O primeiro-ministro, José Sócrates, falou hoje sobre o caso das escutas divulgadas pelo jornal "Sol" e a alegada tentativa de controlo da comunicação social por parte do Governo.
"Nunca o Governo deu qualquer orietnação à Portugal Telecom para comprar uma estação de televisão", disse José Sócrates, em Cantanhede. A decisão da companhia liderada por Zeinal Bava "foi totalmente independente da vontade do Governo".
José Sócrates reiterou aos jornalistas o que tinha dito no Parlamento em Junho do ano passado, quando negou saber da existência da intenção da PT em comprar a posição da Prisa na Media Capital, detentora da TVI. Depois da polémica gerada na altura, seria o próprio Governo a dizer que utilizaria a sua golden share para impedir o negócio, que não se concretizou.
Divulgar escutas é "um acto criminoso"
O primeiro-ministro repetiu também hoje as acusações à oposição (embora se tenha referido a "todos os partidos, sem excepção"): "A divulgação das escutas pelo 'Sol' é um acto criminoso e ilegal e lamento que não haja um partido que critique este abuso pelo jornal".
"O que o PSD hoje diz é também para atacar o procurador-geral da República e o presidente do Supremo Tribunal de Justiça. É preciso aceitar a separação de poderes. Não há um organismo político que se substitua à Justiça", acrescentou José Sócrates, numa declaração aos jornalistas sem direito a quaisquer perguntas.
"Não é bonito tentar aproveitar crimes para atacar o PGR e o presidente do Supremo", rematou, referindo-se às decisões dos dois responsáveis, que não encontraram quaisquer indicios criminais nas escutas do processo Face Oculta em que aparecia José Sócrates.
Hoje mesmo foram aprovadas na Assembleia da República (apesar da oposição socialista) um conjunto de audições no sentido de averiguar as relações entre o Governo e a comunicação social.