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Suspeição envolve questões de incompatibilidade

Luís Nazaré, presidente da Air Plus, afirma que o "incidente da suspeição" levantado a Carlos Salema envolve apenas questões de "incompatibilidade" legal e não de "honorabilidade".

Anabela Campos
18:50 Segunda feira, 28 de julho de 2008

O "incidente de suspeição" levantado pela Air Plus em relação ao presidente do júri da Televisão Digital Terreste (TDT), Carlos Salema, acusando-o de falta de independência, "não tem rigorosamente nada a ver com questões pessoais", mas apenas com "questões de incompatibilidade", sublinha Luís Nazaré em declarações ao Expresso.

"Este processo não tem nada a ver com questões de honorabilidade, está relacionado com eventuais conflitos de interesse ou de incompatibilidade. Todos nós somos mais generosos com as pessoas que nos são próximas. Há um condicionalismo psicológico, é humano", afirma Luís Nazaré, presidente do conselho de administração da Air Plus, um dos dois concorrentes à Televisão Digital Terrestre (TDT) e candidato derrotado pela Portugal Telecom. A Air Plus levantou um processo de suspeição contra Carlos Salema, invocando que o facto de dois familiares do presidente do júri trabalharem na PT - filha e irmão - retiravam independência à avaliação do júri.

Luís Nazaré esclareceu ainda que a eventual "incompatibilidade" de Carlos Salema só foi levantada depois de sair a avaliação do júri, porque só nessa altura é que a empresa sueca deu conta das relações familiares do presidente do órgão de análise das propostas a concurso com a vencedora do concurso."A Air Plus achou estranha a forma como o relatório falava de uma e de outra proposta, revelando simpatia por uma e antipatia por outra. Foi por isso que decidiu ir ver melhor quem era o júri", explicou.

Analisar manutenção do processo em Tribunal

Os advogados da Air Plus, representados pela social-democrata Paula Teixeira da Cruz, na sequência da saída de Carlos Salema da presidência do júri estão agora a avaliar se devem manter os termos da contestação à decisão da comissão de avaliação das propostas a concurso. A vitória da PT no concurso da TDT foi contestada pela Air Plus, com uma impugnação e uma providência cautelar, alegando a empresa sueca que tinha a melhor proposta e que o júri fez na avaliação das propostas "erros técnicos e enviesamentos grosseiros".

A PT e a Anacom não quiseram comentar a decisão do presidente do júri.

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