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Um mal profundo

Miguel Sousa Tavares
8:00 Segunda-feira, 20 de Abr de 2009
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O projecto legislativo do Bloco de Esquerda, abolindo o sigilo bancário para efeitos fiscais, é um bom princípio no combate à corrupção e à evasão fiscal. O PS (à data em que escrevo) preparava-se para o aprovar na generalidade - o que não significa que, depois, na especialidade, não trate de lhe retirar todo o alcance prático. Veremos. Mas é um bom princípio, que caminha no sentido de garantir a efectiva igualdade de todos perante a lei.

Diferente é a questão da criminalização do enriquecimento ilícito. Para começar, o nome do novo crime que se pretende estabelecer é enganador: o que se vai punir não é o facto de alguém ter enriquecido por métodos ilícitos; é sim, o facto de alguém não ser capaz ou não querer explicar como é que enriqueceu - tenha sido ilícita ou licitamente. Sempre defendi que o súbito enriquecimento de tantos figurões que por aí andam, sem que se consiga entender como, deve ser objecto de escrutínio e crítica social e ética. Numa sociedade de valores, e não apenas de aparências, não devia bastar ter um Mercedes topo de gama, devia também ser preciso que no espírito dos outros não houvesse dúvidas de que o Mercedes tinha sido pago com dinheiro honestamente ganho. Mas nem tudo o que é objecto de crítica social legítima pode ser transformado em crime no Código Penal - ou não haveria prisões que chegassem.

Criminalizar o que se chama de enriquecimento ilícito envolve a derrogação de um princípio essencial da justiça e um direito fundamental dos indivíduos: o de que, quando alguém é acusado de um crime, cabe à acusação fazer prova de que o crime existiu mesmo, e não ao acusado fazer prova de que está inocente. Eu sei que a necessidade imperiosa de combater o cancro da corrupção justifica que se suscitem novas questões que precisam de ser ponderadas. Mas o problema aqui é o da porta que se abre e que nunca mais se fechará: amanhã, o dono do Mercedes terá de fazer prova de que não excedeu os limites de velocidade na auto-estrada, mesmo que nenhum radar o tenha detectado e apenas porque o carro é capaz de andar a 240.

Convém não esquecer, que, apesar de tudo, não apenas se tem aumentado constantemente os meios disponíveis para a investigação criminal, como também se têm agilizado os próprios métodos e regras de investigação. Já lá vai o tempo em que era um juiz de instrução (equidistante entre as partes) que presidia à investigação: hoje ela está a cargo da PJ e do MP. Todos os prazos de investigação foram alargados, generalizou-se, e sem controlo algum, o uso de escutas telefónicas, tornou-se banal o cruzamento de dados pessoais de toda a ordem e a troca de informações policiais a nível internacional, fez-se legislação mais apertada para reger os movimentos bancários e até é possível seguir o paradeiro de alguém, mesmo no passado, através do registo da utilização dos cartões de débito e crédito e do telemóvel - como se viu no processo Casa Pia. Há muito que as autoridades de investigação ultrapassaram o período de Sherlock Holmes e da pedra lascada. Mesmo que os próprios crimes de colarinho branco se tenham especializado, é hoje possível investigar mais e melhor, sem ter de estar permanentemente a exigir leis de excepção, que são um atropelo aos direitos individuais.

Tal como vejo as coisas, acresce que o problema da corrupção na sociedade portuguesa tem razões mais profundas que uma deficiente capacidade de investigação. Se é certo que a incapacidade de ser eficaz no combate à corrupção gera uma sensação de impunidade cujos efeitos são tremendos, não é por isso, todavia, que a corrupção atinge, aparentemente, níveis de flagelo público. Não é porque suspeitamos que a Brigada de Homicídios possa ser incompetente que nos vamos desatar a matar livremente uns aos outros. Se a sociedade portuguesa é hoje corrupta a vários níveis é porque esse é o patamar ético normal que atingimos. E não me venham remeter as culpas todas para cima do poder político, como se houvesse duas espécies de portugueses: os políticos, que são todos uns bandidos, e os desgraçados dos cidadãos, que são todos vítimas e modelos de comportamento.

