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Cenário caótico

Simulacro de sismo condiciona Lisboa, Setúbal e Santarém

Fugas de gás, incêndios, quedas de viadutos: a partir de hoje e até domingo o cenário vai ser de tragédia, durante um simulacro de tremor de terra para pôr à prova a Protecção Civil. (Veja PDF com informação pormenorizada de todas as operações e constrangimentos)

Paula Cosme Pinto** Com Lusa
11:44 Sexta feira, 21 de novembro de 2008

Clique na imagem para ver o PDF com a informação completa sobre o simulacro
Às 17h de hoje Lisboa, Setúbal e Santarém serão abaladas por um sismo que vai gerar elevados danos materiais e humanos. Embora se trate apenas de um simulacro para testar a capacidade de resposta da Protecção Civil, a confusão deverá estar lançada até meio da tarde de domingo, com estradas cortadas e evacuações em prédios de grande envergadura, como o Banco de Portugal e o Centro Comercial Colombo.

O cenário será de desgraça: desde a queda do viaduto em Alcântara-Mar ao risco de derrocada do hospital de Santa Maria, e ainda um incêndio numa bomba de gasolina em Alfama, a capital vai viver a simulação do caos absoluto. Para que a situação se torne o mais real possível, o trânsito vai estar congestionado com cortes em zonas-chave da cidade como, por exemplo, o Campo das Cebolas, o túnel do Marquês de Pombal e a Avenida de Ceuta.

Uma tragédia com mortos e feridos

A primeira simulação vai decorrer na praça de touros do Campo Pequeno, às 18h de hoje, com um camião de transporte de matérias tóxicas a ter um acidente e a derramar a carga. A partir daqui os cenários de tensão vão estender-se entre Lisboa, Setúbal e Santarém, baseados no sismo de 1909, em Benavente, de intensidade 6.6/6.7 na escala de Richter.

Alenquer, Samora Correia, Porto Brandão, Vila Franca de Xira, Barreiro, Almada e Sintra também vão ser alvo desta mega operação: fugas de gás, quedas de pessoas ao rio, rupturas de água e consequentes inundações, deslizamentos de terras, incêndios, derrocadas, feridos e até mortos, tudo poderá acontecer.

Neste exercício de três dias vão ser postas à prova comunicações terrestres, aéreas, móveis e serviços de emergência. Ao todo vão estar envolvidos no exercício 68 entidades, como os bombeiros, GNR, PSP, Aviação Civil, Serviços de Estrangeiros e Fronteiras, INEM e Forças Armadas.

No total, serão mobilizados 2750 profissionais dos serviços de emergência e 1798 figurantes. O resultado da simulação da tragédia aponta para 525 mortos, 7907 feridos graves e 9972 desalojados.

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Os japoneses não brincam com coisas sérias!
Nihon (seguir utilizador), 2 pontos (Interessante), 17:05 | Sexta feira, 21 de novembro de 2008
Antes de começarem com estas simulações espalhafatosas, era bom que ensinassem e treinassem os portugueses a actuar, para se protegerem, durante um tremor de terra de média-grande intensidade. Aqui no Japão, desde os 3 anos (!) e ao longo da vida, toda a gente treina o comportamento para a eventualidade de um abalo muito forte. Nas escolas de todos os níveis, em todos os escritórios e fábricas, nos museus, cinemas e nos transportes, nos bairros e juntas de freguesia, no Parlamento, nos hospitais, nas centrais nucleares, etc, etc, 1 a 2 vezes por ano.

Apesar do Japão ser o país mais avançado do mundo nas tecnologias “anti-sísmicas” e na preocupação com a construção civíl (este também é o país do mundo com mais sismos), não dispensa o alerta e treino permanentes. Todas as povoações costeiras japonesas têm, há muitos anos, sirenes para alerta de tsunami (o Japão foi o primeiro país do mundo a construir um sistema de previsão e alerta), mas continuam permanentemente preocupados (tal como ao longo dos rios, a juzente de uma barragem, há sirenes que tocam avisando de descargas grandes).

