpar na nossa democracia. Como consequências imediatas temos a partida prematura de imensos profissionais para a reforma (mesmo prejudicados financeiramente) e este "Ranking" que espelha, mais ou menos, o nosso sistema educativo. Em termos governativos para quem disse que as reformas teriam que ser executadas a qualquer preço, gerou um desconforto no sistema que levará o seu tempo a apagar.
É preciso muito mais e nada do que foi feito até aqui, pelos menos em termos de atitude. Os professores, alunos e pais, em suma, toda a comunidade educativa, agradecem.
 
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Privados vs Públicas
dúvida_metódica (seguir utilizador), 1 ponto , 21:33 | Domingo, 18 de outubro de 2009
Sem desprimor para os alunos "vencedores", alguêm acredita que alguns colégios privados conseguem subsistir com o número de alunos que colocam a fazer os exames nacionais? Quantos efectuaram a anulação da matrícula? Quais são as médias dos alunos ditos externos?
 
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