O problema profundo da corrupção tem que ver com uma sociedade em que os valores éticos e de cidadania se perderam. Podemos começar por cima - pelos banqueiros do BCP ou do BPN, devotos católicos e chefes de família, exemplos de sucesso profissional e estatuto social, que lançavam mão de truques sujos para empolarem os resultados do banco e cobrarem os respectivos prémios de gestão, no caso do BCP, ou que, pura e simplesmente, roubavam o banco em proveito próprio, como no caso do BPN. Mas, se descermos a escala por aí abaixo, vamos encontrar uma sociedade que abundantemente vive de fugir ao fisco e roubar o Estado sempre que pode, gente que está disponível para se deixar comprar e vender, para habitar no mundo do pequeno tráfico de influências nos negócios, na profissão e no resto - e onde acham que o que fazem, por ser pequeno e próximo, está dispensado de preocupações éticas. E isto - esta ideia de que a vida em sociedade se move pelo dinheiro, pelo sucesso pessoal e por um código de conduta que apenas privilegia a vontade e os interesses próprios e onde há sempre direitos a reclamar e nunca deveres a cumprir - atravessa hoje, de cima a baixo, o modo de estar na vida do comum dos portugueses.

Começa nos pais que acham que educar os filhos é dar-lhes um computador, um ipod, uma televisão e uma play-station e deixá-los no quarto para que não incomodem. E continua nas relações familiares, de amizade, de trabalho, de simples convivência com os outros, onde já poucos se lembram que é preciso dar para receber, é preciso pagar para ter, é preciso acreditar em princípios e valores e segui-los - não quando é fácil, mas quando é difícil. Uma sociedade inteira vive mergulhada num mundo de facilidades e aparências, afogada em sms, mails, blogues e redes sociais, onde procura criar uma estranha forma de vida e de relacionamento humano, que garante o contacto e o sucesso imediato e dispensa o incómodo que é enfrentar a vida real, sem ser a coberto do anonimato ou do disfarce hipócrita, e sem ter de assumir as consequências dos seus actos nem o vazio de passar por aqui sem ter feito nada de útil para os outros.

A corrupção é apenas a ponta do icebergue da crise de valores e princípios que hoje nos caracteriza. A falta de consciência social de muitos patrões, a baixa produtividade laboral que é a nossa imagem de marca, são outras das consequências dessa crise. Como o são a falta de sentido de serviço público na política, como na justiça ou no ensino, ou a ausência de um espírito de solidariedade ou de altruísmo para com os outros. Somos católicos sem ser cristãos, somos ricos sem vergonha dos meios usados para tal, somos famosos só porque nos vendemos às revistas 'sociais', somos corajosos só porque podemos espalhar boatos e difamações nos blogues, a coberto do anonimato e sem ter de prestar contas. E, quando não conseguimos ser nada disso, somos só invejosos e revoltados contra a "corrupção dos políticos todos" na mesa do café.

Nenhuma lei, por melhor que seja, pode resolver este mal profundo.

28 comentários
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Um mal profundo
Toni 2 (seguir utilizador), 2 pontos , 9:44 | Segunda-feira, 20 de Abr de 2009
Que grande boca. É tudo o que eu queria dizer. Desta vez estamos de acordo. É verdade que os valores se alteraram e a Justiça e seus afins não funcionam, ou quando o fazem, fazem-no sempre tarde e a más horas. Sem ética, sem valores morais e sem medo da punição cada qual faz o que mais lhe convem e o que lhe vai na gana desde que tenha estomago para tal.
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Este mal profundo
Orlando Cruz (seguir utilizador), 2 pontos (Interessante), 18:21 | Segunda-feira, 20 de Abr de 2009
Efectivamente padecemos dum mal profundo que parece estar na génese do nosso povo e emerge quando a justiça não funciona. Começamos por dar exemplos aos nossos filhos que são a impreguenação do princípio corrupto.
Lembram-se dos cerca de 200 alunos, que há poucos anos em Guimarães, entregaram atestados médicos para não ir ou adiar exames no liceu? Os alunos não os adquiriram no supermercado! E como respondeu o Estado? Desconheço, mas pelo que na altura ouvi e li, não aconteceu nada de especial e os pais até se queixaram de perseguição, se bem me lembro.
Mas a todos os níveis a nossa sociedade está cheia de corrupção e as autarquias são um dos meios mais sensíveis. E que dizer dos médicos (casos que vieram a público) que passaram receitas sem doentes, das farmácias que as cobram ao Estado sem as aviarem, etc.
A banca é o caso conhecido mais recentemente.
Enfim, quando o Estado de Direito está doente, os honestos e cumpridores são uma minoria que sai fora da norma.