Vale a pena, ser preocupado, organizado e treinar: há uns 4 ou 5 anos houve um terramoto da mesma escala, e praticamente ao mesmo tempo, em Niigata e em Argel. Em Niigata morreu 1 pessoa e na Argélia cerca de 3.000. O terramoto que assolou Shichuan na China no início deste ano foi de menor intensidade que 2 grandes terramotos aqui no Japão em 2007 (e estas duas zonas juntas têm mais população do que a região chinesa). No conjunto dos 2 terramotos no Japão morreram 3 pessoas (uma por ataque de coração), na China 70.000! Encarar a prevenção vale a pena. E é prioritária ao espalhafato

Regras básicas que aprendemos aqui para agir DURANTE um tremor de terra “forte”:
- Manter o autocontrolo e NUNCA ENTRAR EM PÂNICO!
- De seguida, apagar todos os lumes (fogão, esquentador, velas, etc) e fechar a torneira de segurança do gás;
- Depois escancarar a porta da rua (para que não venha a ficar bloqueada, permitindo a rápida saída quando for possível, ou a entrada de socorros);
- Garantir a protecção de bebés, idosos ou pessoas inválidas;
- De seguida, ir para um abrigo na parte mais segura da casa, longe de janelas, vidros ou espelhos (que podem ferir com estilhaços), e aguardar pela pausa no sismo, saíndo então para a rua.

O tremor de terra principal dura, quase sempre, menos que 1 minuto. Por isso, estas regras têm que estar automatizadas, o que requer estudo para a optimização dos movimentos no local e treino frequente (1 vez por semestre para adultos é suficiente).

Um aspecto muito importante é a família ter um conveniente e seguro ponto de encontro (e dar dele conhecimento a amigos e vizinhos) e estudar previamente o local. É que num terramoto, os telefones, telemoveis e internet deixam de funcionar, pelo que um local de encontro é importantíssimo. Mas como pode haver muita destruição e o local tornar-se de difícil reconhecimento, o estudo prévios de detalhes da localização e simulações frequentes podem revelar-se determinantes (e ter a certeza que as crianças se lembram bem do local).

Outros aspectos que são fortemente recomendados:

- Todos os móveis altos devem estar presos à parede.
- Deve garantir-se que, em alguma circunstância, móveis, caixotes ou, seja o que for, possam obstruir a porta da rua - portanto entradas bem “arejadas” e seguras!
- Nunca dormir ou sentar num local onde possam cair objectos provenientes de móveis (e muito menos o próprio móvel, se não estiver preso) ou de paredes.
- Deve haver sempre em casa, ou no local de trabalho, comida de fácil utilização (conservas, bolachas, frutas cristalizadas, sal, etc) e água para 3 dias (a água do autoclismo é também utilizável!) para o caso de se ficar “trancado”.
- A electricidade pode ficar cortada, pelo que convém ter sempre lanternas, “transistores” e pilhas.
- É conveniente que os vidros das janelas estejam protegidos (ou por uma cortina resistente ou por auto-colante, aqui no Japão os vidros trazem uma “rede interior”) para não estilhaçarem – causa de grande percentagem de ferimentos em tremores de terra.
- Nunca ter vasos, ou “estátuas” ou objectos pesados em locais onde possam cair sobre pessoas ou animais de estimação.
- Convém ter um, pelo menos, bom extintor num local de acesso rápido “garantido”.
- etc

Cada um deve adaptar a preocupação de segurança e de socorro às suas características pessoais, de vida e de meio, mas, por favor, pensem integradamente e treinem! Treinem! e NUNCA ENTREM EM PÂNICO!
 
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    Re: Os japoneses não brincam com coisas sérias!    Ver comentário
banjix (seguir utilizador), 1 ponto , 18:37 | Sexta feira, 21 de novembro de 2008
    Isto também deveria ser ensinado na escola    Ver comentário
makiavel (seguir utilizador), 1 ponto , 1:20 | Sábado, 22 de novembro de 2008
    Re: Os japoneses não brincam com coisas sérias!    Ver comentário
pinhoangola (seguir utilizador), 1 ponto , 9:04 | Sábado, 22 de novembro de 2008
Algumas falhas
NunoMAVNV (seguir utilizador), 1 ponto , 12:32 | Sexta feira, 21 de novembro de 2008
Apesar de não ser um especialista nestes cenários, o senso comum aponta-me algumas falhas dos mesmos, ou, talvez falhas não seja o termo correcto, mas sim falta de alguns cenários. Assim:
1- os exercícios têm hora de inicio e pausas (penso que para refeições e dormir). Num cenário destes, quando real, ninguém tem tempo para dormir ou comer decentemente...trabalham-se dias inteiros e come-se mal, quando se come, até se ter resgatado/recuperado o máximo que se consegue.
  O efeito de dias sem dormir e sem comer não é aqui contabilizado, e pode, em cenários reais ser desastroso.

