10/02/2012 atualizado às 16:53
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Tributo social contra a fraude à assistência pública.

A vantagem assumida do tributo social é a sinalização de que a solidariedade tem dois sentidos. Mas há outra.

Vasco Campilho (www.expresso.pt)
13:34 Terça feira, 13 de abril de 2010

Uma das novas propostas do PSD que mais tinta tem feito correr é o "tributo social". Resumidamente, o que se propõe é que os beneficiários de subsídios como o Rendimento Social de Inserção ou o subsídio de desemprego possam retribuir o esforço solidário da sociedade com o seu próprio esforço solidário, mediante algumas horas de trabalho prestado no âmbito de instituições de apoio social.

Faz todo o sentido este tributo social, desde logo pelo seu aspecto de justiça simbólica. O simbolismo desta medida diz pouco a quem, como eu, aufere um rendimento acima da média nacional e se ofusca prioritariamente com prémios de gestão milionários a que falta a verosimilhança do mérito. Mas diz muito a quem trabalha de Sol a Sol a esfregar escadas, e vê vizinhos seus a viver uma vida de ócio ou de marginalidade, e a receber do Estado o mesmo ou mais. Esses trabalhadores também merecem ter a confirmação de que não se enganaram ao escolher uma vida de trabalho. E se as vicissitudes do desemprego e da (maior) pobreza os atingirem, não serão por certo as horas de tributo solidário que os afligirão.

Já a quem não escolheu uma vida de trabalho, e se tornou num profissional da maximização da assistência pública, esta medida aflige muito mais do que mil discursos sobre "mais fiscalização". Na realidade, para quem acumula subsídios com actividades não-declaradas ou ilegais, não podia haver pior notícia do que ter de dedicar algumas horas a trabalho solidário. Para muitos poderá mesmo valer a pena desistir do subsídio para se poderem continuar a dedicar ao ofício que com ele acumulavam. O que se deverá traduzir numa redução da fraude sem aumento dos custos da fiscalização. E isso faz todo o sentido.

Palavras-chave  Blogues, Política, Portugal 2009
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Faz sentido e traz resultados
tocaafalar (seguir utilizador), 2 pontos , 15:00 | Terça feira, 13 de abril de 2010
Eu diria mesmo, com um tiro podemos matar dois coelhos. (Embora não seja caçador, esta foi a metáfora que me surgiu).
Obrigar quem recebe, em certos casos, Rendimento de Inserção Social, há mais de 10 anos a fazer trabalho comunitário, pode efectivamente combater a economia paralela.
O Governo só não aproveitará a ideia, se efectivamente não tiver interesse em combater eventuais fraudes que todos sabemos existirem.
 
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A "chaga" do consumidor final..
Fernando Torres (seguir utilizador), 2 pontos , 15:31 | Terça feira, 13 de abril de 2010
Existe a hipotese de se adquirirem materiais e peças na qualidade de consumidor final..
Mas existe tambem a possibilidade (e conheço exemplos) de essas aquisições nesses termos serem transformadas em proveitos "limpinhos" de impostos..
Há anos que me insurjo contra o "consumidor final"..faz algum sentido que um qualquer profissional esteja a receber subsidio por inactividade e vá comprar o que necessita para desenvolver actividades não oficialmente remuneradas ?..
Cada subsidiado tem um NIF..todas as empresas fornecedoras teem que emitir factura..
Um subsidiado hoje compra peças pra um Ford..amanhã pra um Fiat..depois para um Citroen..e por aí fora..serão seus tantos carros de marcas e modelos diferentes ?..aposto que não..
Temos ainda a hipotese de apuramento..recebe X e gastou X em materiais..apresente os materiais..
Manuela Ferreira Leite pretendeu de forma desastrosa onerar quem trabalha legalmente com o tal imposto por rácio quando a solução é tão simples :
-Acabar com o estatuto de "consumidor final" e fazer um cruzamento cuidado de dados aos NIF dos subsidiados..
-Fiscalização mais apertada..
O que não faltam por aí são subsidiados a trabalhar..
É que quando alguém engana..engana-nos a todos..
Já tinha abordado isto http://clix.expresso.pt/g... =view#2437763
 
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