13/02/2012 atualizado às 18:42
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Câmara de Lisboa

Tripés de máquinas de filmar precisam de licença

Fiscais e polícias municipais identificaram, com vista à aplicação de coimas, um utilizador de câmara de filmar com tripé que não possui licença de ocupação da via pública. Jornalistas da SIC e da RTP foram visados.

Paulo Paixão
21:34 Sexta feira, 15 de fevereiro de 2008
Filmar em Lisboa só mesmo com câmara ao ombro, mesmo que se esteja a trabalhar
Filmar em Lisboa só mesmo com câmara ao ombro, mesmo que se esteja a trabalhar
Luiz Carvalho

António Limão, repórter de imagem da RTP, nem queria acreditar... "Isto deve ser para os Apanhados", pensou para os seus botões. Na quinta-feira de manhã, quando filmava no Terreiro do Paço, em Lisboa, acompanhado pelo jornalista Luis Fonseca, foi abordado por um fiscal municipal. Este perguntou-lhe se tinha licença de ocupação da via pública, pois estavam a utilizar uma câmara com tripé.

Os jornalistas nunca haviam escutado semelhante coisa. O microfone tinha o símbolo da RTP, suficiente para os identificar. Mesmo assim, mostraram as respectivas carteiras profissionais e invocaram os direitos que advêm do exercício da profissão. "O tratamento é igual para todos", disse-lhes o fiscal. E informou que actuava ao abrigo de "um regulamento que existe na Câmara desde 1991". De acordo com estas normas, quem for apanhado sem licença de ocupação da via pública paga uma coima entre um e 4,5 salários mínimos.

À desconfiança inicial de António Limão seguiu-se a perplexidade. Aquilo era a sério. E depois a tensão tomou mesmo conta da conversa. Antes que a discussão azedasse, por iniciativa dos jornalistas, os três dirigiram-se a um agente da polícia municipal, que estava próximo. A autoridade fardada confirmou as informações do fiscal à paisana.

Como já haviam filmado os planos em agenda, a coisa resolveu-se à boa maneira portuguesa. "Vão-se lá embora... Eu digo ao meu superior que já sairam daqui", afirmou o fiscal, segundo relata Limão.

Minutos antes, a poucos metros de distância, coubera a Carlos Santos, formador numa escola de audiovisuais, ser advertido que não podia usar uma câmara com tripé. "Só ao ombro", esclareceu o fiscal.

Santos recusou dar a sua identificação, quando ela lhe foi pedida. O fiscal chamou então um elemento da Polícia Municipal, que autuou o formador. De seguida, o funcionário à civil tirou-lhe uma fotografia ao equipamento (o tripé da câmara de filmar), para instrução do processo. Os autuados (Carlos Santos e a instituição para a qual trabalha) aguardam agora a chegada do correio.

A coima pela contra-ordenação de "ocupação da via pública desprovida de licença" está bem explicada no "Regulamento Geral de Mobiliário Urbano e Ocupação de Via Pública", o edital 101/91. Este "aplica-se a toda a ocupação da via pública, qualquer que seja o meio de instalação utilizado, no solo ou no espaço aéreo".

Numa leitura não exaustiva do regulamento, respigam-se exemplos de estruturas em questão. Ele há esplanadas (abertas e fechadas), estrados, guarda-ventos, quiosques, bancas (de vendas de jornais e revistas, de venda de artesanato, e de engraxadores). Ele há também bancas de apoio à venda ambulante ou a mercados de levante. E há igualmente toldos, alpendres, vitrinas, sanefas e palas. À vista desarmada, não se observam tripés. Mas que sim, dizem os fiscais.

Carlos Santos é igualmente repórter de imagem da SIC. Não foi, contudo, nessa qualidade que estava no Terreiro do Paço, nem em momento algum invocou esse título junto das autoridades municipais. Mas na estação de televisão há quem já tenha sentido necessidade de o fazer. É o caso dos jornalistas Anselmo Crespo e Diogo Sentieiro.

