É com a maior perplexidade que se lê a notícia de que o Ministério da Saúde está a aliciar os médicos reformados a regressar ao serviço.
Ora, durante muitos anos as reformas antecipadas só eram concedidas àqueles cuja substituição não era necessária. Caso contrário, não só se perderia a experiência acumulada pelos profissionais como quase se duplicaria a despesa: a reforma, mais o vencimento do substituto.
Actualmente, porém, a saída dos funcionários é uma decisão individual, sem qualquer relação com o interesse do serviço.
O facto de este Governo ter alterado sucessivamente as regras da aposentação e continuar a anunciar novas alterações com grave inversão de expectativas provocou uma insegurança tal que conduziu à saída de milhares de funcionários públicos, nomeadamente médicos.
Por isso se apregoa que o seu número diminuiu, mas em muitos casos mantêm-se ao serviço, apenas com estatuto diferente, não contando assim para as estatísticas.
Se a evolução destas é uma ficção, a consequência social e financeira é uma realidade.
Decisões políticas sem prever os efeitos são quase sempre um desastre.
É o caso.
Texto publicado na edição do Expresso de 6 de Março de 2010