Sento-me, apetece-me.
Apetece-me escrever antes que a rotina do dia me arranque a mim. Quero dizer-me ou encontrar-me de manhã, enquanto os papéis e os dramas alheios ainda não invadiram o meu pensamento e me cercearam a imaginação.
Não quero um mundo à volta. Quero criar o meu Mundo
É nele que recolho energia e vontade de viver.
É meu e depois? Alguém tem alguma coisa com isso?
Caminho constantemente pelos mundos dos outros e faço os meus caminhos pelas necessidades alheias.
Em cada estrada há veredas mas, não me posso demorar nelas.
Se o sol me chama em frente ao mar, raramente lá paro para molhar os pés na maré.
Estou desejosa do Verão. Apetece-me.
Encho os olhos de imagens, pinturas a óleo ou aguarelas esbatidas na memória e na vontade, quero música de fundo nos meus ouvidos, Chopin ou Paganini,...tanto faz. Também pode ser Mozart que brinca com as colcheias como quem faz bilros sem olhar.
Quero filmes que me falam e me provocam,...Apetece-me....Como o de Graham Green e o seu The End of the Affair ou, o Clube dos Poetas Mortos ou o Sorriso de Monalisa
Apetece-me um palco em que a peça de teatro me abane por dentro e me desperte para o que sou nas horas poucas que consigo ter vagas.
Há escritos que me desafiam a viver...
Apetece-me
Apetece-me antes que todo o ritual diário me abafe e, todas as repetições se repitam e, todas as lembranças apagadas renasçam.
Apetece-me como se me apetecesse ser, terrívelmente egoísta e por momentos, obtusamente só.
ACCB