Em Janeiro, encontravam-se na Baixa, frente à sede do BCP, num dia de grandes movimentações no banco. "Uma fiscal municipal veio ter connosco e pediu para tirar uma fotografia ao nosso tripé, pois não tínhamos autorização para o colocar na via pública" - conta Anselmo Crespo. Os jornalistas informaram que estavam a trabalhar; a fiscal replicou que continuavam sem licença.

Crespo contactou a SIC e deu conta do episódio. No terreno, tudo de resolveu de forma peculiar. Como era a fotografia do tripé que a fiscal queria mesmo - "precisava da foto, para se justificar junto do seu chefe, segundo nos contou", recorda Crespo -, assim se fez. O tripé foi fixado para a posteridade, mas não os jornalistas, a quem nem sequer foi pedida a identificação. A funcionária bateu a chapa e os repórteres voltaram ao trabalho.

O Expresso contactou, sexta-feira à tarde, a Câmara de Lisboa, para obter comentários e mais informações. Foi impossível saber se estas abordagens são recorrentes (ou, ao inverso, se são situações singulares). Fonte oficial disse "desconhecer os casos concretos" referidos. Assegurou que "não há qualquer determinação objectiva para a polícia ou para os fiscais" no sentido de actuarem do modo descrito. Mas uns e outros "existem para fazer cumprir as leis e os regulamentos", sublinhou a mesma fonte. Por outro lado, um conjunto de questões dirigidas pelo Expresso ao Comandante da Polícia Municipal não obtiveram qualquer resposta.

Dos três casos, dois envolvem jornalistas no exercício da profissão. O presidente do respectivo sindicato, Alfredo Maia, teve dificuldades em comentar à situação, tais as gargalhadas que o relato da mesma lhe provocaram. A custo, sempre disse, de forma cautelosa: "A ser verdadeira, é uma prática inacreditavelmente ridícula. E se, com muito esforço, a quisésemos levar a sério, só a poderíamos entender como a imposição de uma autorização admnistrativa prévia ao exercício de um direito constitucional" (o direito de informar). Ora, conclui Maia, já muito a sério, isso "configuraria um ataque grosseiríssimo e grotesco ao estado de Direito".

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Ora bolas...
Dunca (seguir utilizador), 2 pontos , 9:57 | Sábado, 16 de fevereiro de 2008

Eles, os políticos da câmara de Lisboa, têm que arrumar emprego para os amigos. E receitas também...
 
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Caça á Multa
Medico49 (seguir utilizador), 1 ponto , 1:42 | Sábado, 16 de fevereiro de 2008
Só neste país mesmo. Até parece anedota. Mas digam-me lá! A camara de Lisboa , tambem vai multar quem anda com bengalas? Sejam os cegos ou os coxos??!! A bengala também ocupa espaço publico! Guarda chuva quando pousado com a ponta no chão idem! Já agora um sapato tambem! Será que vai haver uma licensa para quem anda em Lisboa , de sapatos , de bengala ou de guarda chuva? Isto é demais! Se não fosse tão triste , dava vontade era de rir! Já não sabem aonde devem ir buscar dinheiro? Bolas!!! Que vergonha!
 
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1º de Abril
Izanagui (seguir utilizador), 1 ponto , 1:47 | Sábado, 16 de fevereiro de 2008
Sò pode. estão a brincar com os leitores. Isto está mal...mas tanto...Não...Não acredito...é brincadeira. E será que cegos terão que ter alguma licença especial pela "ocupação" da bengala no espaço público? Só faltou mesmo dizer que o fiscal também os multou! Estes jornalistas do Expresso são cá uns brincalhões?? Se os leitores levassem a sério a notícia até a licença de isqueiro no tempo de Salazar era mais democrática que isto. A população sabe que isto da democracia é só fachada...mas tanto?
Pior...pior... com estas idéias o Governo ainda é capaz de as por em prática...por isso brinquem com outras coisas..

 
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Filhos da Puta da Camara Municipal de Lisboa.
Viking3000 (seguir utilizador), 1 ponto , 4:48 | Sábado, 16 de fevereiro de 2008
Isto ja nao e um Pais. Isto e uma casa de Putas a soldo de meia duzia de chulos.

