Sócrates garantiu ainda que o licenciamento do projecto não teve "nenhum tratamento de excepção nem de favor"
Tiago Miranda
O primeiro-ministro garantiu hoje em conferência de imprensa no Porto que nunca reuniu e que nem sequer conhece qualquer dirigente do Freeport. "Não conheço Charles Smith", disse o primeiro-ministro, referindo-se ao intermediário do negócio do centro comercial.
O primeiro-ministro disse, o que já tinha afirmado ontem num comunicado enviado à imprensa, que apenas existiu uma reunião e que foi a pedido da Câmara de Alcochete. "Essa reunião aconteceu, foi a única que participei por insistência e por pedido da Câmara Municipal de Alcochete."
José Sócrates justificou a reunião com os chumbos que o projecto Freeport tinha recebido por parte do ministério do Ambiente. "O objecto da reunião foi apenas a apresentação das exigências ambientais que tinham levado ao chumbo do projecto."
Recorde-se que o tio de José Sócrates disse ontem que o sobrinho teve uma reunião no ministério do Ambiente com intermediários do Freeport, a seu pedido.
Hoje, o primeiro-ministro distanciou-se dos negócios do tio materno. "Tenho afecto e estima pelo meu tio. Mas tenho de dizer com clareza que não tenho nada a ver com as suas actividades empresariais."
José Sócrates disse ainda que se algum familiar seu usou o seu nome para benefício pessoal ou profissional "isso é um abuso de confiança", referindo-se a um e-mail que o primo contou ao Expresso ter enviado aos investidores do Freeport, a cobrar a reunião arranjada pelo pai com o então ministro do Ambiente.
"Se existe, como dizem que existe - eu não conheço - um e-mail de um filho do meu tio para o Freeport reclamando uma qualquer vantagem para si invocando o meu nome, considero isso um abuso de confiança. E considero que essa invocação é completamente ilegítima e inadmissível", afirmou. O primeiro-ministro não fez qualquer referência às actividades do primo, nem pronunciou o seu nome.
Em relação ao licenciamento do projecto, Sócrates afirmou que o seu ministério "comportou-se como sempre se comportou". Sobre o tempo que o projecto levou a ser aprovado, defendeu que o ministério já conhecia bem o caso por ter sido chumbado duas vezes. "Rejeito as insinuações de que tenha existido uma pressa inusitada ou uma urgência", sublinhou.
Sócrates garantiu ainda que o licenciamento do projecto não teve "nenhum tratamento de excepção nem de favor", negando que a Zona de Protecção Especial (ZPE) tenha sido alterada para viabilizar o Freeport de Alcochete. "As decisões do ministério do Ambiente foram sempre decisões que obedeceram ao mais estrito cumprimento da lei".
Sobre a saída de notícias com factos da investigação em segredo de justiça, Sócrates afirma que isso acontece para o atingir pessoalmente com o objectivo de o fragilizar politicamente. "Vou lutar para defender a minha honra". E classifica as notícias que o envolvem no caso como calúnias e insultos.
Sempre calmo e disponível para prestar declarações às autoridades, Sócrates manifestou vontade que as investigações sejam rápidas e repetiu várias vezes que: "Se alguém pensa que me vence desta forma está muito enganado".