O secretário-geral do PS visou hoje indirectamente a presidente do PSD, dizendo que não tem credibilidade quem ataca jornalistas só porque as notícias são desagradáveis e quem muda de posição por "conveniência" sobre a alta velocidade ferroviária.
As palavras de José Sócrates foram proferidas no Centro Cultural de Belém, durante a apresentação da sua moção de orientação política para o congresso do PS, entre 27 de Fevereiro e 01 de Março, em Espinho.
Intitulada "PS: a força da mudança", José Sócrates dedicou a parte inicial do seu discurso à actual crise financeira internacional e às possibilidade de uma reforma da arquitectura institucional mundial na sequência da eleição do democrata Barack Obama para a presidência dos Estados Unidos.
Na política interna para combate à crise, Sócrates vincou que "diga o que a direita disser o Governo manterá a sua política" sobretudo no que respeita à criação de linhas de crédito para as empresas, medidas excepcionais de apoio à actividade económica e aposta nos investimentos públicos.
Neste ponto dos investimentos públicos, o líder socialista renovou a sua defesa do projecto ferroviário de alta velocidade (TGV) e lançou um ataque à presidente do PSD, Manuela Ferreira Leite, que já avisou que riscará este investimento se formar Governo.
"Não quero que mais uma geração de portugueses fique para trás apenas por causa de preconceitos ideológicos de um partido", disse, considerando o TGV uma projecto "essencial" para que Portugal fique integrado na Europa.
Mas Sócrates foi mais longe no seu ataque, dizendo que sempre desconfiou "daqueles que têm necessidade em se apresentarem como arautos da verdade".
"A verdade tem a ver com coerência e não com conveniência. Do meu ponto de vista, quem assina um tratado, comprometendo-se com outro Governo estrangeiro, e depois, quando está na oposição, faz um declaração a dizer que o risca, não tem credibilidade", declarou.
Na mesma linha, Sócrates referiu-se implicitamente aos recentes ataques de Manuela Ferreira Leite à comunicação social, um dos quais visou a agência Lusa.
"Não tem credibilidade quem ataca os jornalistas só porque as notícias são inconvenientes", declarou, recebendo palmas dos cerca de 300 militantes socialistas presentes no Centro Cultural de Belém.