Do prato ao campo. Investigadores portugueses descobriram que o tremoço
, aperitivo muito popular nos países mediterrânicos, tem uma proteína de alto valor nutritivo com propriedades fungicidas, de toxicidade zero para os humanos.
Novo fungicida amigo do ambiente já está a ser produzido, em fase piloto, pela CEV- Consumo Verde Biotecnologia das Plantas SA, empresa situada no parque industrial do Seixal criada para este fim.
O produto que não contamina os lençóis freáticos nem provoca danos à saúde humana - considerado revolucionário pela grande capacidade de resistência ao calor e aos raios ultra violeta -, foi apresentado no 28º Congresso Mundial de Horticultura
, que decorreu esta semana em Lisboa com a participação de 110 países.
Fase de certificação
Por enquanto, estão a ser produzidas apenas as quantidades necessárias do tremoço fungicida para demonstrar a não toxidade e a eficácia - sendo um fitofarmacêutico necessita de certificação na Europa e EUA - e, também, para testes em clientes-piloto.
A proteína blad do tremoço, de onde é extraído o novo fungicida, foi descoberta em 1991 pelos cientistas Ricardo Ferreira, do Instituto de Tecnologia Química e Biológica (ITBQ), e Virgílio Loureiro, do Instituto Superior de Agronomia (ITBQ).
Segundo a engenheira agroindustrial Sara Monteiro, diretora técnica da CEV, o novo fungicida poderá ser a solução para a saúde dos campos de relva, em especial dos estádios de futebol e campos de golfe, contribuindo também para revitalizar a cultura do tremoço em Portugal.