2- Nenhum operacional reage (salvo raras excepções) sem antes saber se toda a sua familia e amigos próximos estão bem...é uma condição normal do ser humano...saber da mulher, filhos, pais, avós, quem quer que seja que lhe seja querido...só depois se pode pedir a uma pessoa que se concentre a 100% na situação...
Isto foi dito numa entrevista á uns anos por um, creio, antigo comandante da protecção cívil ou comandante de uma corporação de bombeiros, não estou agora recordado, e tem toda a razão.
Cenários em que o herói se precipita a resolver a situação sem saber da familia acontecem em Hollywood...não na vida real...
Creio ser também outro cenário que não foi comtemplado (esta mais dificil de simular, que o que mencionei anteriormente)

Não quero com isto dizer que está mal feito, muito pelo contrário....são simulacros destes que podem ajudar a detectar falhas...queria apenas deixar a minha opinião do que achei estar em falta.
 
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    Re: Algumas falhas    Ver comentário
ZEGOU (seguir utilizador), 1 ponto , 14:24 | Sexta feira, 21 de novembro de 2008
    Re: Algumas falhas    Ver comentário
NunoMAVNV (seguir utilizador), 1 ponto , 14:45 | Sexta feira, 21 de novembro de 2008
Pilares Norte Ponte 25 Abril assente Falha Sismika
kukakente (seguir utilizador), 1 ponto , 13:16 | Sexta feira, 21 de novembro de 2008
... Os pilares Norte da Ponte 25 de Abril estão assentes numa "Falha Sismika", koisa ke ninguém diz e todos parecem eskonder, para, dizem, "não provokar pâniko".
... Se os pilares cederem com um provável sismo, komo será?
... Os passageiros do combóio Fertágus e dos automóveis/autocarros ke nessa altura atravessarem a Ponte, o ke lhes akontecerá?
 
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    Re: Pilares Norte Ponte 25 Abril assente Falha Sis    Ver comentário
barradeespacos (seguir utilizador), 1 ponto , 13:37 | Sexta feira, 21 de novembro de 2008
    Re: Pilares Norte Ponte 25 Abril assente Falha Sis    Ver comentário
kukakente (seguir utilizador), 1 ponto , 13:48 | Sexta feira, 21 de novembro de 2008
    Re: Pilares Norte Ponte 25 Abril assente Falha Sis    Ver comentário
naoseinao (seguir utilizador), 1 ponto , 14:18 | Sexta feira, 21 de novembro de 2008
    Re: Pilares Norte Ponte 25 Abril assente Falha Sis    Ver comentário
banjix (seguir utilizador), 1 ponto , 18:43 | Sexta feira, 21 de novembro de 2008
Diversào
portamoedas (seguir utilizador), 1 ponto , 15:20 | Sexta feira, 21 de novembro de 2008
Em certas alturas tem que haver eventos para distrair, vào que nos telejornais so se vai falar desta operaçào BPN & companhia vào ser esquecidos rapidamente.
Em 1755 deu-se um grande terramoto, todos sabemos que a zona de lisboa é sensivel, para que é esta palhaçada, quanto é que o estado investe na prevençao? isso nao da votos agora uma operaçào mediatica sim, so fumo para tb nào se ver os contentores!!
 
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Vários simulacro são necessários
Aleb (seguir utilizador), 1 ponto , 17:37 | Sexta feira, 21 de novembro de 2008
É bom que se façam. Mesmo que fiquem longe do que aconteceria se fosse uma catástrofe real, poderá dar para perceber o que falta e quem sabe, corrigir essas situações.
Quantos edifícios modernos não têm a chamada "escada de salvação" exterior ao prédio, as portas interiores e exteriores são eléctricas, os bombeiros em caso de incêndio não têm acesso às janelas dos prédios por variadíssimas razões, no entanto as construções foram aprovadas... Que Deus nos livre de uma verdadeira catástrofe pois com a negligência com que nós actuamos, morriamos todos. É só lembrar a queda da ponte Hintze Ribeiro. Se em vez de pessoas que cairam ao rio fossem pepitas de ouro, tinham sido inventados holofotes e outros artefactos para as tentar encontar no mesmo instante! Mas não! Infelizmente eram apenas pessoas e foi o que se viu!
É mesmo hora de mudar. Obrigada pelo simulacro.
Ana Bela Costa - Lisboa
 
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