O que e que os filhos da Puta da CML tem a ver com os tripes que os cidadaos possam querer usar na via publica?

Eu se algum dia me aparecer algum desses filhos da Puta da CML, seja ele fiscal ou bofia, esta fodido. Parto-lhe logo os cornos e enfio-lhe um tiro de cacadeira.
 
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    Re: Filhos da Puta da Camara Municipal de Lisboa.    Ver comentário
NJP (seguir utilizador), 1 ponto , 7:04 | Sábado, 16 de fevereiro de 2008
    Re: Filhos da Puta da Camara Municipal de Lisboa.    Ver comentário
Dunca (seguir utilizador), 2 pontos , 12:32 | Sábado, 16 de fevereiro de 2008
LOLOLOL!!!
sopa de letras (seguir utilizador), 1 ponto , 9:51 | Sábado, 16 de fevereiro de 2008
eheh... imaginem um zeloso fiscal, cumpridor da lei, a autuar todas as mamãs que desfrutam dum dia de sol nos jardins públicos da capital, com os seus rebentos nos carrinhos de bebé... «minha senhora, onde está a licença do carrinho? Está a ocupar a via pública, tem de pagar licença...»
 
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Mutas leis para lei nenhuma.
posmoderno (seguir utilizador), 1 ponto , 9:59 | Sábado, 16 de fevereiro de 2008
A situação do tripé tal como é descrita é ridícula. Nem pode ser enquadrada como ocupação da via pública. O tripé integra o conjunto do equipamento de reportagem, não é colocado na via pública, move-se na via pública. No caso dos fotógrafos ambulantes que montavam, e montam, o equipamento na rua, para fazer negócio, talvez a situação da licença se possa aplicar. Como outro a comerciante quaquer. Já agora, as cadeiras de rodas e os carrinhos de bebé, também precisam de licença?
 
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Não tem mais nada com que se preocupar!
pbastos (seguir utilizador), 1 ponto , 11:44 | Sábado, 16 de fevereiro de 2008
Realmente é surreal ver multar alguém por utilizar um tripé. Alguns cérebros também ocupam demasiado a via pública.

Aviso: Se alguém utilizar palito após o almoço, não o deixe cair ao chão. Se fica espetado entre duas pedras da calçada é multa na certa!!

O comentário anterior do Vicking3000 é que também é surreal e despropositado. Há formas de dizer as coisas sem ser com este tipo de linguagem. Confesso que ao passar os olhos por estes comentários fiquei... (como dizer?!) ... chocado!!
 
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    Re: Não tem mais nada com que se preocupar!    Ver comentário
Dunca (seguir utilizador), 2 pontos , 12:38 | Sábado, 16 de fevereiro de 2008
Ridículo
Cynicus (seguir utilizador), 1 ponto , 12:05 | Sábado, 16 de fevereiro de 2008
Até onde pode chegar o rídículo!
 
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Meus caros amigos...
Com.ta tranquilidade (seguir utilizador), 1 ponto , 13:44 | Sábado, 16 de fevereiro de 2008
... ainda não perceberam que era para os "Apanhados"???
 
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    Re: Meus caros amigos...    Ver comentário
Medico49 (seguir utilizador), 1 ponto , 23:02 | Sábado, 16 de fevereiro de 2008
O "bobi" tripé
Justinosmm (seguir utilizador), 1 ponto , 13:01 | Domingo, 17 de fevereiro de 2008
Meus amigos, para tirar fotografias sem licença em Lisboa, tenho um método infalivel.
Como andar com o cão por aí a passear e a deixar biscoitos na rua ainda não é fiscalizado, (é mais importante fiscalizar tripés porque são muito menos higiénicos) vamos a uma qualquer loja de moda canina comprar uma trela e, quando for necessário, levamos o nosso "animal" a passear. Assim quando nos aparecer o "fiscal da treta", sempre podemos dizer que é o nosso animal de estimação.
 
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