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É preciso mais eficácia no combate à corrupção
1963777 (seguir utilizador), 2 pontos (Interessante), 19:28 | Segunda-feira, 20 de Abr de 2009
Concordo ineiramente com a análise que faz da sociedade portuguesa, no que se refere à existência de uma profunda crise de valores e princípios que atravessa todos os níveis sociais e que conduz, designadamente, à falta de responsabilidade social e à corrupção (ainda que me possa parecer excessiva a ideia de uma sociedade em que os valores éticos e de cidadania se perderam: alguns ter-se-ão perdido, mas muitos nem terão chegado a desenvolver-se, em parte devido à falta de aprofundamento e consolidação da cultura democrática).

É verdade que nenhuma lei pode resolver milagrosamente um mal social tão profundo e generalizado, mas penso que só teremos a ganhar com o recurso a mais e melhores meios de combate ao crime económico e financeiro. Nesse sentido, parece-me que a criminalização do enriquecimento ilícito ou injustificado (a mim parece-me a mesma coisa, já que nunca compreenderei como pode ser lícito um rendimento que um contribuinte não quer ou não sabe explicar) como crime autónomo poderá ser muito útil para combater este flagelo. Naturalmente, desde que recaia no Ministério Público a obrigatoriedade de fazer a prova de que o crime de enriquecimento injustificado existe. E sejam salvaguardados todos os direitos e garantias dos cidadãos.
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impossibilidade física do enriquecimento lícito
ajotaef (seguir utilizador), 2 pontos (Interessante), 23:14 | Segunda-feira, 20 de Abr de 2009
Criminalizar o que se chama de enriquecimento ilícito envolve a derrogação de um princípio essencial da justiça e um direito fundamental dos indivíduos: o de que, quando alguém é acusado de um crime, cabe à acusação fazer prova de que o crime existiu mesmo.
Pelos vistos o Miguel Sousa Tavares pensa que estamos na idade Média.
Se até o povo sabe que “quem não rouba nem herda só tem merda” como pode o Miguel Sousa Tavares invocar a necessidade do ónus da prova para o que em si mesmo é improvável?
Claro que se pode ganhar o Toto-milhões e não se querer dize-lo mas todos sabemos que isso é uma exepção à regra! E não sei o que faria se fosse acusado do enriquecimento legítimo improvável como esse e corresse o risco de ser acusado de enriquecimento ilícito. Possivelmente mostrava o talão do prémio com a obrigação de o juiz ficar calado. A lei pode perfeitamente conter essa cláusula.
O que não cabe na cabeça de ninguém e continuar a pensar-se que se possa enriquecer licitamente de forma improvável!
Isso é o sem o que acreditar em bruxas ou em milagres.
Miguel Sousa Tavares, se o enriquecimento ilícito é quase tão improvável como é practicamente impossível não há qualquer necessdiade de provar o que já esta provado pela própria natureza das coisas.
Neste causo, não se trataria de dar ao acusado o ónus da prova mas o benefício da dúvida de, in extremis, o acusado enriquecimento ilícito provar que consegui o milagre de enriquecer de forma lícita.
Ora, provar a existência de milagres é sempre difícil, seja para a lei seja para o beneficiário do milagre do enriquecimento.
O problema da luta contra a corrupção foi sempre este, o de haver quem acredite em bruxas.
Haver quem acredite que exista enriquecimento lícito fora da herança e do ganho na lotaria.
Haver quem acredite que os mafiosos possam ter momentos de boa fé e se acusem entre si
ou que alguma vez digam a verdade a não ser à falsa fé!
Assim, a inversão do princípio sagrado do ónus da prova no que se chama de criminalização sem provas do enriquecimento ilícito só deixa de ser um non sense a partir do momento em que se deixa de acreditar em bruxas.
Se há crime de que dificilmente algum honesto será acusado será de enriquecimento ilícito!
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Sad But True
lord byron (seguir utilizador), 2 pontos (Interessante), 12:07 | Terça-feira, 21 de Abr de 2009
Certos artigos dão-me apenas vontade de rir. O unanimíssimo há sua volta só me dá vontade de chorar!
Vamos então há cátedra da semana (pois aqui a única coisa que faço é dar cátedra e até isso me começa a cansar de ver tanta estupidez junta), podia desmontar este artigo ponto por ponto mas necessito de escrever mais um livro para o fazer. Como tal vamos pegar nesta parte do artigo que me parece a que tem mais sumo e m ais estupidez concentrada por letra quadrada!
“ O problema profundo da corrupção tem que ver com uma sociedade em que os valores éticos e de cidadania se perderam. Podemos começar por cima - pelos banqueiros do BCP ou do BPN, devotos católicos e chefes de família, exemplos de sucesso profissional e estatuto social, que lançavam mão de truques sujos para empolarem os resultados do banco e cobrarem os respectivos prémios de gestão, no caso do BCP, ou que, pura e simplesmente, roubavam o banco em proveito próprio, como no caso do BPN. Mas, se descermos a escala por aí abaixo, vamos encontrar uma sociedade que abundantemente vive de fugir ao fisco e roubar o Estado sempre que pode, gente que está disponível para se deixar comprar e vender, para habitar no mundo do pequeno tráfico de influências nos negócios, na profissão e no resto - e onde acham que o que fazem, por ser pequeno e próximo, está dispensado de preocupações éticas. E isto - esta ideia de que a vida em sociedade se move pelo dinheiro, pelo sucesso pessoal e por um código de conduta que apenas privilegia a vontade e os interesses próprios e onde há sempre direitos a reclamar e nunca deveres a cumprir - atravessa hoje, de cima a baixo, o modo de estar na vida do comum dos portugueses.”

