13/02/2012 atualizado às 1:11
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Só existem dois caminhos?

0:56 Sábado, 16 de fevereiro de 2008

A Europa jamais sobreviverá se não adoptar medidas neo-proteccionistas que atenuem a competição desigual que trava com as grandes potências emergentes, que suportam o seu desenvolvimento económico numa violação sistemática de Direitos. 

Nas últimas décadas os Europeus habituaram-se a viver numa sociedade "de bem-estar" em que os diversos Sistemas de Segurança Social, melhor ou pior, asseguram um conforto, que apesar de nunca satisfazer, quando comparado com o resto do mundo é francamente positivo. 

Esta realidade está contudo cada vez mais comprometida com a aposta na livre circulação de bens com países que não respeitam os Direitos Humanos. 

Apesar desta aposta resultar a curto prazo porque os cidadãos dispõem de produtos cada vez mais baratos e as grandes multinacionais tem acesso a mercados de grande escala não estamos perante uma solução a médio prazo, uma vez que produzir na velha Europa é cada vez mais um desafio árduo. 

As justas obrigações sociais, os indispensáveis regulamentos e os necessários impostos fazem aumentar os custos e são atentamente vigiados pelo Estado que pune, e bem, os infractores internos, com vista a assegurar uma concorrência "leal". 

Em simultâneo, o mesmo Estado autoriza a entrada no espaço Europeu de bens produzidos em condições miseráveis com a argumentação que a longo prazo a evolução da economia mundial permitirá uma consciência social que aumentará a qualidade de vida dos cidadãos. 

É assim inevitável a médio prazo a destruição do tecido produtivo Europeu ou a sua transferência para países terceiros, uma vez que a redução das margens de lucro tem limites, que ultrapassados não compensam o esforço da produção. 

A Europa experimenta assim a "maravilhosa" utopia "Os ricos que paguem a crise", i.e. todos Europeus que suportem o desenvolvimento, uma vez que para o padrão Chinês ou Indiano, em que se recebe menos de um dólar por dia de trabalho, não existe Europeu pobre, nem mesmo os pensionistas e os nossos concidadãos que recebem o Rendimento Social de Inserção.  

Para evitar este "descalabro" só existem dois caminhos: ou a imposição de regras proteccionistas semelhantes a todas as empresas que querem operar na Europa (que produzam interna ou externamente), ou abandonar de todo o nosso modo de vida.

Palavras-chave  opinião
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3ª via?
jegomescb (seguir utilizador), 1 ponto , 19:53 | Quarta feira, 12 de março de 2008
De facto estas duas vias referidas pelo autor parecem as mais prováveis. Gostaria, no entanto, de apontar uma 3ª via possível: a China e a Índia serem pressionadas a implementar um modelo mais social e menos liberal.
 
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Nunca há só dois caminhos.
Manuel Almeida (seguir utilizador), 1 ponto , 17:47 | Quarta feira, 19 de março de 2008
Branco e preto são apenas duas cores, mas há muitas outras. O mundo da globalização é o da especialização, da divisão internacional do trabalho, o das vantagens comparativas. Cada país, cada empresa procura aproveitar ao máximo as suas vantagens comparativas, especializando no que faz bem e valorizando os seus recursos humanos e naturais. Idealmente este seria o jogo da globalização.

Neste jogo os povos do norte e centro da Europa jogam na sua capacidade técnica, na investigação cientifica base e aplicada pondo-as ao serviço das suas empresas. Jogam na estabilidade política, em sistemas judiciais sólidos e na protecção de direitos individuais e sociais. Não precisam produzir tudo, basta-lhes controlar o que é produzido, como e quando. As suas empresas partem então em busca dos locais de mão de obra a preço acessível em termos de qualidade/custo. Continuam ricos e com sistemas sociais de nos fazer inveja. Eles têm o recurso mais importante: o saber, o controlo dos mercados globais e também têm em boa medida o poder militar. Só em delírio se espera que o seu nível de vida desça ou convirja com o dos países menos desenvolvidos. A globalização fortalece-os, não serão eles a pô-la em causa. O seus sistemas sociais não estão em perigo, podem contudo tornar-se mais exclusivos das franjas mais desprotegidas (porque essas são essencialmente constituídas por emigrantes).

Neste jogo, Portugal não fez a jogada certa e está a pagar a factura. Portugal posicionou-se como um país de fornecimento de mão de obra barata. As empresas estrangeiras vinham para cá instalar-se. O aspecto chave era a captação de investimento estrangeiro. Nessa estratégia o ensino era um custo sem sentido. Perigoso até. Se a população fosse mais instruída já não servia para trabalhar nas empresas estrangeiras que investiam em Portugal directamente (com presença própria) ou indirectamente, subcontratado a PME portuguesas. Só que, com o fim do bloco de Leste e com as políticas de Teng Xiao Ping na China, os dados começaram a inverter-se. Para mão de obra barata passou a haver melhores alternativas. Os nossos baixos salários parecem altos quando comparados com os da Ásia ou os de algum Leste Europeu. O investimento estrangeiro travou bruscamente e muitas empresas retiraram-se do país. Portugal ficou de mãos a abanar.

As elites governantes não sabendo fazer quase nada por si próprias (estradas com o dinheiro da EU e pouco mais), dependentes do investimento estrangeiro (os políticos dizem das exportações – as exportações são a produção de empresas estrangeiras sediadas directa ou indirectamente em Portugal a sair para o seu país de origem) e sem hipótese de vender mão de obra um pouco mais qualificada (por falta de investimento na educação), ficaram desorientadas. A crise instalou-se.

Depois de um momento de confusão e vários governos as elites adoptaram uma estratégia, que passa por voltar a tornar Portugal um país de mão de obra barata, com salários competitivos com os países da Ásia (chineses, vietnamitas e outros). Para essa estratégia é preciso eliminar os custos sociais (educação, saúde, protecção no desemprego, na velhice e reforma) e eliminar as regras laborais. É o que está em curso.

Em conclusão não é a globalização que fará perigar o modelo social europeu dos países do norte e centro da Europa, pelo contrário serão os ganhos da globalização a pagá-lo. Portugal fez a aposta errada, perdeu e como consequência expiaremos em pobreza nas próximas décadas.
 
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Só existem dois caminhos?
suzydamala (seguir utilizador), 1 ponto , 22:32 | Sábado, 6 de setembro de 2008
Em poucos parágrafos está tudo dito.

A conclusão, é que nós vamos mesmo abandonar o nosso modo de vida!
 
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