Já sabíamos como pode ser explosiva uma combinação de maus anos agrícolas com um aumento de procura de matérias-primas.
Já sabíamos como a subida dos preços dos bens essenciais, produtos tão básicos como o pão e o combustível, é catalisadora de protestos, ainda maiores quando se trate de economias mais pobres.
Já sabíamos que há economias onde aumentar o preço do pão corresponde a aumentar o preço da subsistência, que se deve medir não na inflação mas na quebra de segurança alimentar.
Atualmente (e de novo) combina-se o aumento da procura de bens essenciais (retoma, novos milhões de consumidores), com uma escassez de oferta (mau ano agrícola) e movimentos especulativos nos mercados de matérias-primas, em particular no trigo (ou pelo menos assim se adivinha).
No mínimo, voltará ao debate a controvérsia sobre a expansão dos biocombustíveis e a segurança alimentar, que exigirá a alteração da perceção sobre a produção e consumo de biocombustíveis. Parece-me claro: A indústria dos biocombustíveis não pode basear-se em quaisquer commodities fundamentais para a segurança alimentar, sem incorrer no risco de forte perturbação social.
Mas o debate deverá ir mais longe, confrontando-nos com o essencial: a mudança do paradigma energético.
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Nota
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