Começado pelo primeiro parágrafo e a história dos problemas com os bancos portugueses quem escreve isto nunca deve ter ouvido falar do Madoff, Bank of Scotland, Lehman Brothers, Merril Lynch entre uma lista indeterminável de outros, ou algum destes bancos vos parece português?
A questão não é quer de lei quer de nação, mas sim uma questão de ganância e isso é algo que não pode ser controlado por decreto.
Quanto ao facto de serem ou não católicos nem vou perder tempo com auto infringidos rótulos até ao dia em que o representado apareça a fornecer a respectiva procuração a determinado grupo para que o mesmo fale em seu nome.
Quanto ao vir por aí abaixo é ver o “Sicko “ do Michael Moore e ver como se pode camuflar corrupção com lobby e que tanta actualidade tem com o nosso caso entre a ordem dos médicos e uma das associações de farmácias que também tem laboratório farmacêutico, alguém acha que o problema dos médicos é o doente e o princípio activo ou será as contrapartidas que tem dos laboratórios farmacêuticos?
Alguém já se esqueceu do Alfredo Pequito?
Então são as farmácias e este personagem que as vem representar agora como outrora veio usar os mesmos argumentos que a ordem dos médicos agora usa contra os farmacêuticos quando o governo decretou a autorização da venda de medicamentos fora das farmácias tradicionais e pôs fim a esse monopólio.
Quanto há solução do problema, ela é fácil e passa pelo livre transito que umas formigas têm de dar às outras deixando de ser o bem-estar da rainha a principal preocupação do formigueiro.
Isto é algo para o qual a sociedade mundial ainda não está preparada, mas a seu tempo…
Vou chamar a isso anarquia auto-controlada, já vos ouço rir como uns idiotas do aparente contra-senso, mas acreditem que num futuro não muito distante fará mais sentido do que a mais ridícula frase tão em moda a qual ninguém percebe e a qual tem servido para explicar todos os atropelos ao que costumávamos chamar ética: esse activo encontrasse parqueado num veículo offshore!
O problema não é Portugal, a corrupção ou o governo.
O problema é o acordar da maioria das pilhas da “Matrix”!
De uma forma generalizada a literacia traz o alargar de horizontes e o com eles a insatisfação de um enorme ainda em minoria número de pessoas.
Sempre se viu isto de forma mais ou menos velada, sempre tivemos conhecimento desta coisas nos nossos ciclos mais próximos e sempre soubemos que é essa a lei tácita vigente em todo o globo (vejam quando e quantos levantam a voz contra a China ou Angola entre outros) e aceitamos isto porque quanto mais vemos virtudes publicas mais descobrimos que os mais virtuosos tem os maiores e mais nojentos vícios privados e começamos a ficar fartos que sejam os que sempre viveram da proximidade á rainha das formigas que fazem o papel de indignados de serviço apenas porque pagam impostos e usando tudo e mais alguma coisa como arma de arremesso, mas nunca pondo em causa a sobrevivência da ordem existente no formigueiro.
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lord byron (seguir utilizador), 1 ponto , 22:11 | Terça-feira, 21 de Abr de 2009
Sintomas da nossa justiça
mcequeir (seguir utilizador), 2 pontos (Bem Escrito), 18:07 | Terça-feira, 21 de Abr de 2009
A intensidade dacriminalidade no nosso país, a corrupção e todas as manigançias que se fazem para obter vantagens e dividendos, são as consequencias de uma justiça ineficaz, onde as consequencias para os delinquentes são ligeiras e não dissuasoras da prática do crime. O comportamento criminoso não é uma particularidade exclusiva dos portugueses. Isto acontece com mais intensidade em todos os países onde a justiça é branda e demasiado permissiva.
