O Tribunal de Torres Vedras emitiu hoje novo despacho autorizando as imagens que ontem mandou retirar, informou o responsável pela produção do Carnaval.
"Esta polémica serviu acima de tudo para ressuscitar estas características que diferenciam o nosso Carnaval. Aqui reina a crítica, a sátira social e a imaginação, não há lugar para a censura", disse hoje à Lusa Sérgio Lopes.
"Em Torres Vedras não há escolas de samba nem estrelas de televisão a desfilar. Há reis (dois homens da terra), ministros, matrafonas, figuras da política nacional e estrangeira (bonecos gigantes que desfilam nos corsos) e cada um é convidado a mostrar a sua criatividade", acrescentou.
Sérgio Lopes afirmou ainda que a decisão do Ministério Público, que após ter recebido uma queixa de um cidadão ordenou a retirada de um autocolante que servia de ecrã do computador, e onde se viam algumas imagens de nus femininos, "projectou o Carnaval de Torres Vedras no país e no estrangeiro".
"Hoje podemos ler comentários on-line de pessoas que estão nos mais variados pontos do globo, desde Berlim, à China e ao Japão e que gostavam de cá estar", observou.
Após ter recebido a ordem judicial, o presidente da Câmara de Torres Vedras convocou os reis, a Real Confraria do Carnaval e vários mascarados que andavam na cidade para assistirem ao cumprimento da decisão do Ministério Público.
Na altura ouviram-se comentários como: "esta é a primeira vez que o Tribunal participa no Carnaval".
Apesar de alguma revolta, o autarca alegou que "os conteúdos tinham alguns nus mas não podiam ser considerados pornográficos" e que o cumprimento da decisão foi marcado pela boa disposição.
"A organização não vai fazer qualquer aproveitamento desta questão, não vão ser produzidos lápis azuis ou outros objectos ligados à decisão da procuradora mas incentivamos à imaginação dos foliões que venham cá desfilar", disse, por seu lado, António Esteveira, presidente da Promotorres, a empresa municipal que produz o Carnaval.
A organização avisa desde já que além do Magalhães "censurado" não vão faltar no Carnaval figuras desde Obama a José Sócrates.
Num dos carros alegóricos vão poder ver-se algumas cenas de um "casamento de conveniência" entre José Sócrates e Hugo Chavez. Os dois políticos aparecem nas 'nuvens' tendo Mário Lino e Manuel Pinho como anjos da guarda.
A organização espera que até ao fim dos festejos, que começaram hoje com o desfile de 8.000 crianças, passem 300 mil pessoas pela cidade.