A troca de acusações entre o Ministério da Educação e a Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM) não é nova mas hoje subiu de tom, com o secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, a acusar o presidente daquela organização de ter prejudicado os alunos com os comentários em torno de um suposto facilitismo nos exames.
Na resposta, o presidente da SPM, Nuno Crato, mantém todas as críticas, afirmando que "o Ministério não tem sabido ou não tem querido fazer exames fiáveis, com critérios e grau de dificuldade comparáveis de ano para ano".
"As notas continuam a oscilar de forma que não pode ser explicada por mudanças na preparação dos alunos, mas apenas pelas oscilações de grau de dificuldade dos exames", explica o responsável, considerando que a situação "é injusta" para os alunos e "não permite avaliar a evolução do estado do ensino".
Nuno Crato nega, por outro lado, ter alguma vez especulado sobre o grau de dificuldade dos exames antes de estes acontecerem, como acusa o secretário de Estado, esclarecendo que os pareceres da Sociedade Portuguesa de Matemática resultam de consultas "a muitos professores do Básico e do Secundário e da opinião de especialistas".
"Criticamos exames demasiadamente fáceis como aconteceu com o exame de Matemática do 12.º ano do ano passado e com o exame do 9.º deste ano, tal como apontamos erros científicos, que continuam a existir, ou louvamos aspectos positivos, como ainda este ano fizemos em vários pareceres", afirma.
No que diz respeito à sua participação numa comissão sobre o ensino da Matemática criada pelo Governo de Durão Barroso, que Valter Lemos acusou hoje de nada ter feito para melhorar o ensino, Nuno Crato explica que se tratava de um órgão consultivo.
"Pertenci a uma comissão consultiva sobre o ensino da Matemática e das Ciências, tal como vários responsáveis da Sociedade Portuguesa de Matemática hoje pertencem a comissões consultivas do Ministério da Educação. E estou sempre pronto a dar a minha opinião e a colaborar com o Ministério na procura de soluções", afirma.
A média do exame nacional de Matemática A do 12.º ano caiu 2,5 valores em relação a 2008, para os 10 valores, tendo duplicado (de 7 para 15%) a taxa de chumbos na disciplina.
Relativamente a esta prova, a SPM afirmou tratar-se de um exame "mais razoável" do que o do ano passado, considerando que, "não sendo difícil, não era escandalosamente fácil".