Em 2008, foram colocados cerca de 300 mil trabalhadores com vínculos temporários
Os trabalhadores temporários colocados serão menos em 2009, com o sector a recuperar da crise, mas as receitas dos operadores deverão aumentar, estimou o presidente da Associação Portuguesa das Empresas do Sector Privado de Emprego (APESPE
).
"Se temos uma quebra de emprego e, simultaneamente, um acréscimo de receita, significa que estamos a falar de emprego mais qualificado", explicou em declarações à agência Lusa, o presidente da APESPE, Marcelino Pena Costa.
Segundo o responsável, depois de uma quebra de 20% no primeiro trimestre do ano, o segundo trimestre foi marcado por uma recuperação e a partir de Agosto/Setembro a actividade terá aumentado entre 10 e 12%.
Em 2008, de acordo com as contas da APESPE foram colocados cerca de 300 mil trabalhadores com vínculos temporários.
Subida ligeira até ao final do ano
"Com os investidores e os empresários a demonstrarem algum regresso à confiança, os primeiros a serem despedidos, que foram os trabalhadores temporários, serão certamente agora os primeiros a serem contratados", estimou.
Desta forma, Marcelino Pena Costa estima que o número de trabalhadores colocados suba até ao final do ano, ainda que de uma forma ligeira, uma vez que "a crise ainda se faz sentir e os problemas não estão resolvidos".
Sectores com mais saída
As vendas, comunicações (operadores de 'call center') e novas tecnologias são os sectores actualmente com mais saída, enquanto a construção civil e a indústria em geral são os "mais difíceis".
Os serviços - um sector onde se temia bastante a redução dos postos de trabalho, em especial ao nível das grandes superfícies - tem conseguido manter os níveis de emprego, assim como o turismo, que teve um bom desempenho, sobretudo nos meses de Agosto e Setembro, referiu.
O também presidente da Manpower, rejeita associar o trabalho temporário à precariedade laboral, referindo que este tipo de vínculo tem claras vantagens, quer do lado das empresas, quer do lado dos trabalhadores, como a rapidez na colocação.
O responsável da APESPE alertou, contudo, para o facto de continuar a existir ilegalidade e "concorrência desleal" no sector, com muitas empresas "de vão de escada" que deveriam ser obrigadas a licenciar-se.