13/02/2012 atualizado às 1:11
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'Striptease' marxista

8:00 Segunda feira, 24 de novembro de 2008
Nas universidades portuguesas, podemos ver cartazes que convocam, pela enésima vez, o "regresso de Marx". Para marxistas, neomarxistas e pseudomarxistas, Marx será sempre um Dom Sebastião redentor pronto a sair da poeira levantada pela derrocada da muralha capitalista. Mas tenho de confessar uma coisa: este revivalismo do marxismo lusitano, apesar de tudo, dá-me uma certa pena. Um professor doutor a agir como uma beata de aldeia é um espectáculo que apela à piedade. É que a beata analfabeta e o marxista doutorado partilham a mesma emotividade religiosa. De forma irracional, a beata reza aos seus santinhos; de forma igualmente irracional, o beato vermelho faz colóquios sobre a actualidade de Marx. E isto é comovente. É enternecedor ver tanto desnudamento sentimental num colóquio de gente sofisticada. O marxismo continua a ter aquele apelo religioso que deixa as pessoas 'despidas' em público. Há quem fique irritado com este "striptease" marxista. Eu acho este "striptease" assaz tocante. Ver um doutorado a acreditar numa fé impossível (que causou milhões de mortos no século XX) é algo que desperta em mim uma imensa ternura. A fragilidade humana é uma coisa linda, sobretudo num marxista com estrelas académicas no ombro.

Esta reabilitação de Marx serve os propósitos carreiristas de muitos generais académicos. O tal 'regresso de Marx' é uma maneira de perpetuar o domínio da geração de 1976 nas universidades portuguesas. Desta forma, novos autores como John Rawls, Charles Taylor ou Michael Walzer (e só estou a falar de autores de esquerda) ficarão na gaveta, e as universidades continuarão com a cabeça enterrada na areia marxista que beneficia os professores instalados.

O muro caiu em 1989. Mas o muro não caiu nas universidades portuguesas. Os marxistas portugueses que defendiam a URSS e outros regimes similares permaneceram nos departamentos de humanidades, e continuaram a fabricar mentiras. Além de não assumirem os seus erros históricos, os nossos marxistas contribuíram para a propagação da maior mentira dos últimos 20 anos: a globalização é horrível porque enriquece o Ocidente e empobrece o Resto do Mundo. Esta mentira foi a base de muitas disciplinas académicas durante os longos anos 90 (1989-2008). Como se sabe, a dita globalização enriqueceu o Resto do Mundo e retirou poder relativo ao Ocidente. E, hoje, mais uma vez, os marxistas não admitem que andaram a mentir durante duas décadas. Porquê? Porque já estão a inventar o embuste dos próximos 20 anos: a actual crise, dizem, justifica o regresso de Marx. Os marxistas são assim: saltam de mentira em mentira, tal como um sapo salta de nenúfar em nenúfar.

Sarkozy

Em 'Testemunho' (Guerra & Paz), Nicolas Sarkozy anuncia uma visão do mundo adequada ao nosso tempo. Perante a ascensão das potências asiáticas, o Presidente francês percebeu duas coisas: (1) a Europa está em declínio relativo, logo, (2) Paris deve aproximar-se de Washington. Sarkozy sabe que o antiamericanismo gaulista é um luxo ideológico de uma época eurocêntrica já ultrapassada. Este raciocínio revela um político europeu epistemologicamente preparado para o mundo pós-europeu.

Henrique Raposo

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Brasil
dchiaretti (seguir utilizador), 1 ponto , 13:25 | Segunda feira, 24 de novembro de 2008
Pense então no Brasil! Aqui há ainda um agravante: a tal geração de 1976 é a base para o estudo de direito constitucional... E pobre de quem discordar desse pessoal!
 
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Bem e Mal
amboiva (seguir utilizador), 1 ponto , 19:01 | Segunda feira, 24 de novembro de 2008
Está bem, os «marxistas» vão saltando de mentira em mentira, mas quem é que semeia e planta as mentiras?
Está mal, não há «generais académicos» mas sim Bispos Laicos.
 
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Re: 'Striptease' marxista
paula rosado (seguir utilizador), 1 ponto , 11:53 | Terça feira, 25 de novembro de 2008
Não creio que Sarkozy esteja assim tão preparado como refere o Henrique Raposo. Certamente que a velha arrogância francesa está-lhe no sangue e o antiamericanismo também.
 
