Agenda do primeiro-ministro e secretário-geral do PS para quarta-feira, dia 16 de Dezembro, no meio de muita chuva:
- 11h. Cerimónia que assinala o final do Curso de Formação/2009 da Guarda Nacional Republicana (declaração de compromisso de Honra de Guardas finalistas). Local: Nerpor - Parque de Feiras e Exposições de Portalegre.
- 12h45. Sessão de Encerramento das Jornadas Parlamentares. Local: Hotel Vila Galé, Beja.
- 17h. Cerimónia de Tomada de posse dos Conselheiros de Estado. Local: Palácio de Belém.
- 17h15. Reunião semanal com o Presidente da República. Local: Palácio de Belém.
Na chegada ao primeiro ponto, José Sócrates levava 45 minutos de atraso e foi recebido com assobios. No segundo ponto tinha três horas de atraso. Não chegou ao ponto três e viu-se obrigado a cancelar o ponto quatro.
Nada disto tem especial importância, apesar da óbvia impossibilidade de se cumprir a agenda. E da óbvia falha de se deixar o Presidente pendurado, primeiro na posse dos Conselheiros de Estado e depois numa audiência.
Nada disto teria especial importância se o Verão não tivesse sido o que foi e se o próximo ano não ameaçasse ser ainda pior. Na verdade, e depois de uma actuação equiparada a um desastre natural, a popularidade do Presidente da República foi retomada mais depressa do que muitos pensavam ser possível. E a grande ajuda veio... de São Bento e do Largo do Rato.
Sinceramente, não percebo qual é a vantagem que o PS pensa vir a ter numa guerra com Cavaco Silva. O clima pré-legislativas é irrepetível. Na altura, Cavaco pecou por acção, omissão e, presumo, por pensamento. E, sobretudo, colocou-se ao nível dos agentes partidários.
Regressado ao seu lugar, Cavaco só ganha em tentar ser o referencial do sistema político. E todos os que tentarem trazê-lo para um plano partidário, perdem em toda a linha (além de prestarem uma inestimável ajuda à sua recandidatura). E o mais absurdo é que o PS nem percebe uma coisa óbvia: o Presidente é o primeiro interessado em que o Governo se mantenha em funções porque não pode arriscar umas legislativas perto das presidenciais, muito menos umas legislativas que o PS podia, naturalmente, voltar a ganhar.
Caro José Sócrates, quando abrir a agenda de 2010 ponha lá um post-it a dizer o seguinte:
1. Ir às reuniões com o PR.
2. Nunca atacar o PR.
3. Deixar Alegre atacar o PR.
4. Proibir Ricardo Rodrigues, Sousa Pinto e Santos Silva de falarem sobre o PR.
5. Não prometer ir a Portalegre e Beja na mesma manhã.
Ricardo Costa
Texto publicado na edição do Expresso de 24 de Dezembro de 2009