Os três acusados do assassínio da jornalista russa Anna Politkovskaia foram, hoje, absolvidos por um tribunal militar de Moscovo. Os jurados consideraram que a investigação não reuniu "elementos suficientes" para culpar os irmãos tchetchenos Djabrail e Ibraguim Makhmudov e o ex-polícia Serguei Khadjikurbanov pela morte da repórter, a 7 de Outubro de 2006. Um terceiro irmão, Rustam, igualmente acusado, continua foragido.
Os três homens foram libertados de imediato e, segundo o principal advogado de defesa, vão pedir ao Estado uma compensação por tanto tempo de detenção. "Estou tomado por um sentimento de inacreditável vergonha. Qual o nível da investigação realizada se os jurados decidiram, por unanimidade, considerar os arguidos inocentes?", manifestou-se Vselovod Bogdanov, presidente da União dos Jornalistas da Rússia.
Acusada de ter realizado uma investigação superficial, a procuradora Iúlia Safina anunciou que vai "recorrer da decisão devido a erros cometidos durante o julgamento".
Anna Politkovskaia foi a 13ª jornalista a ser assassinada durante o mandato de Vladimir Putin como Presidente da Rússia. "No plano político, essa decisão é absolutamente desvantajosa para a Rússia", reagiu Nikolai Ziatkov, director do semanário "Argunenti e fakti". "Politkovskaia era realmente um símbolo do jornalismo livre e muitos dos nossos adversários no Ocidente tentam utilizar o seu nome para provar que na Rússia não há liberdade de expressão".
Politkovskaia foi assassinada a tiro, à entrada da sua residência, em Moscovo. Trabalhava para o bissemanário da oposição "Novaia Gazeta" e era dos poucos jornalistas russos que continuava a cobrir o conflito na Tchetchénia e a denunciar as violações aos direitos humanos perpetradas pelas forças russas.