Mstislav Rostropovich, considerado o melhor violoncelista do século XX, passou por Lisboa para dar um concerto no Teatro Nacional de S. Carlos. O entusiasmo, segundo as críticas, foi total. O público aplaudiu-o de pé, num final apoteótico, tendo vindo várias vezes ao palco para agradecer. Tocou as seis suites de Bach, acompanhado e dirigindo simultaneamente a Orquestra da F. Gulbenkian. Rostropovich nasceu na república do Azerbaijão (ex-União Soviética), tendo feitos os seus estudos em Moscovo e ingressado no conservatório com apenas quatro anos para estudar violoncelo e, mais tarde, com sete, piano. Aluno de Chostakovich e Prokofiev, deu o seu primeiro concerto com apenas 13 anos, após o que foi considerado um novo génio.
A fotografia mostra o célebre músico à saída do hotel na Avenida da Liberdade, carregando o seu violoncelo e um saco com o seu pequeno cão Muxa, que o acompanhava por todo o lado onde tocava. Na pequena entrevista que deu a Maria João Avillez, momentos antes da saída para o aeroporto, o maestro disse: "Eu nunca prefiro nada da música. Amo a música toda, inteira... a música é o milagre que Deus fez para nós". Amigo de Solzhenitsyn, e lutador dos direitos humanos, foi obrigado a sair da URSS para os Estados Unidos, tendo-se tornado cidadão americano. Voltou a Moscovo 16 anos depois, já com Gorbatchov liderando a nova Rússia democrática. Viria a falecer em 27 de abril de 2007.