No fim dos debates entre os candidatos e do Congresso não sei como votarão os militantes do PSD. No último, Paulo Rangel falou para eles, tentando colar Passos Coelho ao Governo - escolhendo talvez mal o tema. Pedro Passos Coelho falou para o país, tentando colar Rangel a Manuela Ferreira Leite. E num partido sedento de poder isso pode contar.
Passado o debate entre Passos Coelho e Paulo Rangel sabemos duas coisas:
Que as soluções do primeiro seriam uma tragédia. Defender a contenção salarial e a redução do investimento público, afectando a procura interna e agravando a crise, e apostar tudo na exportação (por um toque de mágica que não conseguiu explicar para além de umas banalidades sobre as universidades), esquecendo-se que a crise é global, é a receita para o desastre.
Que o segundo não tem receita nenhuma a não ser mais trabalhos de casa e a "ruptura" não se sabe bem com quê. Nem uma ideia saiu daquela cabeça na noite de ontem. Nem má, nem boa, nem mais ou menos. Zero.
O primeiro será um mau primeiro-ministro. As suas soluções para a crise não são praticáveis (nem se recomendam) e acabará por ter de abandonar o seu discurso ideológico. O que ficará é o caminho que José Sócrates já está a preparar para o PEC: uma versão moderada de uma má receita. O segundo não será primeiro-ministro. Não é difícil imaginar como José Sócrates o faria em fanicos em qualquer debate televisivo.
De resto, o problema de Passos Coelho é a sua falta de currículo para ser primeiro-ministro. Já vimos onde isso acaba. O problema de Paulo Rangel é a sua falta de ideias para nos governar. Sabemos onde isso nos leva. Aos dois juntos falta o mesmo que a José Sócrates sozinho: um tem a falta de passado, o outro de futuro.
Não sei se é desta que a direita encontra o líder que precisa para chegar ao poder. Ou talvez nem precise. Já nos habituámos a ver o poder cair de maduro no colo de gente que não o merece.