O número de interrupções voluntárias da gravidez ficou muito aquém das 20 mil estimadas. Neste caso, a Lei do Aborto foi uma vitória?
Sim. Houve um discurso demagógico que defendia que as mulheres portugueses seriam insensatas e iriam abortar em massa.
Portugal ficou mais próximo dos outros países europeus?
É um progresso, porque as mulheres eram tratadas como criminosas. Esta lei foi, de facto, um salto civilizacional.
Acredita que o aborto ilegal acabou?
Penso que não, porque o estigma continua a existir, ainda há uma grande pressão nas mulheres que decidem interromper a gravidez, e muitas não sabem onde se dirigir. Continua a existir um problema de informação e de acesso aos serviços de saúde. Por isso, é preciso trabalhar noutras frentes.