Eu já vi bombeiros em greve atearem fogos e impedirem que outros os fossem apagar. Já vi polícias em greve e uma cidade ser saqueada porque não havia ninguem que representasse a lei. Vi pessoas com quem me cruzava na rua frequentemente e que considerava pessoas de bem, participarem nesses assaltos a estabelecimentos comerciais porque não havia ninguem para manter a ordem. Vi uma Sra já idosa com um ar respeitável, levar uma televisão às costas e que mal podia com ela, participando nessa debandada das regras da civilização.
Isto é o homem o predador, é o género humano, é o instinto do bem e do mal que está presente em cada um de nós. O que nos retêm de nos conduzirmos como animais selvagens´é o medo da lei e das suas consequências. Se alei é permissiva e ineficaz então a moralidade desaparece par dar lugar à lei do mais forte, do mais espertalhão e com menos escrúpolus.
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Sem palavras...
Doisémes (seguir utilizador), 1 ponto , 8:22 | Segunda-feira, 20 de Abr de 2009
Perfeito!
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o ultimo paragrafo E assustadoramente BRILHANTE
L M O (seguir utilizador), 1 ponto , 10:10 | Segunda-feira, 20 de Abr de 2009
queixemo-nos de NOS proprios enquanto evolucao social onde o mau e o mediocre sao motivo de auto elogio
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a nossa sociedade do «antes parecer do que ser»
tarik (seguir utilizador), 1 ponto , 10:41 | Segunda-feira, 20 de Abr de 2009
Concordo plenamente com as suas palavras. Está tudo dito
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o caro trovao de tempestade
mascas (seguir utilizador), 1 ponto , 11:05 | Segunda-feira, 20 de Abr de 2009
ficou chateado por eu lhe meter isso no comentario da bola? tou a ver que so escreve no futebol...
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    Re: o caro trovao de tempestade    Ver comentário
THUNDERSSTORM (seguir utilizador), 2 pontos , 11:09 | Segunda-feira, 20 de Abr de 2009
    Re: o caro trovao de tempestade    Ver comentário
mascas (seguir utilizador), 1 ponto , 11:14 | Segunda-feira, 20 de Abr de 2009
Não concordo!
cjours (seguir utilizador), 1 ponto , 12:03 | Segunda-feira, 20 de Abr de 2009
Não concordo com duas coisas:
1- "O problema profundo da corrupção tem que ver com uma sociedade em que os valores éticos e de cidadania se perderam" - Esta mania que a sociedade actual é ausente de valores e que dantes é que era bom, é uma coisa que me irrita solenemente. Quando é que, em Portugal, a sociedade se regeu por "valores éticos e de cidadania"????
Quais são os tais valores que a sociedade actual perdeu e que, dantes, havia??? Dantes quando? Conversa da treta e de um moralismo bacoco!
2- Eu acho que esta Lei devia ser tirânica sim! Acho que se impõe uma legislação BRUTA, daquelas que meta realmente medo a quem tiver veleidades. E que se mostre eficaz, muito eficaz e brutal na aplicação! SIM, sem sombra para dúvidas! Uma das coisas irritantes deste país é a falta endémica de tomates. Brada-se muito, mas quando chega a altura de pôr os tomates em cima da mesa, todos se cortam...Temos medo de dar pedradas no charco, de agitar as águas paradas, de medidas fracturantes!
Que raça de povo de meias-tintas, chiça!
Quem não deve não teme e quem teme, deve! O resto é conversa!
Qualquer injustiça que pudesse ser cometida, não é comparável com a injustiça que a situação em que vivemos representa para o Estado e para os cidadãos honestos!
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    MUITO BEM    Ver comentário
L M O (seguir utilizador), 1 ponto , 13:18 | Segunda-feira, 20 de Abr de 2009
Enterra os seus sapatos brancos na lama
AntiFar (seguir utilizador), 1 ponto , 12:35 | Segunda-feira, 20 de Abr de 2009
projectos de comunicação social duvidosos e deseducativos que se aproveitam quanto podem da iliteracia endémica dos portugueses.

