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Tartaruga com 1,97 metros deu à costa em Alcobaça

Uma tartaruga de Couro, a maior espécie de tartaruga oceânica, apareceu morta na praia da Mina, em Paredes, concelho de Alcobaça, ao final da tarde do passado dia 28 de Janeiro. Com 1,97 metros de comprimento, o exemplar é uma verdadeira relíquia dado que pertence a uma espécie que "tem uma distribuição geográfica vasta, com excepção das zonas polares, mas da qual há poucos exemplares, sobretudo desta dimensão", explicou à Gazeta das Caldas a bióloga da Câmara de Alcobaça, Sofia Quaresma.

Gazeta das Caldas / Joana Fialho
8:00 Sexta feira, 5 de fevereiro de 2010
Gazeta das Caldas - Tartaruga com 1,97 metros deu à costa em Alcobaça

O corpo do animal foi encontrado na quinta-feira por um pescador que avisou os serviços da autarquia. Sofia Quaresma pensa que a tartaruga já ali estaria pelo menos desde a noite anterior, mas a praia onde deu à costa não tem acesso directo e é muito pouco frequentada. A autarquia iniciou de imediato contactos com diversas entidades, tanto da área museológica como das ciências, no sentido de salvaguardar que o animal era preservado para fins pedagógicos e científicos. "Apenas o Museu Nacional de História Natural nos respondeu, prontificando-se a vir recolher o animal na sexta-feira", contou Sofia Quaresma. Numa primeira análise ao animal, feita nesse mesmo dia, a bióloga encontrou apenas traumatismos de contacto. "Não tinha golpes profundos, nem fendas, nem rasgões que indiciassem contacto com redes de pesca, a causa de morte número um nos animais marinhos", explicou disse a bióloga.

Mas o estado de deterioração em que a tartaruga se encontrava e o seu peso, que ascendia a mais de 300 quilos, acabaram por impedir que a equipa do Museu a transportasse nesse mesmo dia e acabou por ser a Junta de Freguesia de Pataias e assegurar o transporte até Lisboa. Só então a necropsia, feita já no Museu de História Natural pela equipa de Jorge Prudêncio, revelou a existência de redes de pesca no interior do estômago da tartaruga, mostrando o que a matou.

"O oceano está cheio de redes e são os animais que mais sofrem", lamenta Sofia Quaresma. A tartaruga fará agora parte de uma exposição itinerante que está a ser preparada pelo Museu que a recolheu e que será inaugurada em Alcobaça.

Recolha de informações sobre animais é rara

Satisfeita pelo destino da tartaruga que deu à costa em Alcobaça não ter sido a incineração, a bióloga confessa que a esmagadora maioria das espécies que aparecem na costa portuguesa não tem a mesma sorte. "É muito grave que em muitos dos municípios do país os animais sejam enterrados nos areais das praias. O que acontece depois é que no Verão estamos sentados em cima de animais que estão em decomposição durante dez ou mais anos", aponta.

A realidade em Alcobaça é bem diferente. Desde 2004 que Sofia Quaresma está a levar a cabo com a veterinária municipal, Alzira António, um trabalho de recolha de informações e de amostras de todos os animais que aparecem na costa do concelho, 78 a contar com o da passada semana, de oito espécies diferentes, sobretudo baleias e golfinhos.

"Fazemo-lo porque estes eventos permitem muita aprendizagem e as amostras que retiramos têm servido para fins académicos e científicos", um trabalho para o qual estão devidamente licenciadas pelo Instituto Nacional de Biologia e Biodiversidade. Quanto à inexistência deste trabalho na maioria dos municípios, Sofia Quaresma diz que "não há meios. Por outro lado a legislação obriga à remoção dos animais, que devem ser enviados para os aterros ou centro de incineração", sendo que actualmente apenas existem dois no país.

O trabalho que está a ser feito em Alcobaça é tão raro que as duas técnicas municipais já foram convidadas para falar do que fazem não só em vários pontos do país, mas também além fronteiras. Em Novembro de 2008 estiveram em França. Segue-se a participação no seminário da Associação Europeia de Mamíferos Aquáticos, que este ano se realiza no Jardim Zoológico de Lisboa entre 12 e 15 de Março, e no encontro da Sociedade Europeia de Cetáceos, na cidade alemã de Stralsund entre 20 e 24 de Março.

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