A Sonae SR (retalho especializado) "está a estudar um acordo que envolve sete países", a Sonaecom, na parte dos sistemas, "entra num mercado novo de dois em dois meses", a Sonae MC (Modelo Continente) está a "estudar seriamente a hipótese de investir em Angola" e a Sonae Sierra "vai acelerar o crescimento no Brasil", sublinhou o presidente da Sonae SGPS, Paulo Azevedo, na apresentação dos resultados do grupo.
"Portugal é muito pequenino para a Sonae", afirmou Paulo Azevedo, reiterando que a internacionalização é uma "prioridade estratégica" para o seu grupo e é, simultaneamente, "uma oportunidade e uma necessidade".
Manifestando "enorme orgulho" pelo trabalho desenvolvido em 2009 e pelos resultados obtidos, Paulo Azevedo apresentou indicadores como o aumento de 6% no volume de negócios, para os 5,8 mil milhões de euros, a subida de 8% no EBITDA, para os 667 milhões de euros, e a redução da dívida líquida em 79 milhões de euros (-3%).
Os lucros consolidados aumentaram 17,1%, para 94 milhões de euros, com os resultados líquidos directos a crescerem 11%, atingindo os 171 milhões de euros. O investimento atingiu os 614 milhões de euros, aproximadamente 11% do volume de negócios. O dividendo a distribuir será de 0,0315 euros por acção.
Impostos crescem 80%
Para o Estado, a Sonae viu aumentar em 80% os seus impostos directos, representando cerca de 11% do IVA liquidado em Portugal. "O Estado nem sempre gosta de nós, mas somos importantes contribuintes e cumpridores rigorosos da lei" e as empresas do grupo são alvo de "inspecções fiscais intermináveis", comentou o líder da Sonae.
Paulo Azevedo aproveitou, ainda, a apresentação das contas do grupo para dizer que a Sonae reforçou o papel de maior empregador privado em Portugal, criando 1.935 empregos e proporcionando mais de 1,5 milhões de horas de formação aos seus colaboradores.
"Apesar de ser importante fazer reduções em algumas empresas, nomeadamente no sector público, também é importante que as empresas que têm capacidade de o fazer, ajudem a resolver a situação (do desemprego)", defendeu Paulo Azevedo.
Para 2010, a Sonae decidiu dar um aumento de 4% nos salários abaixo dos 550 euros, sendo o aumento médio no grupo inferior a 2%.
"Prémios chocantes"
À margem da apresentação das contas, o presidente da Sonae SGPS considerou "absolutamente chocantes" os "abusos importantes" na apresentação de prémios aos gestores de algumas empresas pública. "É preciso corrigir isso", diz.
Para Paulo Azevedo, a atribuição indevida de prémios a gestores públicos arrisca "dar mau nome à actividade de administrador e gestor (...) das mais nobres e importantes para a criação de riqueza e de justiça social".
O presidente da Sonae referiu, ainda, o facto de "o Continente sera única das cinco principais cadeias de venda de produtos alimentares em Portugal que é obrigada a encerrar aos domingos à tarde", considerando que isto "prejudica gravemente a concorrência". Assim, diz, a abertura das grandes superfícies ao domingo permitiria à Sonae criar dois mil novos postos de trabalho.