(O que é a honestidade? Quais os seus limites?
Vejamos:
Honestidade
1. qualidade do que age com rectidão, de acordo com a verdade, seriedade, probidade;
2. característica daquele que é sincero, e em quem se pode confiar, lealdade;
3. Decoro, modéstia; pudor; castidade;
Ponderemos uma ou outra atitude sobre quem se serve, neste caso, do conceito de honestidade:
Usará o articulista de compostura, recato, modéstia nas suas divagações jornalísticas?
Será seriedade ou probidade dar o rosto a uma canal de televisão que emite ou emitiu (só para dar um exemplo) uma das mais degradantes e indecorosas formas de entretenimento, a saber, os “realty shows”?
Usará de rectidão e será digno de confiança um articulista que invoca valores tradicionais ao mesmo tempo que enterra os seus sapatos brancos na lama?)
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    Não considerar: o texto está truncado    Ver comentário
AntiFar (seguir utilizador), 1 ponto , 12:42 | Segunda-feira, 20 de Abr de 2009
um mal profundo
patricio branco (seguir utilizador), 1 ponto , 15:00 | Segunda-feira, 20 de Abr de 2009
poderá estar a nascer um totalitarismo fiscal de estado que agarra um cidadão normal e o introduz num universo kafkiano?
 
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Onde se encontra?
FR8146 (seguir utilizador), 1 ponto , 16:39 | Segunda-feira, 20 de Abr de 2009
Onde se encontra o MST: nos tais que têm pecados, maiores ou menores, com pouca ética e moral? Ou nos outros, os perfeitos, que nunca por nunca se rebaixam a abdicar dos tais valores?
No primeiro caso, quais foram as cedências que já fez, que princípios éticos violou mais ou menos gravemente?
No segundo caso, será que tanta perfeição e virtuosidade lhe dá o direito de, do alto da cátedra impoluta, classificar tão rasteiramente toda uma sociedade, na qual pelos vistos não se sente inserido?
Ora, ora, Miguel, esperava melhor de si. Embora o que diz possa ser vagamente verdadeiro, a verdade é que lhe fica muito mal generalizar e ficar a pairar acima da ralé como uma éspécie de juíz do dia do juízo final.
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será?????
Pseudo... (seguir utilizador), 1 ponto , 16:41 | Segunda-feira, 20 de Abr de 2009
"No meio de um povo geralmente corrupto a liberdade não pode durar muito"
 
Burke , Edmund
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