A fazer fé na imprensa, Jardim Gonçalves, o antigo homem forte do BCP, já terá devolvido carros e os 40 seguranças que tinha negociado para o seu plano reforma. Ficou igualmente sem direito ao avião, um fantástico Falcon 2000, que a instituição lhe disponibilizava. As viaturas e o jacto já estarão paradas, os seguranças no desemprego e o ex-presidente do maior banco privado português aterrorizado, sem saber como sair à rua sem ouvir um armário musculado de óculos escuros dizer que o "Águia 1 está a deixar o ninho" em direcção ao seu Falcon de 14 poltronas cabedal crème brûleé apontado à Riviera francesa. Moral? Os banqueiros são bons a preparar os seus PPR mas uns medrosos. Não são da mesma estirpe dos políticos...
Ainda há dias se soube, pelos jornais, que a administração do BES adquiriu e publicitou um gadget anti-sequestro. Pelo que deu para ver, parecia um enorme comando de garagem com um botão de pânico. Ou seja, quando sua ex.ª está ser raptada (saco preto na cabeça e murraças na pança) leva a mão ao bolso ou ao meio dos papéis de crédito malparado, encontra o comando e acciona o botão que resolve - sabe-se lá como - a tramóia. Não estou muito ligado ao mundo dos sequestros mas parece-me grupe: se um administrador de banco for homem perde o comando da TV ao fim de meia hora, nos confins do sofá. Pelo que o aparelhito só serve para se sentirem mais seguros quando dizem que a economia vive de confiança. Pelo que podia ser pó de corno de rinoceronte. Era o mesmo.
Mas também se sabe do uso que esta clique faz dos jactos para ir à neve ou para raides de compras em Nova Iorque e da sua repugnância pelas viagens na 'carreira'. Ainda há poucas décadas a 'carreira' era o machimbombo da Rodoviária Nacional. Pois agora a 'carreira' é o voo da Tap, mon dieu! Não o low cost, mas o voo regular. Como mudou o mundo dos transportes em Portugal!
Questões políticas e marketeiras à parte, não é qualquer um que tem fibra para ser Presidente ou primeiro-ministro. Dificilmente os banqueiros serviriam. É preciso tê-los no sítio. Ou tê-los! Não basta uma boa condição física para aguentar as campanhas eleitorais, estômago para rissóis, tripas e chanfanas, ser livre de fobias, conseguir tocar, mexer, entrar em locais fechados, altos, abertos, escuros, abafados, suadiços. É preciso ser rijo e ter fibra.
Exemplo: há vários anos que Cavaco e Sócrates jogam o 'cobardolas' com os três Falcon 50 da Força Aérea. Todos sabem que os aviões estão caducos e em iminente risco de cair e até os bancos estão rotos. Cada vez que levantam voo colocam em risco uma instituição democrática portuguesa. Mas mesmo assim tanto Cavaco como Sócrates têm voado neles. É d'homem! Freitas foi-se abaixo como MNE. Amado praticamente tem a cabeleira toda branca... Falconite aguda...
Há quem defenda que tanto o PR como o PM se deviam limitar às 'carreiras' e deixar para outra altura a compra de aviões de 27 milhões de euros. E lembram mesmo que Tony Blair chegou a viajar em low cost e que não precisamos de minis Air-Force One.
Mas a questão é que há efectivamente questões de Estado e da UE que vão impor deslocações urgentes e rápidas. E a renovação da frota já foi aprovada por todos os partidos em 2008. Apenas o PCP levantou alguns pruridos por cobardia: por um lado tem medo das críticas do seu eleitorado mas por outro tem medo que Sócrates ou Cavaco morram num acidente.
Ora o Presidente angolano vai ter um ainda maior que o dos EUA. Sarkozy comprou há seis meses um luxuoso Dassault Falcon 7X de 70 milhões de euros que baptizou com o nome "Carla One". Ninguém quer que tenhamos um luxuoso 'Cavaca 1' mas seria boa ideia deixar Sócrates fazer o que ele sabe fazer bem: um telefonema aos bancários que substituíram os banqueiros no BCP. E rapidamente o Estado português teria um Falcon 2000 que têm para lá encalhado.
Carla One
Segue aqui o link para que se possa ajudar a FA a escolher os melhores Falcon. Não precisa ser como o que Sarko 'dedicou' a la Bruni mas que pelo menos seja uma compra inteligente e não como os 12 helis que custaram milhões mas pararam por falta de peças no contrato 'couves por armas', como lhe chamou Santos Silva. O preço? Uma agradável surpresa. Basta ver que em 2009, o Tribunal de Contas para apenas cinco obras (da casa da Música ao Túnel do Rossio) contabilizou 241 milhões de euros em derrapagens - haverá certamente uns 80 milhões para aterragens.
http://www.dassaultfalcon.com/index_flash.jsp
Texto publicado na edição da Única de 9 de Janeiro de 2010