Por decisão própria ou aconselhado por uma agência internacional de relações públicas, o Governo português atrasou a apresentação do Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC), aparentemente para sublinhar de novo que a situação nacional e a grega são completamente diferentes. A intenção pode ter sido a melhor. Mas, como o mundo continua a rolar, a Grécia apresentou entretanto esta semana a terceira versão do seu pacote de combate à crise, desta vez bastante draconiano: corte de um terço nos subsídios de Natal, Páscoa e férias dos funcionários públicos (cujos salários já tinham sido congelados); subida do IVA de 19% para 21%, bem como dos impostos sobre combustíveis, tabaco e bebidas alcoólicas; e congelamento das pensões. Tornou-se assim mais credível a intenção da Grécia de reduzir este ano em quatro pontos (!) o défice orçamental, de 12,7% para 8,7% do PIB.
Ora o nosso défice este ano só será reduzido em um ponto percentual. Por isso, o PEC nacional tem de conter medidas que convençam os mercados de que elas serão necessárias e suficientes para Portugal conseguir reduzir o défice orçamental para menos de 3% em 2013. Isso quer dizer que não basta o anunciado congelamento salarial dos funcionários públicos e das administrações e trabalhadores das empresas do Estado. Infelizmente, vai ser preciso ser mais duro, porque se as medidas não convencerem os mercados, os fundos especulativos voltarão a apostar em força na queda das obrigações nacionais. Mas não nos iludamos. O PEC é só o início do caminho. Dar os passos necessários para construir uma economia muito mais competitiva é que se torna fundamental.
As eleições no PSD
As elites não gostam, mas as eleições directas para presidente do PSD permitem avaliar publicamente a capacidade dos candidatos. E nesta primeira semana há uma surpresa: onde se esperava que Paulo Rangel esmagasse os adversários, foram estes - Passos Coelho e Aguiar Branco - que surpreenderam pela positiva. Ainda falta muito caminho. Mas já é claro que não há uma passadeira vermelha à espera de um dos candidatos.
Suicídio na escola
O que justifica que um miúdo de 12 anos se suicide? Aparentemente, repetidas agressões físicas e verbais de colegas mais velhos que lhe exigiam dinheiro. Estranho é que ninguém soubesse de nada, nem o conselho directivo da EB 2.3 Luciano Cordeiro, de Mirandela, nem a Associação de Pais, nem a Comissão de Protecção de Crianças e Jovens. Pelos vistos, há um mundo subterrâneo que escapa à normalidade e que é povoado por seres amorais.
Texto publicado na edição do Expresso de 6 de Março de 2010