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Sarkozy
amboiva (seguir utilizador), 1 ponto , 17:55 | Terça feira, 25 de novembro de 2008
Ascenção só a de Cristo. As potências asiáticas não ascenderam, foram contaminadas com o vírus do "crescimento económico" e estão tramadas. Sarkozy é o tonto de serviço que às vezes consegue fazer bem mas infelizmente nem sempre. Ao menos o nosso Sócrates não usa salto alto.
 
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Marxismo ou globalização, eis a questão!
Trapezio (seguir utilizador), 1 ponto , 19:14 | Terça feira, 25 de novembro de 2008
"Como se sabe, a dita globalização enriqueceu o Resto do Mundo e retirou poder relativo ao Ocidente." (fim de citação)

Ahhhh! Como "nós" gostamos de generalizar, não é verdade? É um facto que a dita globalização - essa palavra que mais não é do que o cavalo de Tróia utilizado pelas multinacionais para conquistar mão-de-obra barata (eu diria mesmo escrava) com o AVAL DOS GOVERNOS e ao mesmo tempo conquistar vastíssimos e potenciais mercados do terceiro-mundo - dizia eu, é um facto que a dita globalização ajudou a "enriquecer" o terceiro-mundo, que você designa por Resto do Mundo e outros experts chamam de emergentes ... Enfim, novos termos para uma Nova Ordem Mundial, mas para mim, a situação, no concreto, permanece muito semelhante ao que já acontecia no tempo da Guerra Fria, ou seja, enriquecer não é o termo que se aplique a vastas camadas da população desses países, até porque quem enriqueceu foi uma pequena faixa da população que já não era propriamente pobre ou então, como no caso da China, eram elementos com fortes ligações à nomenclatura e que, só por esse motivo, beneficiaram da tão falsamente apregoada "abertura" chinesa. Como sabiamente dizia um empresário têxtil que sentiu na pele as más políticas seguidas pela oligarquia portuguesa relativamente aos têxteis, a globalização enriquece os mais ricos dos países mais pobres e empobrece os mais pobres dos países mais ricos. Espreita lá e vê se não é exactamente isto o que está a acontecer ...
 
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Falácia no raciocinio...
Luso1973 (seguir utilizador), 1 ponto , 19:42 | Terça feira, 25 de novembro de 2008
Existe uma enorme falácia no seu raciocinio: supor que uma França que novamente "caia" nas boas graças americanas, adoptando a (velha) aliança euro-atlântica, é uma França virada para o (novo) mundo pós-europeu... a França, e por arrasto a Europa do futuro, caso o queiram abraçar (ao futuro...) e nele ter um papel activo, de relevo, terão forçosamente de encontrar novas alianças, sobretudo a Oriente... um eixo euro-atlântico centrado em Washington e Paris não é sinónimo de uma nova Europa, ou de uma França pós-europeia... é a continuação de politicas internacionais balofas, porque antigas e desactualizadas na sua essência...

E desengane-se quem ache que será pelo simples facto de eleger Obama que de repente os EUA vão voltar a assumir o seu papel de potência-mor da cena internacional: o estrago foi enorme, e está feito... agora poderá ser corrigido, mas nada será como antes!!

Com os melhores cumprimentos.
 
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Este ano,
Caparica Red Neck (seguir utilizador), 1 ponto , 5:08 | Quarta feira, 26 de novembro de 2008
só este ano, o teu neo-bacôquismo vai levar 20.000.000 de crianças à morte!
 
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    Re: Este ano,    Ver comentário
david77 (seguir utilizador), 1 ponto , 15:49 | Quinta feira, 27 de novembro de 2008
Re: 'Striptease' marxista
Madalena Andrade (seguir utilizador), 1 ponto , 12:57 | Domingo, 30 de novembro de 2008
'Ver um doutorado a acreditar numa fé impossível (que causou milhões de mortos no século XX) é algo que desperta em mim uma imensa ternura.' - comunismo malvdo que matou tanta gente! malvadíssimo, terrível, fervoroso, insano! capitalismo justo, transparente, glorioso, generoso! por favor... o capitalismo assassino em que vivemos hoje em dia, tanto no Ocidente em decadadência como nesse novo Oriente a crescer como uma mesa manca - uma das pernas é infinitivamente maior do que as outras três - mata uma criança a cada 3 segundos de pobreza. A fé impossível é fé de que a humanidade é capaz o suficiente de arranjar uma solução melhor para isto.
 
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    É tão bom falar de papo cheio....    Ver comentário
Bruno_Silva (seguir utilizador), 1 ponto , 20:27 | Terça feira, 6 de janeiro de 2009
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